Vocação Sobrenatural em Fátima

domingo, 20 de maio de 2012

O domingo passado foi dia 13 de maio de 2012. 95 anos antes desta data, no dia 13 de maio de 1917, em Fátima, Nossa Senhora visitou Portugal e falou com três crianças, as pastorzinhas, Lúcia, Jacinta e Francisco Marto. Deu-lhes Nossa Senhora a graça de enviá-los a transmitir-nos o que de importante e dramático ocorreria no século XX. Mas também cuidou Nossa Senhora de tornar possível que se manifestasse por meio dessas mesmas crianças muito do que há de característico na vocação sobrenatural, isto é, a força da fé, da esperança e da caridade como condição de vitória sobre as dificuldades da vida. No séc. XX houve três guerras, onde o homem exibiu capacidade destrutiva como nunca antes se pôde verificar na história: a I Guerra Mundial (1914-1918), a Guerra Civil Espanhola (1936-1939) e II Guerra Mundial (1939-1945). Antes dessa grandes catástrofes, Deus manifestou as grandes virtudes, como no passado agiu ao fazer-se homem: antes de permitir que os apóstolos vivenciassem a experiência do aparente definitivo fracasso de Jesus, Ele se transfigurou perante eles, para dar força a seus corações. Em Fátima, as criancinhas foram testemunho de que antes da provação, Deus dá força suficiente para suportá-la. O Século XX foi século extremamente dramático. Nele vimos – e prosseguimos vendo neste no qual já avançamos mais de uma década – como pode ser um mundo divorciado de Deus, onde Jesus parece não contar e a Igreja é ouvida por poucos. Foi século onde vimos os horrores dos extremos da vida social – o coletivismo comunista e o individualismo neo-capitalista – que são como que uma prévia da besta de que fala o Apocalipse. Pois se o Anticristo é pessoa, a besta é sistema político-econômico, segundo ensina Pe. José Antonio Fortea, exorcista, em seu livro Suma Demoníaca. Muitas foram as mortes (somando as vítimas do comunismo e do nazismo, foram mortos pelo menos 150.000.000 de pessoas, quase a população do Brasil). Mas antes que tais mortes se verificassem, cuidou Nossa Senhora de mostrar, através daquelas criancinhas, o milagre de vidas a ela consagradas. Por meio delas, Nossa Senhora anunciou o antídoto para o grande mal que haveria de vir – “A Rússia vai espalhar os seus erros pelo mundo” –, a vida de penitência e a reza do terço. O mal de que falou veio e se instalou na vida cotidiana, a um ponto tal de parecer que sua existência sempre foi algo normal. Até hoje muitas pessoas acreditam que a diferença entre o maior número atual de protagonistas do pecado, sobre o tanto de ontem é pura questão de comunicação: “A quantidade de pessoas que hoje em dia exibem os pecaminosos desejos desordenados é a mesma que do passado. A diferença é que hoje em dia é menos escondido...”, dizem. Não é verdade. Os males contrários às virtudes da fé, esperança e caridade – a inversão do mal em bem, a falta de pudor e a depressão – afetam maior número de pessoas porque vivemos na época de celerado processo de descristianização e ateização do mundo. Nas nas palavras do Papa Bento XVI (“Fé, Verdade, Tolerância, o cristianismo e as grandes religiões do mundo”), “Cada vez mais se amplia a convicção de que a renuncia da fé cristã à sua pretensão à verdade é a condição básica para uma nova paz do mundo e para a reconciliação do cristianismo com a modernidade.” (p. 191). Nos milagres que Deus faz acontecer na Igreja, é possível observar uma antecipação de solução a problemas futuros. No milagre de Fátima não ocorreu de maneira diferente. Além da mensagem explícita, escritos pela Irmã Lúcia, há também a outras, dentre as quais chama-me a atenção o mistério das vocações tipificadas pelas três criancinhas. Bem observadas as características exibidas pelas suas personalidades, é difícil deixar de ver em Lúcia o forte espírito de fé que a faz aceitar o que não entende mas sabe ser verdade, e que transmite sem alteração das palavras e das vírgulas no curso dos anos de sua longa vida. Em Jacinta, o forte espírito conduzido com a força da esperança, que geralmente se manifesta através daqueles para quem uma vida de sofrimento sem desespero de alma parece ser a marca característica, tal como é possível notar na biografia de Santa Rita de Cássia. Em Jacinta notamos a enorme prontidão para sofrer por amor ao próximo, e buscar o sofrimento voluntário, como penitência a favor não de si, mas de quem não a pode praticar porque nem sabe que tem de fazê-lo. Em Francisco, notamos o anonimato próprio que a força da virtude da caridade imprime na alma da pessoa. Desde a sua compaixão para com os animais – gasta suas economias para adquirir um pássaro e soltá-lo, e a quem aconselha ser mais esperto para evitar ser engaiolado no futuro – até seu gosto por esconder-se e rezar, a sós, quando então notamos o esplendor da força da virtude da caridade em seu espírito. Quando o homem perde a fé, no seu lugar ganha força o medo que faz inverter a noção de bem e mal, doença do espírito que contemporaneamente recebeu o nome de Síndrome de Estocolmo. Quando perde a esperança nas promessas da vida futura, então a falta de vergonha, o despudor assume a rédea da vida. Quando perde a caridade, que dentre outras coisas é o hábito, por amor a Deus, de relevar como mais importante as necessidades alheias do que as próprias, então em seu lugar instala-se a depressão, o desejo de manter-se afastado tanto física quanto intencionalmente do convívio com o próximo. Creio que refletir sobre as virtudes da fé, esperança e caridade, vendo-as manifestarem-se em crianças com idades inferiores àquela em que o homem possui capacidade para compreender o sentido das coisas, ajuda a fortalecer nossas almas adultas. Pois se crianças foram capazes de tanto, por que não seríamos nós capazes do mínimo? Joel Nunes dos Santos, em 16 de maio de 2012.
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