terça-feira, 20 de setembro de 2011

Por que creio em Medjugorje - parte IV


Queridos irmãos, queridas irmãs, a paz! Damos seguimento hoje à transcrição de alguns capítulos do livro “Por que creio em Medjugorje”, do Padre Livio Fanzaga. Esta semana vamos concluir o capítulo “Deus me permite realizar com Ele este oásis de paz”. Afinal, o que há de fora do comum, ou seja, de “extra-ordinário” em Medjugorje? O padre Livio nos responde.

“Eu me perguntei várias vezes o que havia de extraordinário em Medjugorje. Aparentemente, nada. No entanto, logo que alguém chega ali, entra numa atmosfera espiritual de grande serenidade, como se Nossa Senhora envolvesse com seu manto todo o vale encerrado num círculo de montes. O próprio nome Medjugorje significa ‘em meio aos montes’. Nossa Senhora quis fazer desta aldeia uma linda flor cheia de Deus, a fim de que todos que ali chegarem possam sentir o perfume da paz celeste.
Notei que muitos peregrinos desejam voltar ali. Alguns foram em peregrinação a Medjugorje dezenas e dezenas de vezes. Raramente isto acontece com outros santuários. Em que consiste o apelo secreto, ao qual é difícil resistir? É sem dúvida a presença daquela paz divina que o coração humano deseja, ainda que na maioria das vezes não se dê conta. As pessoas se sentem felizes em Medjugorje. Quando voltam para casa, falam disso com nostalgia. Ali experimentaram algo que dificilmente se pode encontrar em outro lugar.
A Rainha da Paz deixa neste lugar, de modo particular, o perfume da beatitude celeste. Mesmo entrando nas famílias você sente este clima. Os eslavos, em geral, e os croatas, em particular, têm um temperamento muito inflamável e combativo. Nossa Senhora soube aperfeiçoá-los ao longo dos anos. Nos primeiros tempos das aparições, tinha avisado os videntes que satanás tentava insinuar-se entre eles. É de admirar que estes seis jovens tão diferentes tenham se conservado um grupo compacto e unido.
Nossa Senhora, quando necessário, interveio para preservar a paróquia das divisões e dos conflitos semeados pelo demônio: ‘Queridos filhos – ela adverte – hoje lhes peço que parem com as difamações e rezem pela unidade da paróquia, porque eu e meu Filho temos um plano especial para esta paróquia’(12.04.1984). Numerosos foram depois as chamadas à reconciliação nas famílias e ao perdão recíproco. Não nos iludamos: também em Medjugorje não faltam aqueles que, como diz Nossa Senhora, ‘com a sua indiferença destroem a paz e a oração’. Não existe um campo de trigo onde o inimigo não semeie o seu joio. Nossa Senhora adverte sobre o perigo: ‘Queridos filhos – disse – vocês sabem que eu lhes prometi um oásis de paz, mas saibam que, junto ao oásis, existe o deserto, onde satanás está emboscado e procura tentar cada um de vocês’ (07.08.1986).
Não obstante, pode-se dizer que está realizado o plano de Maria de construir em Medjugorje uma antecipação daquela que será a futura civilização do amor. Na verdade, o verdadeiro fascínio de Medjugorje, que não irá diminuir nem mesmo com o término das aparições, reside precisamente neste plano divino. No tempo da guerra, que agitava violentamente justamente a Bósnia-Herzegovina, Medjugorje não perdeu a sua característica de ‘oásis de paz’. Nunca faltaram os peregrinos, mas sobretudo nunca faltou a oração. Durante alguns feriados, vi centenas de automóveis estacionados, provenientes de toda parte da Europa, especialmente da Itália, carregados de ajuda para as populações mais afetadas, não importa o grupo étnico a que pertenciam. Nunca como naqueles anos a oração esteve tão intimamente ligada à caridade.
Naquele período tão difícil, a vidente que mais permaneceu em seu posto foi Vicka. A guerra é uma dura necessidade, da qual não é possível escapar. Também os três irmãos de Vicka tiveram que responder ao chamado às armas. Falei muitas vezes com eles para conhecer de perto a situação. Sempre fiquei muito impressionado com a seriedade da postura deles. Tratava-se basicamente de fazer o que fosse necessário para defender suas aldeias e sua terra, sem violências inúteis e desejando uma pacificação geral o quanto antes.
Nos outros três anos do duríssimo conflito, Vicka se distinguiu por sua infatigável presença não só na acolhida dos peregrinos, mas também e sobretudo na assistência aos feridos e aos doentes, na distribuição da ajuda e no conforto aos soldados. Empenhava-se para que fossem para a frente dos combates reconciliados com Deus, depois de terem recebido os sacramentos da confissão e da comunhão.
No tempo da guerra Medjugorje revelou-se como um milagre de oração e de caridade que a Rainha da Paz colocou diante dos olhos do mundo. Deu um sinal de sua presença que só os cegos não quiseram ver. A vizinha cidade de Mostar, distante só vinte quilômetros de Medjugorje, foi quase inteiramente destruída. Em particular, a catedral e o convento franciscano foram destruídos pelas bombas. Não havia ilusões. Quem pode contar as igrejas católicas destruídas sistematicamente naqueles anos?
O objetivo do exército sérvio era reduzir Medjugorje a um monte de escombros. Não se deve esquecer que a Croácia tinha proclamado a sua independência, desanexando-se da federação iugoslava, exatamente no dia 25 de junho de 1991, no décimo aniversário das aparições. Atacar e destruir este símbolo religioso era, para os sérvios, um objetivo prioritário para enfraquecer o moral dos croatas.
Lembro-me de que, naquele período, muitos dos que me interrogavam sobre o andamento da guerra na Bósnia, me pediam notícias sobre Medjugorje, admirando-se muito de que ainda não tivesse sido atacada. Havia uma espécie de espera muda na opinião pública internacional. ‘Vejamos se desce da cruz’, disseram os inimigos de Jesus, zombando dele. ‘Vejamos se Nossa Senhora vai salvar Medjugorje’, insinuavam os inimigos irredutíveis das aparições, talvez mais numerosos do que se pensa. Certa manhã fui, como de costume, às bancas a fim de comprar os jornais para o meu programa diário de comentários. Com surpresa e dor, vi que os jornais noticiavam que Medjugorje tinha sido bombardeada. Até mesmo o jornal católico ‘O Amanhã’, que, por razões de prudência não tocava quase nunca neste assunto, publicou a notícia na primeira página.
Pensei que o acontecimento era possível, porque os caminhos de Deus não são os nossos, mas, no íntimo, não conseguia acreditar. Peguei o telefone e liguei para a família de Vicka. Milagrosamente, consegui logo completar a ligação, apesar de serem quase impossíveis as ligações telefônicas naquele tempo de guerra. Atendeu-me a mãe de Vicka e eu a coloquei ao vivo na Rádio Maria. A tranqüilidade de sua voz, ainda que estivesse falando em croata, persuadiu o nosso público de que a situação não devia ser tão catastrófica. Pedi a ela notícias sobre o bombardeamento. Aquela manhã, a Itália medjugoriana, atordoada pelas notícias dos jornais e dos telejornais, ficou sabendo que o bombardeio efetivamente tinha acontecido. Algumas armas sérvias, disparadas das colinas próximas a Mostar, tinham sobrevoado as duas torres da igreja e tinham explodido num campo, matando uma pobre vaca. Satanás não obteve mais do que isso. Ainda hoje se pode ver uma grande bomba caída perto da igreja e que não explodiu. Maria havia protegido o oásis de paz que ela e seu Filho tinham construído.
Traduzido do italiano para o português por Tania

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