Domingo de Ramos, dia da decisão: Papa aos jovens, na praça de São Pedro, na celebração de Ramos, dia mundial da juventude

domingo, 1 de abril de 2012

Bento XVI preside na Praça de S. Pedro a celebração litúrgica do Domingo de Ramos e da Paixão do Senhor, Depois da bênção dos ramos de palmeira e oliveira, teve lugar a procissão até ao altar, onde decorre a Santa Missa da Paixão do Senhor. O domingo de Ramos, com que a Igreja inicia a Semana Santa, contém um convite a encarar toda a humanidade, na diversidade das suas culturas e civilizações com o olhar de Deus, de Cristo - um olhar de bênção, de amor – sublinhou o Papa, na homilia. Bento XVI começou por evocar a subida de Jesus a Jerusalém, com um numeroso grupo de peregrinos. Pelo caminho, a cura do cego de nascença, suscita nas pessoas um sobressalto, entusiasmo, a esperança de que Deus esteja para cumprir a promessa feita a David de estabelecer o reino messiânico. Um entusiasmo que se contagia aos próprios discípulos de Jesus, quando este toma lugar sobre um jumentinho para entrar na cidade santa. As palavras do Salmo 118, que a multidão proclama, gritando, constitui verdadeira proclamação messiânica: “Hosana! Bendito o que vem em nome do Senhor! Bendito seja o reino que vem, o reino do nosso pai David! Hosana no mais alto dos céus”. “Esta aclamação festiva, transmitida pelos quatro evangelistas (observou o Papa), é um brado de bênção, um hino de exultação: exprime a convicção unânime de que, em Jesus, Deus visitou o seu povo e que o Messias ansiado finalmente chegou”. “Mas qual é o conteúdo, o sentido mais profundo deste grito de júbilo? A resposta é-nos dada pela Escritura no seu conjunto, quando nos lembra que no Messias se cumpre a promessa da bênção de Deus, a promessa feita por Deus originariamente a Abraão, o pai de todos os crentes: «Farei de ti um grande povo e te abençoarei (...). Em ti serão abençoadas todas as famílias da terra!» Trata-se de uma promessa que Israel mantivera sempre viva na oração, especialmente na oração dos Salmos. Aquele que a multidão aclama como o Bendito é, ao mesmo tempo, Aquele em quem será abençoada a humanidade inteira. “À luz de Cristo, a humanidade reconhece-se profundamente unida e, de certo modo, envolvida pelo manto da bênção divina, uma bênção que tudo permeia, tudo sustenta, tudo redime, tudo santifica. E aqui podemos descobrir uma primeira grande incumbência que nos chega da festa de hoje: o convite a adotar a visão reta sobre a humanidade inteira, sobre os povos que formam o mundo, sobre suas diversas culturas e civilizações. A visão que o crente recebe de Cristo é um olhar de bênção: um olhar sapiencial e amoroso, capaz de captar a beleza do mundo e condoer-se da sua fragilidade. Nesta visão, manifesta-se o próprio olhar de Deus sobre os homens que Ele ama e sobre a criação, obra das suas mãos”.. Como se lê no Livro da Sabedoria: «De todos tens compaixão, (Senhor), porque tudo podes, e fechas os olhos aos pecados dos mortais, para que se arrependam. Sim, amas tudo o que existe e não desprezas nada do que fizeste; (...) a todostratas com bondade, porque tudo é teu, Senhor amigo da vida». Mas que pensavam realmente aqueles que aclamam Cristo como Rei de Israel? Tinham a sua própria ideia do Messias, do modo como devia agir o Rei prometido pelos profetas e há muito esperado… Logo poucos dias depois, em vez de aclamar Jesus, a multidão gritará: «Crucifica-O!», e os próprios discípulos ficam mudos e confusos. Na realidade, a maioria ficara desapontada com o modo escolhido por Jesus para Se apresentar como Messias e Rei de Israel. É precisamente aqui que se situa o ponto fulcral da festa de hoje, mesmo para nós. “Para nós, quem é Jesus de Nazaré? Que idéia temos do Messias, que idéia temos de Deus? Esta é uma questão crucial, que não podemos evitar, até porque, precisamente nesta semana, somos chamados a seguir o nosso Rei que escolhe a cruz como trono; somos chamados a seguir um Messias que não nos garante uma felicidade terrena fácil, mas a felicidade do céu, a bem-aventurança de Deus.” Também nós temos que nos interrogar: Quais são as nossas reais expectativas? Quais são os desejos mais profundos que nos animam a celebrar o Domingo de Ramos e a iniciar a Semana Santa? “Queridos jovens, aqui reunidos! Em todos os lugares da terra onde a Igreja está presente, este Dia é especialmente dedicado a vós. Por isso, vos saúdo com muito carinho! Que o Domingo de Ramos possa ser para vós o dia da decisão: a decisão de acolher o Senhor e segui-Lo até ao fim, a decisão de fazer da sua Páscoa de morte e ressurreição o sentido da vossa vida de cristãos. Tal é a decisão que leva à verdadeira alegria.” Evocando o tema deste Dia Mundial da Juventude - a exortação paulina «Alegrai-vos sempre no Senhor», Bento XVI recordou o exemplo de “Santa Clara de Assis, que há oitocentos anos – exatamente no domingo de Ramos –, movida pelo exemplo de São Francisco e dos seus primeiros companheiros, deixou a casa paterna para se consagrar totalmente ao Senhor: com dezoito anos, teve a coragem da fé e do amor para se decidir por Cristo, encontrando n’Ele a alegria e a paz.” São particularmente dois – sublinhou o Papa – os sentimentos que nos hão-de animar nestes dias – louvor e gratidão: “o louvor, como fizeram aqueles que acolheram Jesus em Jerusalém com o seu «Hosana»; e a gratidão, porque, nesta Semana Santa, o Senhor Jesus renovará o dom maior que se possa imaginar: dar-nos-á a sua vida, o seu corpo e o seu sangue, o seu amor.” Para corresponder a tão grande dom, temos que estender aos pés de Jesus a nossa própria vida. Como diziam os Padres da Igreja, dos primeiros séculos: como as pessoas estendiam os mantos no caminho por onde Jesus subia e entrava em Jerusalém, havemos de estender também nós a nossa própria vida, as nossas pessoas, em atitude de gratidão e de adoração”. No final da celebração eucarística, era quase meio-dia, antes da recitação do Angelus e da bênção final, Bento XVI dirigiu saudações aos presentes na praça de São Pedro e a quantos o seguiam através da rádio e da televisão, com destaque para os muitos milhares de jovens, de Roma e não só. Uma referência expressa reservou-a o Papa ao Comité organizador da JMJ de Madrid, no ano passado, e o da próxima, do Rio de Janeiro, assim como aos delegados dos diversos países que participaram nos últimos dias, nos arredores de Roma, ao Encontro Internacional sobre as Jornadas Mundiais da Juventude, promovido pelo Conselho Pontifício para os Leigos. Esta a saudação em português: “Quero agora dirigir a minha saudação amiga aos jovens e demais peregrinos de língua portuguesa, que participam nesta celebração do Domingo de Ramos. De modo particular, saúdo o Arcebispo Dom Orani Tempesta, o Governador e o Prefeito do Rio de Janeiro e demais autoridades e membros do comitê responsável pela organização da próxima Jornada Mundial da Juventude, no ano que vem. Nos trabalhos preparatórios da mesma, procurai viver segundo o convite que hoje nos foi feito: «Alegrai-vos sempre no Senhor». Deste modo, o espírito alegre e acolhedor, conatural aos brasileiros, será sublimado pela alegria que nasce da união com Cristo, o Único Redentor. Assim, podereis de braços abertos – como a Estátua do Cristo que domina a paisagem carioca - receber os jovens que virão de todos os cantos do mundo para a vossa cidade. A todos desejo uma feliz e santa Páscoa!” Radio Vaticano
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