Vocação ao Sacerdócio e ao Matrimônio

domingo, 19 de agosto de 2012

Neste sábado, dia 18 de agosto de 2012, o bispo Dom Fernando Arêas Rifan celebra em Campos os 10 anos de graças, tanto pela criação da Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney, como de sua ordenação episcopal, o ponto culminante aonde o conduziu sua vocação religiosa ao sacerdócio. Certamente não foram anos carentes de dificuldades e sofrimentos, tanto mais que estão preenchidos de episódios que certamente o fazem recordar a expressão “sal da terra”: aquilo de que a terra necessita para tornar possível o crescimento das plantas e que, ao mesmo tempo e por condição, é calcado pelos pés das pessoas. Por ter-se humildemente submetido ao Papa, há quem o critique e tente até ofendê-lo.

Eu e minha esposa, somos um dentre o número dos incontáveis casais que se beneficiaram – e continuamos nos beneficiando – das graças que a Deus aprouve conceder-lhe, tornando-o bispo. Pois passamos a pertencer canonicamente à Igreja na mesma data de sua consagração episcopal e, nunca é demais dizer, por causa disso.

Ele próprio descreve, em seu artigo semanal, do dia 15 de agosto de 2012, o itinerário desta graça, que o fez vivenciar a condição de alguém que, entendendo estar “defendendo a Igreja”, viu-se num estado de “tremenda aflição”. Agia no engano, o que é humano e compreensível. Mas substituiu o engano com conduta própria de pessoas raras, dando um incrível testemunho de humildade: arrependeu-se, dando a nós que temos a graça de conhece-lo um sólido entendimento da proposição “errar é humano, perdoar é divino, corrigir-se é cristão e perseverar no erro é diabólico”. Não se fez de rogado: graças a Deus, para o seu bem e nosso, escreveu para o Papa, no dia 15 de agosto de 2001:

“Beatíssimo Padre, humildemente prostrados aos pés de Vossa Santidade, nós, Sacerdotes da União Sacerdotal São João Maria Vianney, da Diocese de Campos..., pedimos vênia para formular ao Vigário de Cristo o nosso pedido e manifestar-lhe a nossa gratidão. Não temos nenhum título para Lhe apresentar: somos os últimos sacerdotes do seu presbitério. Não possuímos nem distinções, nem qualidades, nem méritos. A nossa condição, honrosa aliás, de ser ovelha desse rebanho basta para atrair a atenção de Vossa Santidade. O único título que, pela graça de Deus, ostentamos com brio é o de católicos apostólicos romanos. E em nome dessa nossa Fé católica apostólica romana temos nos esforçado por guardar a Sagrada Tradição doutrinária e litúrgica que a Santa Igreja nos legou, esperando desse modo estar prestando o melhor serviço à Vossa Santidade e à Igreja. Beatíssimo Padre, embora sempre nos tenhamos considerado dentro da Igreja Católica, da qual nunca jamais tivemos a intenção de nos separar, contudo devido à situação da Igreja e a problemas que afetaram os católicos da linha tradicional, que são do conhecimento de Vossa Santidade e cremos, enchem o seu coração e o nosso de dor e angústia, fomos considerados juridicamente à margem da Igreja. É esse o nosso pedido: que sejamos aceitos e reconhecidos como católicos... E se, por acaso, no calor da batalha em defesa da verdade católica, cometemos algum erro ou causamos algum desgosto a Vossa Santidade, embora a nossa intenção tenha sido servir à Igreja, humildemente suplicamos o seu paternal perdão...” (18/08/2002)

A tais comoventes palavras, o Papa respondeu, cheio de afeto, acolhendo-o e fazendo-o pertencer canonicamente à Igreja, numa nova e inimaginada condição: a de Administrador Apostólico da Diocese de Cedamusa – Diocese cujo ordinário é o próprio Papa! – com a incumbência formal e estatutária de cuidar, em caráter mundial, do Rito de São Pio V.

Este auspicioso acontecimento insere-se na vida do casal que constituímos, eu e minha esposa, como uma enorme e imerecida graça. Foi através de um padre desta Administração (Pe. José Edilson) que conheci a fé católica, depois de mais de três décadas de intenso desejo de fazê-lo. Assim como a ação da Graça conduziu Dom Fernando à pertencença canônica da Igreja, pela ação da mesma Graça minha alma aceitou o silogismo “Maria é mãe de Jesus; Jesus é Deus; Maria é mãe de Deus” – transitei da condição protestante, na qual fui educado, à de católico apostólico romano. Então eu e Mayumi nos tornamos real e formalmente católicos.

Esta transição não foi fácil nem pouca coisa: o que a tornou possível foi o fato de eu atender à exigência fundamental de minha vocação natural, o convívio com quem me provocaria o saudável impulso de ceder abandonando o erro e abraçando o certo. A humildade do Bispo o fez corrigir os próprios erros; a minha, permitiu-me a graça de corrigir os meus e, no convívio com a esposa, enxergar parte do conteúdo referido pela expressão “sagrada família”. Coloquei o conteúdo desta compreensão no livro de minha autoria, “O homem e a mulher”.

Que Deus em sua infinita Providência cumule Dom Fernando Arêas Rifan, bem como aos padres dos quais é o ordinário (se aqui me expresso corretamente), de permanentes graças que os conservem para a glória de Deus, na terra e no céu. Que faça semelhantemente conosco, minha família, que é católica como que por reflexo da graça de ele ser o Administrador da Administração Apostólica São João Maria Vianney.

Joel Nunes dos Santos, em 18 de agosto de 2012.

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