Homilia do cardeal Sarah em Medjugorje

quinta-feira, 5 de agosto de 2021

Belíssima Homilia do Cardeal Robert Sarah pronunciada na abertura do 32º Festival da Juventude em Medjugorje no dia 01/08/2021 

“QUE NOSSA SENHORA DE MEDJUGORJE NOS CONVERTA E NOS AJUDE A FAZER A OBRA DE DEUS E ABENÇOE A TODOS NÓS.”

A missa de abertura do 32º Festival da Juventude em Medjugorje foi celebrada pelo Cardeal Robert Sarah, Prefeito Emérito da Congregação para o Culto e Disciplina dos Sacramentos. Segue a sua homilia na íntegra:

“Queridos irmãos e irmãs,

O décimo oitavo domingo do ano litúrgico nos introduz no tema do Pão da Vida, a Santíssima Eucaristia, através de uma leitura do Livro do Êxodo, que fala do milagre do maná, e do famoso capítulo sexto do Evangelho de São João. Depois da multiplicação milagrosa dos cinco pães e dos dois peixes, começa o longo discurso de Jesus sobre o ‘Pão da Vida’, que se propõe explicar e aprofundar o significado deste milagre.

A mensagem de Jesus está centrada nas obras de Deus. Aqueles que o ouvem fazem-lhe de fato esta pergunta: ‘O que devemos fazer para realizar as obras de Deus?’ (Jo 6,28). Jesus lhes responde: ‘A obra de Deus é que creiais naquele que ele enviou’(Jo 6,29).

Viemos aqui, a Medjugorje, para renovar nossa fé em Jesus Cristo, nosso Redentor, isto é, para estabelecer um relacionamento autêntico e vital com Ele, nosso Senhor e nosso Deus, para que, na oração, possamos responder à pergunta crucial: como encontrar Jesus e como comportar-se em Sua Presença penetrante e soberana?

Em outras palavras, estamos realmente buscando a Deus? Ou, mais precisamente, qual é o lugar de Deus em nossa vida? Como sentimos a necessidade de vir nesta peregrinação, que é como um retiro, porque vivemos imersos em um mundo que procura viver sem Deus, enquanto nós queremos encontrar-nos com o Senhor; viemos recarregar as nossas baterias para que possamos viver melhor na Sua Presença e para podermos ser testemunhas do esplendor da Verdade e da Misericórdia de Deus?

Muitos dos nossos contemporâneos, diria mesmo, as numerosas pessoas tão próximas de nós, nas nossas famílias, entre os nossos amigos, onde estudamos e trabalhamos, parecem insensíveis, indiferentes, até mesmo opostas e hostis à questão da existência de Deus; eles até afirmam que não pensam mais sobre a fé e que isso é um sinal de que são livres.

No entanto, todos os dias vemos com os nossos próprios olhos as consequências desta forma de ateísmo prático, que é semelhante à apostasia ou ao paganismo moralmente degradante. Escutamos S. Paulo nos exortar, na segunda leitura da Missa, a não mais agir  como os pagãos, que eram guiados pelo nada de seus pensamentos e de seus desejos (cf. Ef 4, 17), isto é, como aquele ancião, corrompido  pelas concupiscências que o levou ao erro (cf. Ef 4,22).

Sabemos o que este nada causa em nossas sociedades saturadas de bens materiais: o egoísmo, o hedonismo, a mentira, a violência, a confusão ao nível de ideias de onde toda verdade, mesmo a mais evidente, é banida,  assim como os comportamentos decadentes, muitas vezes legitimados pela legislação dos nossos países. Cada vez mais os nossos contemporâneos tomam consciência de que a negação de Deus conduz à verdadeira negação e degradação da pessoa humana, isto é, da sua dignidade, o que leva à sua destruição. São Paulo nos pede que nos lembremos do nosso batismo e nos deixemos renovar ‘e nos revestir do homem novo, criado à imagem de Deus na justiça e na santidade da verdade’ (Ef 4, 24).

Hoje, Cristo Senhor nos chama a olhar mais alto. Com efeito, é muito importante   lembrar aos consumidores de nossa época que se come para viver, não se vive para comer! Jesus, que conhece o coração humano, quer responder aos nossos desejos mais profundos, às nossas aspirações mais importantes, a esta fome de Amor e a esta sede de Absoluto que nos atormenta. Ele vê com quanta frequência corremos em direção a uma fonte contaminada, incapaz de saciar essa fome e essa sede, isto é, em direção ao poder onipotente de uma tecnologia elevada ao nível da divindade.

Jesus vê a nossa angústia perante o vazio da nossa existência deixada a nós mesmos, sem que o Bom Pastor nos conduza e nos introduza na sua terra santa, como diz hoje  o Salmo.

O Senhor, portanto, nos convida a passar ‘para a outra margem’. Este é um símbolo importante: ‘passar para a outra margem’ significa renunciar ao caminho fácil e seguir o caminho de Deus. ‘Atravessar para a outra margem’ significa ainda mais: é aceitar a cura da grande ferida de nosso tempo – a indiferença religiosa, o relativismo moral, o individualismo e o hedonismo egocêntrico. O Papa Bento XVI falou sobre este tema de ‘sair de si mesmo’.

E o único remédio que pode curar-nos desta doença mortal para a nossa alma é o Pão da Vida, a Santíssima Eucaristia. Os padres gregos chamavam a Eucaristia de  ‘pharmacon tès zoes’, ‘o remédio da vida’, ‘o pão dos fortes’, diz o salmo de hoje, para nós enfermos.

Pecadores que somos, ousemos aproximar-nos da Santa Eucaristia, da Sagrada Comunhão para nos tornarmos mais fortes na fé. ‘Amar significa dar tudo e dar-se a si próprio’, disse Santa Teresa do Menino Jesus. A constituição pastoral do Concílio Vaticano II, Gaudium et Spes, ensina também, com autoridade, que ‘o homem não é um indivíduo fechado em si mesmo, mas uma pessoa chamada a se entregar aos outros no amor’.

A Sagrada Eucaristia é, portanto, verdadeiramente um remédio que nos permite sair da margem do nosso conforto e da nossa falsa segurança, marcada pelo relativismo, e cruzar para a margem do Evangelho da Verdade e da Salvação das nossas almas.

Jesus nos fala sobre o ‘pão verdadeiro’, ‘pão da vida’, ‘pão descido do céu’. O único pão verdadeiro é, portanto, Ele, Jesus. Ele é o Pão que dá a vida. Em outras palavras, Jesus quer nos fazer passar da fome material, a do nosso corpo, para a fome espiritual, a da nossa alma: do pão que acalma a fome física ao verdadeiro Pão da Vida que acalma todas as fomes, isto é, a da alma, porque Jesus é o Pão de Deus que desce do céu e dá a vida ao mundo. E só Ele pode aliviar nossa fome e nossa sede de eternidade.

Observemos que no Ocidente a Eucaristia é representada por um ostensório ou por um cálice acima do qual está a hóstia. No Oriente ela é representada de forma diferente: no cálice ou sobre a patena podemos contemplar Jesus em forma de criança numa manjedoura, assistido por dois anjos vestidos de diáconos, porque Jesus é ao mesmo tempo o sumo sacerdote e a vítima. Perto da criança está escrito: ‘Jesus Cristo, Filho de Deus, Salvador’. Sobre Ele repousa a  pomba do Espírito Santo.

A evocação do Menino de Belém – e Belém significa ‘cidade do pão’ – também se encontra na iconografia de algumas igrejas românicas da Europa Ocidental: não é raro que o Menino Jesus envolto em bandagens seja retratado assim, que fica parecido com um pão. Tudo isso nos lembra constantemente que, como diz o Concílio Vaticano II na Constituição sobre a Sagrada Liturgia Sacrosanctum Concilium: ‘A Eucaristia é a fonte e o ápice da vida cristã’.

Em Jesus, Deus desce do céu para Se entregar e oferecer Sua vida eterna às pessoas de boa vontade. Claro, devemos aceitá-Lo e recebê-Lo. Este é todo o drama da vida de Jesus, que continua hoje no tempo da Igreja, que é Seu Corpo místico.

No prólogo do Evangelho de São João, lemos: ‘Ele veio para o que era seu e os seus não o receberam’ (Jo 1,11). Que dor pensar que hoje os seus não são os judeus, mas os que receberam o Santo Batismo e que, portanto, esquecem ou negam o Cristo. Celebram a Eucaristia com barulho, tumulto, vulgaridade, na ausência total de sacralidade e de fé, às vezes vestidos indignamente, como se expressassem o desprezo por Deus. Que tragédia que todos esses cristãos não praticantes se deixem guiar pelo nada dos seus pensamentos (cf. Ef 4, 17)!

Então, queridos irmãos e irmãs, o que é esta Obra de Deus de que falamos no início desta meditação e na qual somos chamados a trabalhar? A obra de Deus é crer Naquele que Deus nosso Pai enviou. Crer é receber Jesus Cristo por aquilo que Ele é, o Filho de Deus.

Cremos considerando tudo o que Jesus experimentou durante Sua vida, em Sua Morte redentora, em Sua gloriosa Ressurreição dos mortos e em Sua gloriosa Ascensão ao Céu. Cremos Nele, Verbo encarnado e Deus que Se fez homem, e O recebemos no sacramento da Santa Eucaristia e O adoramos a Sua divina Presença no Santíssimo Sacramento do Altar.

Quando você estiver em silêncio, depois de ter recebido a Sagrada Comunhão, não se preocupe em pensar em muitas coisas ou apresentar muitos pedidos ao Senhor. Em vez disso, permaneça ali na presença de Jesus, e diga a Ele: ‘Meu Deus, quem sou eu para que Tu estejas aqui, em mim?’, E permaneça na profundeza desse embevecimento e desse estupor.

Sabemos pelos Evangelhos as palavras que Jesus pronunciou no momento da instituição da Eucaristia na noite de Quinta-feira Santa: ‘Isto é o meu corpo, isto é o meu sangue’.

E nós sacerdotes, porque somos outro Cristo, porque somos o próprio Cristo, vamos repetir estas palavras: “Isto é o meu Corpo, isto é o meu Sangue”.

Adotemos o ensinamento dos Padres da Igreja, em particular o de São Cirilo de Alexandria, que professa sua fé na presença real e substancial de Jesus na Eucaristia: ‘O Corpo do Senhor é vivificante, é o próprio Corpo da Palavra de Deus Pai. Vem para me purificar. Vem para me divinizar. Eu me converto no que recebi’.

Sabemos agora qual foi a grande prova da noite da fé que Santa Madre Teresa de Calcutá suportou durante cinquenta anos. Ela sempre acreditou, mas estava completamente privada de qualquer consolação. Diante do Santíssimo Sacramento exposto, era muito difícil para ela rezar, experimentava a aridez como muitos santos antes dela, como Santa Teresa d’Ávila, Santa Teresa do Menino Jesus, para citar somente alguns…

Mas, quando foi perguntado à Madre Teresa: ‘Como a senhora faz, Madre Teresa, para amar estas pessoas abandonadas, excluídas, que tanto insultam a nossa sensibilidade?’, sua resposta foi: ‘Graças à Eucaristia quotidiana, isto é, a Sagrada Comunhão e a Adoração!’.

Queridos irmãos e irmãs, com a ajuda da Santíssima Virgem Maria, Medianeira de todas as graças, que deu Seu Filho ao mundo através do Seu ‘Fiat - Faça-se em mim’, no dia da Anunciação, trabalhemos com coragem na obra de Deus, buscando em primeiro lugar e antes de tudo o Seu Reino. Tenhamos confiança Nele e tenhamos a certeza de que tudo o mais, isto é, Sua graça e felicidade eterna, nos será dado por acréscimo.

Peço-lhes humildemente: participemos da Santa Eucaristia, amemos comer o Corpo e o Sangue de Jesus, mas sobretudo, amemos adorá-Lo no silêncio.

Que Nossa Senhora de Medjugorje nos converta e nos ajude a realizar a obra de Deus e que Ele nos abençoe. Amém."

Assista ao vídeo em:
https://www.youtube.com/watch?v=mWSm39Chy54




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