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A SANTA MISSA , E A FUNÇÃO DA BELEZA NA LITURGIA - Liturgia diária , 08 de julho de 2014

terça-feira, 8 de julho de 2014

 
A SANTA MISSA , E A FUNÇÃO DA BELEZA NA LITURGIA
 
Dado que a beleza na Liturgia não é um fim em si mesmo, qual é sua função na Liturgia e, em primeira instância, em nossas vidas? Responde-nos o Papa João Paulo II : "A beleza é chave do mistério e apelo ao transcendente. É convite a saborear a vida e a sonhar o futuro. Por isso, a beleza das coisas criadas não pode saciar, e suscita aquela arcana saudade de Deus que um enamorado do belo, como S. Agostinho, soube interpretar com expressões incomparáveis: «Tarde Vos amei, ó Beleza tão antiga e tão nova, tarde Vos amei!»." (Papa João Paulo II, Carta aos Artistas, n. 16)
 
 
 
Esta saudade que sentimos de Deus, secreta para nós mesmos, porque, de tão íntima e profunda, está enraizada em nossa alma e disto não nos damos conta, é aquela inquietude perene que Santo Agostinho expressou tão bem e que o Papa João Paulo II explicitou:
 
 
 
"«Fizestes-nos, Senhor, para Vós, e o nosso coração está inquieto, até que não repouse em Vós». Nesta inquietude criativa bate e pulsa aquilo que é mais profundamente humano: a busca da verdade, a insaciável necessidade do bem, a fome da liberdade, a nostalgia do belo e a voz da consciência". (idemRedemptor Hominis,18)
 
 
 
O Papa Bento XVI entende a beleza como fundamental em toda a vida cristã, a ponto de podermos falar  em toda uma "teologia da beleza", que ele desenvolveu ainda quando cardeal:
 
"Para Platão a categoria do belo era determinante: o belo e o bom para ele coincidiam por último em Deus. Com a aparição do belo nós ficamos profundamente feridos, e essa ferida nos arrebata fora de nós mesmos, põe em movimento o vôo da saudade e nos impele ao encontro daquilo que é o verdadeiro belo, o próprio bem." (RATZINGER, Joseph. Introduzione allo spirito della liturgia, San Paolo, Cinisello Balsamo, 2000, p. 122, apud MOREROD, Charles. A beleza na Teologia de Joseph Ratzinger)
 
 
 
Não é por nada que, como bem disse Dostoiévski, "a beleza salvará o mundo". Tudo o que é verdadeiramente belo aponta para Deus. Dito de outro modo, na beleza contemplamos a Deus. Se sentimos saudade de Deus, também sentimos saudade do belo, e pelo belo chegamos a Deus. É o que se chama de Via Pulchritudinis, a Via da Beleza. Dela, o Pontifício Conselho para a Cultura disse o seguinte:
 
A via da beleza responde ao íntimo desejo por felicidade que reside no coração de cada pessoa. Abrindo horizontes infinitos, ela impele a pessoa humana a empurrar-se para fora de si mesma, da rotina da efêmera passagem do instante para o Transcendente e o Mistério, e a buscar, como fim último da jornada pelo bem-estar e nostalgia total, esta beleza original que é o próprio Deus, criador de toda beleza criada. (A Via Pulchritudinis, Caminho Privilegiado para a Evangelização e o Diálogo, tradução livre)
 
 
 
Falamos da beleza na vida. Mas e sua ligação com a liturgia, onde se encontra? Ora, basta pensarmos que na Liturgia temos a ação sagrada do homem por excelência, onde o próprio Deus permite que o homem ali o encontre e o receba dentro de si, como alimento espiritual. Se a beleza possui este dom de conduzir-nos para Deus, posto que é atributo do próprio Deus, e se na Liturgia devemos sempre encontrá-Lo, está aí a importância da beleza na Liturgia
 
 
 
"De fato, a liturgia, como aliás a revelação cristã, tem uma ligação intrínseca com a beleza: é esplendor da verdade (veritatis splendor). [..] Referimo-nos aqui a este atributo da beleza, vista não enquanto mero esteticismo, mas como modalidade com que a verdade do amor de Deus em Cristo nos alcança, fascina e arrebata, fazendo-nos sair de nós mesmos e atraindo-nos assim para a nossa verdadeira vocação: o amor." (Papa Bento XVI, Sacramentum Caritatis, n. 35)
 
Digo mais: uma vez que a participação ativa - que é também espiritual, e não apenas um mero ativismo, um "fazer coisas" - consiste também em mergulhar mais profundamente nos mistérios celebrados, é fácil perceber que só haverá participação plena quando houver beleza na Liturgia, de modo que esta ajude nossa alma, por meio dos sentidos, a perceber que por trás daqueles mesmos gestos e palavras repetidos, daquelas vestimentas e vasos sagrados, ocorre algo do Mistério, que ultrapassa nossa capacidade de entendimento, que nos aproxima de Deus de um modo como nenhum outro. A verdadeira beleza é o amor de Deus que nos foi definitivamente revelado no mistério pascal


 "A beleza da liturgia pertence a este mistério; é expressão excelsa da glória de Deus e, de certa forma, constitui o céu que desce à terra. O memorial do sacrifício redentor traz em si mesmo os traços daquela beleza de Jesus testemunhada por Pedro, Tiago e João, quando o Mestre, a caminho de Jerusalém, quis transfigurar-Se diante deles (Mc 9, 2). Concluindo, a beleza não é um fator decorativo da ação litúrgica, mas seu elemento constitutivo, enquanto atributo do próprio Deus e da sua revelação. Tudo isto nos há-de tornar conscientes da atenção que se deve prestar à acção litúrgica para que brilhe segundo a sua própria natureza." (ibidem, loc. cit.)

 
 
Coloca-se a beleza em seu devido lugar na Liturgia quando se entende que os paramentos litúrgicos "não são endossados pela aparência do padre, mas para dar glória a Deus. Por isso, devem ser tão esplêndidos quanto possível, porque na Liturgia se realiza a tarefa dos anjos, dos servos de Deus" (Mons. Nicola Bux, Conferenza al Convegno dei Francescani dell'Immacolata. Roma, 2010)
 
Coloca-se a beleza em seu devido lugar na Liturgia quando se compreende que toda liturgia terrestre aponta para a Liturgia celeste : "As nossas liturgias da terra, inteiramente dedicadas a celebrar este ato único da história [o mistério da Redenção] não conseguirão nunca expressar totalmente a sua densidade infinita. Sem dúvida, a beleza dos ritos nunca será bastante procurada, nem suficientemente cuidada nem assaz elaborada, porque nada é demasiado belo para Deus, que é a Beleza infinita. As nossas liturgias terrestres não poderão ser senão um pálido reflexo da liturgia que se celebra na Jerusalém do céu, ponto de chegada da nossa peregrinação na terra." (Papa Bento XVI, Vésperas na Catedral de Paris, 12 de setembro de 2008)
 
 
 
Finalizo trazendo à reflexão alguns trechos do pensamento do Cardeal Ratzinger sobre este assunto, todos compilados no artigo "A beleza na Teologia de Joseph Ratzinger", de autoria de Charles Morerod: "A onda de esoterismo, a difusão das técnicas asiáticas de distensão e de auto-esvaziamento mostram que nas nossas liturgias falta algo. Justo no mundo de hoje temos necessidade do silêncio, do mistério para além do individual, da beleza." (“La Nuova Evangelizzazione”, L’Osservatore Romano, 11-12 dicembre 2000, 11)
 
A "liturgia é a mais alta expressão da beleza da glória de Deus, e constitui de certa forma um aproximar-se do Céu à terra." (Papa Bento XVI, Mensagem aos participantes do II Congresso Mundial dos Movimentos Eclesiais e das Novas Comunidades, 2006)
 
 
 
"A liturgia existe para todos. Deve ser “católica”, ou seja, comunicável a todos os crentes, sem distinção de lugar, de proveniência, de cultura. Deve ser portanto “simples”. Mas simples não significa de baixo nível. Há a simplicidade do banal e a simplicidade que é a expressão da maturidade" (Joseph Ratzinger, La festa della fede, p. 97)
 
Em uma bela liturgia, “ainda que os participantes não entendam talvez todas as palavras individualmente, percebem o significado profundo, a presença do mistério que transcende todas as palavras” (“La nuova evangelizzazione”, L’Osservatore Romano, 11-12 dicembre 2000, 11)
 
 
 
"A Igreja deverá aprender novamente a celebrar as festas e a irradiar o esplendor. A sua submissão ao mundo racional nestes últimos anos foi muito profunda, debaixo deste ponto de vista, de tal maneira que a Igreja se despojou de algo que lhe era totalmente próprio. Ela deve nos conduzir às festas que conserva na sua fé, assim poderá em alguma medida deixar felizes aqueles para os quais o seu anúncio, se visto racionalmente, permanece inacessível." (Elementi di teologia fondamentale, p. 76-78)
 
 

 
LITURGIA DO DIA 08 DE JULHO DE 2014

PRIMEIRA LEITURA (OS 8,4-7.11-13)

Leitura da Profecia de Oséias - Assim fala o Senhor: 4Eles constituíram reis sem minha vontade; constituíram príncipes sem meu consentimento; sua prata e seu ouro serviram para fazer ídolos e para sua perdição. 5Teu bezerro, ó Samaria, foi jogado ao chão; minha cólera inflamou-se contra eles. Até quando ficarão sem purificar-se? 6Esse bezerro provém de Israel; um artesão fabricou-o, isso não é um deus; será feito em pedaços esse bezerro da Samaria. 7Semeiam ventos, colherão tempestades; se não há espiga, o grão não dará farinha; e, mesmo que dê, estranhos a comerão. 11Efraim ergueu muitos altares em expiação do pecado, mas seus altares resultaram-lhe em pecado. 12Eu lhes deixei, por escrito, grande número de preceitos, mas estes foram considerados coisa que não lhes toca. 13Gostam de oferecer sacrifícios, imolam carnes e comem; mas o Senhor não os recebe. Antes, o Senhor lembra seus pecados e castiga suas culpas: eles deverão voltar para o Egito - Palavra do Senhor
SALMO RESPONSORIAL (Sl 113)

Confia Israel no Senhor  

— É nos céus que está o nosso Deus, ele faz tudo aquilo que quer. São os deuses pagãos ouro e prata, todos eles são obras humanas

— Têm boca e não podem falar, têm olhos e não podem ver; têm nariz e não podem cheirar, têm ouvidos, não podem ouvir

— Têm mãos e não podem pegar, têm pés e não podem andar; Como eles serão seus autores, que os fabricam e neles confiam

— Confia, Israel, no Senhor. Ele é teu auxílio e escudo! Confia, Aarão, no Senhor. Ele é teu auxílio e escudo!
EVANGELHO (MT 9,32-38)

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Mateus - Naquele tempo, 32apresentaram a Jesus um homem mudo, que estava possuído pelo demônio. 33Quando o demônio foi expulso, o mudo começou a falar. As multidões ficaram admiradas e diziam: “Nunca se viu coisa igual em Israel”. 34Os fariseus, porém, diziam: “É pelo chefe dos demônios que ele expulsa os demônios”.35Jesus percorria todas as cidades e povoados, ensinando em suas sinagogas, pregando o Evangelho do Reino, e curando todo o tipo de doença e enfermidade. 36Vendo Jesus as multidões, compadeceu-se delas, porque estavam cansadas e abatidas, como ovelhas que não têm pastor. Então disse a seus discípulos: 37“A messe é grande, mas os trabalhadores são poucos. 38Pedi pois ao dono da messe que envie trabalhadores para a sua colheita!” - Palavra da Salvação
 

 
Mensagem de Nossa Senhora em 2 de agosto de 2012 para a vidente Mirjana Dragicevic - “Queridos filhos, EU estou com vocês e EU não estou desistindo. EU desejo que vocês cheguem a conhecer o MEU FILHO. EU desejo para os meus filhos estarem COMIGO na vida eterna. EU desejo que vocês sintam a alegria da paz e tenham a salvação eterna. EU estou rezando para que vocês possam superar as fraquezas humanas. EU estou implorando ao MEU FILHO para dar a vocês corações puros. Meus queridos filhos, somente os corações puros sabem como carregar uma cruz e sabem como se sacrificar por todos aqueles pecadores que tem ofendido o PAI ETERNO e que, mesmo hoje, O ofendem, embora eles não tenham chegado a conhecê-LO. EU estou rezando para que vocês possam vir a conhecer a luz da verdadeira fé que vem somente da oração de corações puros. É então que todos aqueles que estão próximos de vocês sentirão o Amor do MEU FILHO. Rezem por aqueles que MEU FILHO escolheu para guiá-los no caminho da salvação. Que a sua boca evite todo julgamento. Obrigada” Mensagem de Nossa Senhora em Medjugorje
 

Santo EugênioA IGREJA CELEBRA HOJE , SANTO EUGÊNIO, ZELAVA PELA SALVAÇÃO DAS ALMAS - Um dado importante é que de cada três Papas, praticamente, um foi oficialmente declarado santo. Assim aconteceu com Santo Eugênio, que se tornou para a Igreja o homem certo para o tempo devido. Eugênio III nasceu no fim do século XI, em Pisa na Itália e, depois de ordenado, consagrou-se a Deus como sacerdote, até que abandonou todas suas funções para viver como monge. O grande reformador da vida monástica – São Bernardo – o acolheu a fim de ajudá-lo na busca da santidade, assim como no governo da Igreja, pois inesperadamente o simples monge foi eleito para sucessor na Cátedra de Pedro. A Roma da época sofria com a agitação de Arnaldo de Bréscia, que reclamava instituições municipais com eleições diretas dos senadores, talvez por isso chegou a impedir a ordenação e posse de Eugênio, já que tinha sido eleito pelo Espírito Santo numa instituição de origem divina. O Papa Eugênio teve muitas dificuldades no governo da Igreja, tanto assim que, teve de sair várias vezes de Roma, mas providencialmente aproveitou para evangelizar em outras locais como Itália e França. Além de promover quatro Concílios e lutar pela restauração dos santos costumes, Santo Eugênio zelou pela salvação das almas, com tanta dedicação, que passou por inúmeros sofrimentos - Santo Eugênio, rogai por nós!

 

 

 

 


 

A IGNORÂNCIA INVENCÍVEL , E A BUSCA PELA VERDADE - Liturgia diária , 27 de junho de 2014

sexta-feira, 27 de junho de 2014

A IGNORÂNCIA INVENCÍVEL , E A BUSCA PELA VERDADE
A justa condenação de ignorantes não é um caso de intolerância desmedida, pois, por vezes se dá que no homem a consciência se vai progressivamente cegando, com o hábito do pecado. Um justo que seja ignorante por toda a vida, reflete-se algo quase que utópico, pois “quem pratica a verdade aproxima-se da luz” (Jo 3, 21). Ou seja, a sua prática de justiça o encaminhará para a vereda que lhe tirará da ignorância. Assim, para aquele que será contado entre os justos, a ignorância é, ordinariamente, algo passageiro que deve ir se extinguindo quando ele se deixa guiar pelos caminhos da justiça, consumando-se a sua inclusão no Corpo Místico de Cristo antes da morte, ordinária ou prodigiosamente
 
O homem sempre está impelido à verdade e é plenamente capaz de conhecer a Deus e suas obrigações para com o Criador. Tal conhecimento se pode adquirir através da busca pela verdade que é recompensada por Deus. Acontece, porém, que muitos desvios são trilhados pelo homem quando põe outros interesses acima da verdade, posto que, quanto à verdade, "acontece também que o próprio homem a evite, quando começa a entrevê-la, porque teme as suas exigências. Apesar disto, mesmo quando a evita, é sempre a verdade que preside à sua existência". (Fides et Ratio, 28)
 
O ser humano não pode ignorar Deus, já que a Sua existência é manifesta em todas as coisas criadas. No fundo de seu ser, o homem sabe de Deus, e não pode se desfazer da missão de buscá-lo. É pela mística da religião que ele se dispõe a alcançá-lo. Partindo desse pressuposto, todo justo que caminha para Deus não se contenta com propostas religiosas que contradigam ao Deus que se apresenta em uma consciência reta. Por isso o homem em sua busca de Deus é, por natureza, como um cientista em suas pesquisas à busca de comprovar sua intuição. Mesmo um documento pós-conciliar expõe tal analogia:
 
O homem não começaria a procurar uma coisa que ignorasse totalmente ou considerasse absolutamente inatingível. Só a previsão de poder chegar a uma resposta é que consegue induzi-lo a dar o primeiro passo. De fato, assim sucede normalmente na pesquisa científica. Quando o cientista, depois de ter uma intuição, se lança à procura da explicação lógica e empírica dum certo fenômeno, fá-lo porque tem a esperança, desde o início, de encontrar uma resposta, e não se dá por vencido com os insucessos. Nem considera inútil a intuição inicial, só porque não alcançou o seu objetivo; dirá antes, e justamente, que não encontrou ainda a resposta adequada. (Fides et Ratio, 29)
 
Da mesma forma que as pesquisas que não apresentam um resultado satisfatório induzem o cientista a buscar respostas mais além, assim é o homem que se deixa conduzir até a verdadeira Igreja (e nos tempos hodiernos à face mais autêntica desta mesma Igreja) porque não se satisfaz com as contradições e erros crassos que facilmente uma consciência reta detecta nas falsas religiões. Mas quando deixa macular sua consciência, acontece que ele se satisfaz com respostas incompletas e se desleixa na busca que lhe garantiria a salvação
 
Coloquemos em relevo alguns aspectos acerca do termo "ignorância", quando utilizado em documentos do magistério. A sua aplicação em geral atribui severas e devidas conseqüências aos ditos ignorantes. Excetuando-se os textos que tratam especificamente da ignorância invencível, busque-se encontrar aqui o sentido ao qual o Magistério recorre ao utilizar o termo ignorância em seus escritos formais
 
Observando-se o dogma "Fora da Igreja não há salvação", que posicionamento coerente com a fé deve-se assumir diante dos casos dos que ignoram o evangelho?
 
Pode-se encarar a doutrina da ignorância invencível como sendo aquela que trata de buscar uma resposta exigida para uma situação, no mínimo, escandalosa para a mente humana: A possibilidade de que alguém possa ser condenado sem conhecer a Deus, a Igreja e a doutrina que se deve seguir
 
Ainda que se reconheça a existência e a atualidade do dogma Fora da Igreja não há salvação, a doutrina da ignorância invencível pleiteia a possibilidade de poder vir a salvar-se aquela alma que, não tendo tido absolutamente a oportunidade de conhecer em vida os preceitos e obrigações relativos à fé, tenha vivido sobre os ditames da consciência e da lei natural infusa no homem, mesmo sem pertencer à Igreja. Supõe-se que esta proposta possa ter sido o resultado da seguinte dedução: Deus, que é justo, não condenará aquele "bom homem" que não teve culpa por não saber o que deveria ter feito
 
Resta, então, que se tenha a ignorância invencível como uma doutrina que, por natureza, deva caminhar harmoniosamente com o dogma. E não poderia ser de outra forma. Ainda que se exija grande exercício teológico, é necessário que a ignorância invencível deva se constituir em doutrina que respeite a doutrina dos dogmas, a eles não ferindo absolutamente
 
Nas palavras do Santo Papa Pio X, os ignorantes padecem sua perpétua desgraça: "Afirmamos que a maior parte dos condenados às penas eternas padecem sua perpétua desgraça por ignorar os mistérios da fé que necessariamente se devem saber e crer para que alguém se conte entre os eleitos"
 
Na Instrução Fidei Donum, tem-se que as almas dos ignorantes têm uma sorte lastimável: "E, finalmente, entristeçam-se com a sorte lastimável de inúmeras almas; em especial dos jovens que, vítimas dos ateus de nossos tempos, crescem, tristemente mantidos na ignorância das coisas divinas
 
O Papa João XXIII, afirma que a ignorância é a causa e a raiz de todos os males: "A causa e a raiz de todos os males que, por assim dizer, envenenam os indivíduos, os povos e as nações, e tantas vezes perturbam o espírito de muitos, está na ignorância da verdade"
 
Na Adiutricem Populi, encontra-se que se deve preservar da ignorância: "Fizemos observar que não última entre as vantagens do santo Rosário é fornecer ao cristão um meio prático e fácil para alimentar a sua fé e preservá-la da ignorância e do perigo do erro"
 
Na Magnae Dei Matris, a constatação de que a ignorância é antes um perigo que um atenuante de culpa: E já por toda parte o campo do Senhor, como que talado por uma terrível peste, quase se asselvaja, pela ignorância da religião, pelo erro e pelos vícios. [...] Para preservar seus filhos deste gravíssimo perigo da ignorância, a Igreja não descura nenhum dos meios que a sua vigilância e a sua solicitude lhe sugerem
 
No Motu Proprio Boni Pastoris, o Papa faz exigências, não isentando aqueles que tentam em contrário, ainda que o faça por ignorância: Isto declaramos e estabelecemos, decretando que a presente Carta seja sempre e permaneça firme, válida e eficaz; tenha sempre pleno efeito, e que agora e no futuro sirva plenamente a todos a quem isto interesse ou possa vir a interessar; que assim se deve legitimamente julgar e definir; e que a partir deste momento, deve considerar-se nulo e inválido tudo quanto, cientemente ou por ignorância, por qualquer pessoa e em virtude de qualquer autoridade, fosse tentado em contrário
 
Leitura análoga vê-se ao final da Divini Amoris Scientia, de João Paulo II : Tendo realizado isto no modo devido, estabelecemos que esta Carta Apostólica seja religiosamente acolhida e tenha pleno efeito, tanto agora como no futuro: além disso, seja considerado como julgado e definido legitimamente, e seja nulo e sem fundamento quanto de diverso a respeito disto possa ser atentado por alguém, qualquer que seja a autoridade, de modo consciente ou por ignorância
 
Para além de toda essa teologia, nada se consuma sem a ação efetiva da Providência Divina que oportuniza a condução dos eleitos, os quais, para tanto, respondem positivamente à graça ofertada por Deus

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