quarta-feira, 13 de julho de 2011

BENTO XVI ABENÇOA NASCIMENTO DO SUDÃO DO SUL



O 54º e mais jovem Estado africano, a República do Sudão do Sul, nasceu oficialmente no último sábado. Nascimento acompanhado, entre outros, dos votos de "paz e prosperidade" de Bento XVI. A independência, que redesenha o quadro geopolítico da África Subsahariana, é fruto de uma longa e difícil transição, na qual a Igreja teve um papel importante – reconhecido pelo próprio Papa. Palavras resgatadas na matéria do colega da redação italiana Alessandro de Carolis, adaptada ao português por Rafael Belincanta.

Sinos em festa, gritos de alegria, olhares felizes de quem hoje toca o céu com os dedos depois de ter sofrido por muitos anos um verdadeiro inferno. A gente do Sudão do Sul saúda desde domingo a tão sonhada independência, entretanto, não se esqueceu dos horrores escondidos atrás das próprias costas: cerca de dois milhões de mortos e mais que o dobro de refugiados. Tudo por causa da segunda guerra civil sudanesa. Um conflito que durou mais de vinte anos e terminou com o Acordo de Navaisha em 2005, que precedeu a divisão do Sudão em dois Estados: a maioria muçulmana no Norte e a maioria cristã no Sul, neste caso com uma forte presença de seguidores das religiões tradicionais.

Dez meses antes do referendo de janeiro passado, que sancionou o nascimento do novo Estado, Bento XVI recebera em audiência os bispos sudaneses. Era 13 de março de 2010 e, apesar de todas as tensões que uma mudança tal como a independência pudesse provocar, era vista como uma meta tangível. O Papa então foca seu discurso sobre o dever, por parte da Igreja, de reforçar os valores básicos da convivência civil, que são valores cristãos, dentro da jovem democracia da sociedade sudanesa.

"Se a paz é a chance de plantar raízes profundas, esforços concretos devem ser feitos para atenuar os fatores que contribuem para a desordem, em particular a corrupção, as tensões étnicas, a indiferença e o egoísmo. Iniciativas neste sentido são frutíferas se tiverem base na integridade, no senso de fraternidade universal, das virtudes da justiça, da responsabilidade e da caridade. Tratados e outros acordos, indispensáveis na construção do processo de paz, darão frutos somente se forem inspirados no exercício de uma liderança madura".

As palavras do Santo Padre ainda se encaixam no contexto daqueles que estão entusiasmados com a independência. Ela poderia apagar a dor provocada para conquistá-la. Mas esta mesma dor também permanecerá na memória daqueles que vão construir o futuro do Sudão do Sul.

"As feridas da violência podem precisar de muitos anos para ser curadas, mas a mudança do coração, que é a condição indispensável para uma paz justa e duradoura, deve ainda hoje ser implorada como um dom da graça de Deus. Como anunciadores do Evangelho, procuraram injetar nas pessoas e na sociedade um senso de responsabilidade para as gerações presente e futuras, encorajando o perdão, a aceitação recíproca e respeito aos compromissos assumidos". (RB)
Radio Vaticano

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