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Cuidado! Os petralhas estão furiosos porque foram desmascarados! Ou: Os que odeiam e os que amam

quarta-feira, 16 de maio de 2012

Os feios, sujos e malvados estão nervosos! Foram desmascarados por uma reportagem da VEJA desta semana que expõe os seus perfis falsos no Twitter e os robôs a que recorrem para que suas mensagens sejam replicadas. É uma fraude contra a boa-fé pública! Afinal, os usuários das redes sociais estão caindo numa malha administrada por grupos cujo objetivo é gerenciar a opinião alheia, espionar, molestar, patrulhar, “trollar”. Recorrendo a um clichê, diria que essa é só a ponta do iceberg. Há muito mais abaixo da linha d’água. Mimetizam aqui práticas consagradas em regimes ditatoriais como os da China, de Cuba ou do Irã, ou de países em que a democracia vive um contínuo processo de degradação, como a Argentina ou o Equador. Trata-se da mais óbvia expressão da intolerância.

Mandam-me aqui um texto de um babão medíocre — ainda voltarei a ele se tiver paciência — que me acusa, vejam que coisa!, de incentivar o “ódio” na Internet, sem debater ideias. Há acusações que são mentirosas, mas verossímeis — vale dizer: podem assumir a aparência de verdade porque assentadas em falsas evidências, preconceitos, mitos etc. E há aquelas que, além de falsas, são, em si, absurdas. Podem gostar ou não das minhas ideias, jamais de não debatê-las. Sou apaixonado pela argumentação. Quanto mais um raciocínio parece solidamente alicerçado, mais excitado fico para descobrir a falha.
Os textos aqui publicados ganharam uma dimensão muito além das minhas ambições: são debatidos em universidades (às vezes, com viés crítico), viram questões de vestibular e de concursos públicos, integram livros didáticos e paradidáticos e, como sabem, deram origem a dois dos meus três livros: “O País dos Petralhas” e “Máximas de um País Mínimo”. Acabo de ser convidado a fazer um terceiro. Tenho a honra de ter conseguido emplacar um vocábulo no Grande Dicionário Sacconi da Língua Portuguesa — justamente a palavra “PETRALHA”, conforme se lê abaixo (a maioria de vocês conhece)
Será que tudo isso acontece porque incentivo o ódio? As mais de 100 mil visitas que o blog recebe por dia estariam a mobilizar, então, o exército dos que odeiam? Errado! Trata-se de milhares de mulheres e homens que amam a democracia, o estado de direito, o debate, a liberdade e os direitos individuais. Não os aconselho a visitar a área de comentários dos blogs e sites do JEG (ou da BESTA). Ali, sim, vocês poderiam conhecer (alguns conhecem porque não resistem) o que é ódio, maledicência e violência. Ao contrário: aqui, as opiniões mais agressivas, ainda que críticas ao pensamento que combato, não passam pela mediação. Não quero e repudio o vale-tudo em que se perde aquela gente. Alguns, acreditem, chegaram a ser jornalistas um tanto respeitados. É que o ambiente institucional e o próprio poder não permitiam que exercessem a sua real vocação. Com a ascensão do PT, puderam, então, se revelar. Encontraram-se com a sua natureza.
Praticam o mais bisonho jornalismo chapa-branca e estão sempre dizendo “amém” às demandas dos ditos “movimentos sociais” — não raro, aparelhos de um partido político, do qual se colocam como fiéis servidores. E são bem pagos pra isso — reconheça-se, ao menos, que não fazem seu trabalho por prazer, mas por dinheiro! São profissionais. Não obstante, vivem a acusar seus adversários de mancomunação com os poderosos! Deixem-me ver se entendi: são eles os porta-vozes e empregadinhos dos mandatários, mas venais seriam os outros?! Ora…

Assistiram ao filme Casablanca? Num dado momento, o general nazista quer saber por que Rick Blaine (Humphrey Bogart) lutou ao lado de rebeldes em duas oportunidades. Tentando despistar o troglodita, ele responde: “Fui muito bem pago nas duas vezes” (ou algo assim). O facinoroso devolve: “O outro lado pagaria muito mais”. Não sei se entenderam a minha parábola. Para quem quer vender a sua independência, os poderosos de plantão sempre pagam mais. Ocorre que isso não basta aos compradores. E a razão é simples: quem interessa não se vende e quem se vende não interessa. “Eles” sabem que tem nas mãos — ou no bolso — toda aquela gente que se confunde com o jornalismo. Mas continuam obcecados pelos veículos que têm um só compromisso: noticiar o que é notícia. E pelos analistas que têm um só compromisso: dizer o que pensam.

Financiar esse tipo de operação já é, por si, fraudar as regras do jogo democrático. Essa gente poderia, no entanto, se contentar em puxar o saco dos seus financiadores. Já seria abjeção o bastante PORQUE O DINHEIRO QUE GARANTE A OPERAÇÃO NÃO É PRIVADO, NÃO! É PÚBLICO! Mas não! O “serviço compreto” compreende ainda a difamação permanente daqueles que não se renderam à lógica do “quem pode mais”, às imposições do poder de turno, à vontade dos mandatários.

“É assim no mundo inteiro”, poderia dizer alguém. Falso! Há práticas em curso no Brasil que seriam simplesmente impensáveis nos EUA, que criaram a Internet, ou nas democracias europeias. A razão é simples: a administração ou as estatais jamais financiariam páginas de política que servissem só à rede de difamação a serviço dos governistas da hora. Os americanos, diga-se, nem mesmo dispõem de estatais que pudessem fazer esse serviço. Há por lá blogs e sites para todos os gostos — da extrema direita à extrema esquerda. Sem exceção, são financiados apenas pelo capital privado. Empresas e conglomerados não têm nenhum receio em anunciar em páginas  escancaradamente antigovernistas porque o estado não dispõe de meios que permitam ao governo retaliar desafetos. Da mesma sorte, outras empresas e outros conglomerados garantem a receita de páginas escancaradamente governistas. Não sabemos ainda o que é viver num país em que o indivíduo têm a certeza de que não será molestado pelo estado.

Reconhecimento a Dirceu

Quero aqui fazer um agradecimento público ao “chefe de quadrilha” (segundo a Procuradoria Geral da República) José Dirceu, que estendo a Luiz Inácio Apedeuta — já há leitor grafando “apeDELTA” — da Silva. Até havia pouco, muita gente resistia à constatação de que uma banda do PT e seus esbirros na subimprensa querem mesmo é ditadura e pouco estão se lixando para as instituições. “Você exagera!”, diziam alguns. A frenética e desastrada (para ele) movimentação do deputado cassado por corrupção José Dirceu para arrastar o país em sua pantomima pessoal acabou servindo de advertência a muitos. O jogo ficou claríssimo!
Assim, sejamos gratos a Dirceu por ter se apresentado com a cara que realmente tem — o que não chega a ser uma constante na sua biografia política ou pessoal. A movimentação permitiu também identificar os micos amestrados nas redes sociais, seus robôs e os falsos perfis, que nem seguem nem são seguidos. São criados apenas para perseguir.
Acabou a pantomima.
Texto publicado originalmente às 4h39

CANÇÃO NOVA, EDINHO SILVA E PT...

sexta-feira, 18 de novembro de 2011


Escrevi ontem um post sobre o programa que o deputado estadual Edinho Silva, presidente do PT de São Paulo, ganhou na TV da Canção Nova. O texto está aqui. No programa de estréia, lá estava o deputado federal Gabriel Chalita (PMDB-SP), pré-candidato à Prefeitura de São Paulo. Luiz Inácio da Silva trabalha para que ele seja vice de Fernando Haddad. Caso isso não aconteça, é certo que estarão juntos num eventual segundo turno se um deles passar para essa etapa. Assim, a TV Canção Nova leva ao ar o que é, antes de mais nada, uma aliança de caráter político. Em suma, TRATA-SE DA POLITIZAÇÃO DE UMA CORRENTE QUE SE IDENTIFICA COM A IGREJA CATÓLICA. O pretexto para Edinho Silva estar lá seria a sua expertise na chamada “doutrina social da Igreja”. Entendo. A Canção Nova procurou, procurou e não encontrou ninguém melhor do que o presidente estadual do PT, é isso?

Tenho uma relação transparente com os meus leitores. E essa transparência me obriga a dizer que não me alinho com as correntes carismáticas da Igreja Católica, sempre reconhecendo que há genuínas vocações cristãs e católicas entre os que fazem essa escolha, sejam sacerdotes, sejam fiéis. Acho, inclusive, que a Igreja “tradicional” — recorro a essa palavra à falta de uma mais precisa para o caso — teria algumas coisas a aprender com correntes que me parecem viver a fé com mais entusiasmo e vivacidade. A Canção Nova sempre me pareceu uma força importante de renovação da fé. Mas tenho a impressão de que algo um tanto estranho pode estar se passando por lá.

O petista Edinho Silva, que acaba de ganhar um programa na emissora da comunidade, foi o mesmo que comandou os esforços para censurar — infelizmente, foi bem-sucedido — um manifesto de católicos contra políticos que apóiam o aborto. Não havia no texto qualquer referência a partido nem se citavam nomes. Uma lideranç da Igreja Católica, Dom Luiz Gonzaga Bergonzini, bispo de Guarulhos, foi impiedosamente demonizado por petistas . No comando, Edinho Silva!

Caso do padre José AugustoFicou conhecido o caso do padre José Augusto, que pertence à Canção Nova. Em uma homilia, censurou o PT por sua posição simpática ao aborto. Ele foi repreendido pelo comando da Canção Nova, que fez questão de desautorizá-lo. O pretexto para fazê-lo foi a neutralidade da comunidade, que não deveria se envolver em questões político-partidárias. Não obstante, Gabriel Chalita, claramente identificado com essa corrente, andava pra cima e pra baixo com Dilma, tentando corrigir o que ela própria, por livre e espontânea vontade, havia dito sobre o aborto. Pois bem: se o padre José Augusto foi censurado, não me parece, como posso dizer?, decoroso ver o próprio presidente da Canção Nova, Wellington Silva Jardim, conhecido como “Eto”, dividindo a mesa, como dividiu, com Edinho Silva em seu programa de estréia. Quer dizer que, quando um padre censura o PT, isso é politização indevida, mas quando se entrega um horário da emissora para o presidente do partido, só estão fazendo “coisas de Deus”???

Não, senhores! Algo não vai bem no comando da Canção Nova no que diz respeito à doutrina. Parece que os dirigentes da comunidade estão perigosamente perto do poder terreno e um tanto mais distantes do poder de Deus — E ISSO NADA TEM A VER COM OS FIÉIS, JÁ QUE A VERDADEIRA IGREJA É O REBANHO. Homens podem se desvirtuar, todos sabemos disso. Chalita também estava na estréia de Edinho. Parece-me que está em curso uma tentativa de instrumentalizar a fé em favor de uma escolha político-eleitoral.

Dada aquela relação transparente de que falei, não é segredo para ninguém que não sou fã de Chalita. Sua superficialidade é constrangedora. Seus textos são bisonhos. Tem-se mostrado ainda muito hábil (!) em contar uma verdade diferente a cada público. Em entrevista à Folha, por exemplo, disse ter deixado o PSDB porque estaria sendo perseguido por José Serra. Ao Estadão, já afirmou outra coisa: é que teria se encantado com Dilma. À Folha, em 2004, contou ter comprado um apartamento avaliado então em R$ 4,5 milhões com parte de uma herança da família; numa palestra no começo deste ano, fabulou a sua infância pobre, filho de pai analfabeto e feirante. Em 2000, tinha um patrimônio de R$ 741 mil; em 2011, chega a R$ 15 milhões (ler reportagem aqui), um crescimento de 1.925% — 115% só nos últimos três anos. Como conseguiu? Com seu salário de professor e com a venda de seus livros!!! Tentar saber, no entanto, o que essa venda significa em números é tarefa impossível — segredo de estado.


O leitor tem de saber, e sabe, que tenho, sim, meus pontos de vista. O caso de agora, no entanto, não tem nada a ver com eles. Escolher o presidente de uma seção — a paulista — do maior partido do país para falar sobre a “doutrina social da Igreja” tem pouco de religião e muito de política.
A comunidade da Canção Nova não merece ter a sua fé manipulada desse modo. Até porque PT e Chalita são só manifestações deste mundo, que um dia passam. Mas a Igreja fica. Que reflitam bastante sobre o que está em curso e tomem cuidado com os discursos de manipulação, que recorrem à palavra de Deus para conquistar posições do reino dos homens.


Reflitam! Aborto, disputa eleitoral, alianças partidárias… Cuida-se aqui de religião ou de política? Os fiéis da Canção Nova são parte do rebanho de Deus, não vacas de presépio de falsos profetas. O mal que está perto de nós sempre é mais insinuante. Ou nós já o teríamos afastado para longe.
PS - Nos comentários, não aceitarei ataques aos fiéis da Canção Nova, cujos propósitos são os mais louváveis e não podem responder por eventuais desvios de dirigentes.
Por Reinaldo Azevedo
http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/os-fieis-da-cancao-nova-o-pt-de-edinho-silva-e-o-pmdb-de-chalita-ou-nao-se-deve-usar-o-reino-de-deus-para-conquistar-poder-no-reino-dos-homens-ou-rebanho-de-deus-nao-e-rebanho-de-partidos/
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