Maria, o testamento de Cristo na cruz

sexta-feira, 16 de março de 2012

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Depois te ter recordado a presença de Maria e das outras mulheres junto da cruz do Senhor, São João refere: "Ao ver Sua Mãe e junto dela o discípulo que Ele amava, Jesus disse à Sua mãe:" "Mulher, eis aí o teu filho". Depois disse ao discípulo: "Eis aí a tua Mãe" (Jo.19, 26-27).

Estas palavras, particularmente comoventes, constituem uma "cena de revelação": revelam os profundos sentimentos de Cristo moribundo e encerram uma grande riqueza de significados para a fé e a espiritualidade cristã. Com efeito, ao dirigir-se, no fim da Sua vida terrena, à Mãe e ao discípulo que Ele amava, o Messias crucificado estabelece novas relações de amor entre Maria e os cristãos.

Interpretadas às vezes unicamente como manifestação da piedade filial de Jesus para com a Mãe, confiada para o futuro ao discípulo predileto, essas expressões vão muito além da necessidade de resolver um problema familiar. De fato, a consideração atenta do texto, confirmada pela interpretação de muito padres e pelo comum sentir da Igreja, põe-nos diante, na dúplice entrega de Jesus, de um dos fatos mais relevantes para compreender o papel da Virgem na história da salvação.

As palavras de Jesus na cruz, na realidade, revelam que o Seu primeiro intento não é o de confiar a Mãe a João, mas de entregar o discípulo a Maria, atribuindo-lhe uma nova missão materna. O termo "mulher", além disso, usado por Jesus também nas bodas de Caná para conduzir Maria a uma nova dimensão do seu ser Mãe, mostra que as palavras do Salvador não são frutos de um simples sentimento de afeto filial, mas têm em vista pôr-se num plano mais elevado.

A morte de Jesus, embora tenha causado o máximo sofrimento a Maria, não muda por si mesmo as suas habituais condições de vida: com efeito, abandonando Nazaré para iniciar a Sua vida pública, Jesus tinha já deixado sozinha a Mãe. Além disso, a presença junto da cruz da sua parente, Maria de Cléofas, permite supor que a Virgem tivesse boas relações com a família e os parentes, junto dos quais poderia encontrar acolhimento depois da morte do Filho.

As palavras de Jesus, ao contrário, assumem o seu mais autêntico significado no interior da Sua missão salvadora. Pronunciadas no momento do sacrifício redentor, elas haurem precisamente desta circunstância sublime o seu valor mais alto. O Evangelista, com efeito, depois das expressões de Jesus à Mãe, refere um significado incisivo: "Jesus, sabendo que tudo estava consumado..." (Jo. 19, 28), quase a querer ressaltar que Ele levou a termo o Seu sacrifício com a entrega da Mãe na obra da salvação.

A realidade posta em ato pelas palavras de Jesus, isto é, a nova maternidade de Maria em relação ao discípulo, constitui um ulterior sinal do grande amor, que levou Jesus a oferecer a vida por todos os homens. No Calvário esse amor manifesta-se ao dar uma mãe, a Sua, que se torna assim também a nossa mãe.

É preciso recordar que, segundo a tradição, João é aquele que, de fato, a Virgem reconheceu como o seu filho; mas esse privilégio foi interpretado pelo povo cristão, desde o início, como sinal duma geração espiritual que se refere à humanidade inteira.

A maternidade universal de Maria, a "Mulher" das bodas de Caná e do Calvário, recorda Eva, "Mãe de todos os viventes" (Gn. 3, 20).Contudo, enquanto esta contribuíra para a entrada do pecado no mundo, a nova Eva, Maria, coopera para o evento salvífico da Redenção. Assim na Virgem, a figura da "mulher" é reabilitada e a maternidade assume a tarefa de difundir entre os homens a vida nova em Cristo.

Em vista dessa missão, à Mãe é pedido o sacrifício, para Ela muito doloroso, de aceitar a morte do seu Unigênito. A expressão de Jesus: "Mulher, eis aí o teu filho", permite a Maria intuir a nova relação materna que prolongaria e ampliaria a precedente. O seu "sim" a esse projeto constitui, portanto, um assentimento ao sacrifício de Cristo, que Ela aceita generosamente na adesão à vontade divina. Ainda que no desígnio de Deus a maternidade de Maria se destinasse, desde o início, a estender-se à humanidade inteira, só no Calvário, em virtude do sacrifício de Cristo, ela se manifesta na sua dimensão universal.

As palavras de Jesus: "Eis aí o teu filho", realizam aquilo que exprimem, constituindo Maria Mãe de João e de todos os discípulos destinados a receber o dom da Graça divina.

Na Cruz Jesus não proclamou de modo formal a maternidade universal de Maria, mas instaurou uma concreta relação materna entre Ela e o discípulo predileto. Nesta escolha do Senhor pode-se divisar a preocupação de que essa maternidade não seja interpretada em sentido vago, mas indique a intensa e pessoal relação de Maria com cada um dos cristãos.

Possa cada um de nós, precisamente devido a esta concretude da maternidade universal de Maria, reconhecer plenamente nEla a própria Mãe, entregando-se com confiança ao seu amor materno.

Papa João Paulo II

Do livro: A Virgem Maria

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