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O SANTO ABANDONO - Liturgia diária , 24 de julho de 2014

quinta-feira, 24 de julho de 2014

FOTO : SANTA BERNARDETE DE SOUBIROUS , AJOELHADA DIANTE DA IMAGEM DE NOSSA SENHORA . FOTO DE OUTUBRO DE 1864
 
O SANTO ABANDONO
 
O santo abandono é esse estado da alma amante que se entrega incondicionalmente e sem reservas à Vontade de Deus, quer na ordem da natureza, quer na Graça
 
Santo abandono na ordem da natureza : A alma do santo abandono quer tudo o que Deus quer, porque o quer e como o quer. Na saúde ou doença, nesse ou naquele país; na situação em que aprouver a Deus pô-la quanto à casa, ao trabalho, ao alimento, à sociedade. Tudo é indiferente, tudo suave, porque a tudo acrescenta: Deus o quer, é Vontade de Deus
 
A alma do santo abandono dorme tranqüila no regaço materno da divina Providência ou descansa em paz aos seus pés, qual a criança despida de preocupação futura. Inquietar-se-á por acaso com o porvir o filho que tem uma mãe carinhosa? Não sabe que ela lhe dará todo o carinho e cuidado?
 
Os elementos se entrechocam. É a tempestade. O mar ameaça tudo engolfar. Mas enquanto todos tremem de medo, o filho do santo abandono dorme sem receio, confiado na divina Providência, pois para ela não há tempestade
 
Os homens, maus que são, querem arrebatar-lhe tudo: bens, liberdade, reputação. Mas a alma do santo abandono deixa-se despojar de tudo sem cólera e sem desespero
 
Deus lhe resta. Deus a ama, é quanto lhe basta. Sente-se rica e goza da maior liberdade para ir ao encontro do Pai celeste
 
Deus às vezes ameaça e parece abandonar a alma querida. Entrega-a ao furor do demônio e aos horrores das tentações. Ela sofre então o martírio da consciência. Mas é Vontade de Deus. "Fere, se puderes, dirá ao demônio, tu que fizeste flagelar o meu Mestre, que o tentaste, que o carregaste nos braços. Eu, discípulo de tal Mestre, não tenho medo de ti, que só farás o que Deus quiser ou permitir. Jesus está comigo"
 
Santo abandono na ordem da Graça : 1º. - A alma do santo abandono, qual um filho inocente nas mãos de Deus, entrega o seu espírito para que Deus lhe seja luz, e luz que quiser - clara ou velada, de Fé ou de manifestação. Só quer saber o que Deus quer que ela saiba é a ceguinha de Deus que lhe abre ou fecha os olhos como melhor convém e que, se lhe fosse dado escolher, havia de preferir a pobreza e humildade de espírito
 
. - A alma do santo abandono dá o coração a Deus, em toda a simplicidade, para indiferente amá-lO a Ele tão-somente, em todas as coisas e em todos os estados. Se a quiser abrasar no fogo do seu Amor, alegrar-se-á; se lhe quiser conceder uma Graça de consolação, recebê-la-á reconhecida. Mas se Deus lhe fizer beber algumas gotas do Seu cálice de fel, ou partilhar dalguns dos Seus abandonos ou desamparos, de Suas desolações ou tristezas, a alma do santo abandono beberá com amor esse cálice, participará da Agonia de Jesus, e Lhe ficará fiel na provação
 
3º. - A alma do santo abandono remete inteiramente a Deus toda vontade própria para que Ele a governe, a vire e revire à mercê dos Seus desejos . Doravante só considerará como bem, alegria, felicidade, virtude, zelo, perfeição, aquilo que trouxer o selo da Vontade de Deus. Que quer Deus? Que deseja Ele? Que Lhe agrada mais? Nisto está toda a lei, toda a perfeição, toda a vida da alma do santo abandono
 
4º. – A alma do santo abandono entrega-se ao serviço que Deus lhe determina, mudando-o a toda hora como melhor lhe aprouver, sem outra consideração, sem outro amor do que essa Vontade divina. Serve a Deus segundo os meios de que dispõe no momento. Não se afeiçoa nem ao estado, nem aos meios, nem às Graças. Descansa tão-somente na santa Vontade de Deus
 
(Fonte : “A Divina Eucaristia, Escritos e Sermões” de São Pedro Julião Eymard, volume 3)
 
 

LITURGIA DO DIA 24 DE JULHO DE 2014

PRIMEIRA LEITURA (JR 2,1-3.7-8.12.13)

Leitura do Livro do Profeta Jeremias - 1A palavra do Senhor foi-me dirigida, dizendo: 2“Vai e grita aos ouvidos de Jerusalém. Isto diz o Senhor: Lembro-me de ti, da afeição da jovem, do amor da noiva, de quando me seguias no deserto, numa terra inculta. 3Israel, consagrado ao Senhor, era como as primícias de sua colheita; todos os que dele comiam, pecavam; males caíam sobre eles”, diz o Senhor. 7“Eu vos introduzi numa terra de pomares, para que gozásseis de seus melhores produtos, mas, apenas chegados, contaminastes o país e tornastes abominável minha herança. 8Os sacerdotes nem perguntaram onde está o Senhor. Os versados na Lei não me reconheceram, e os chefes do povo voltaram-me as costas, os profetas profetizaram em nome de Baal e correram atrás de coisas que para nada servem. 12Ó céus, espantai-vos diante disso, enchei-vos de grande horror”, diz o Senhor. 13“Dois pecados cometeu meu povo: abandonou-me a mim, fonte de água viva, e preferiu cavar cisternas, cisternas defeituosas que não podem reter água” - Palavra do Senhor
SALMO RESPONSORIAL (Sl 35)

Em vós está a fonte da vida, ó Senhor!

— Vosso amor chega aos céus, ó Senhor, chega às nuvens a vossa verdade. Como as altas montanhas eternas é a vossa justiça, Senhor

— Quão preciosa é, Senhor, vossa graça! Eis que os filhos dos homens se abrigam sob a sombra das asas de Deus. Na abundância de vossa morada, eles vêm saciar-se de bens. Vós lhes dais de beber água viva, na torrente das vossas delícias

— Pois em vós está a fonte da vida, e em vossa luz contemplamos a luz. Conservai aos fiéis vossa graça, e aos retos, a vossa justiça!
EVANGELHO(MT 13,10-17)

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Mateus - Naquele tempo, 10os discípulos aproximaram-se e disseram a Jesus: “Por que tu falas ao povo em parábolas?” 11Jesus respondeu: “Porque a vós foi dado o conhecimento dos mistérios do Reino dos Céus, mas a eles não é dado. 12Pois à pessoa que tem, será dado ainda mais, e terá em abundância; à pessoa que não tem, será tirado até o pouco que tem. 13É por isso que eu lhes falo em parábolas: porque olhando, eles não veem, e ouvindo, eles não escutam, nem compreendem. 14Deste modo se cumpre neles a profecia de Isaías: ‘Havereis de ouvir, sem nada entender. Havereis de olhar, sem nada ver. 15Porque o coração deste povo se tornou insensível. Eles ouviram com má vontade e fecharam seus olhos, para não ver com os olhos nem ouvir com os ouvidos, nem compreender com o coração, de modo que se convertam e eu os cure’. 16Felizes sois vós, porque vossos olhos veem e vossos ouvidos ouvem. 17Em verdade vos digo, muitos profetas e justos desejaram ver o que vedes, e não viram, desejaram ouvir o que ouvis, e não ouviram” - Palavra da Salvação

Mensagem do dia  25/03/2009 – “Queridos filhos ! Neste tempo de primavera, quando tudo se desperta do sono do inverno, despertem também vocês as suas almas com a oração para que estejam dispostos a receber a Luz de Jesus ressuscitado. Que Ele, filhinhos, os aproxime de Seu Coracao para que possam estar abertos à Vida Eterna. Oro por vocês e intercedo diante do Altíssimo pela sua sincera conversão. Obrigada por terem respondido ao Meu apelo !” – Mensagem de Nossa Senhora em Medjugorje

São CharbelA IGREJA CELEBRA HOJE , SÃO CHARBEL - O santo de hoje nasceu no norte do Líbano, num povoado chamado Bulga-Kafra, no ano de 1828. Proveniente de uma família cristã e centrada nos valores do Evangelho, muito cedo precisou conviver com a perda de seu pai. Após discernir o seu chamado à vida religiosa, com 20 anos ingressou num seminário libanês maronita. Durante o Noviciado, trocou seu nome de batismo (José) por Charbel. Mostrou-se um homem fiel às regras, obediente à ação do Espírito Santo e penitente. Após sua ordenação em 1859, enfrentou muitas dificuldades, dentre elas a perseguição ferrenha aos cristãos com o martírio de muitos jovens religiosos e a destruição de inúmeros mosteiros em sua época. Em meio a tudo isso, perseverou na fé, trazendo consigo as marcas de uma vocação ao silêncio, à penitência e à uma vida como eremita. Aos 70 anos, vivendo num ermo dedicado a São Pedro e São Paulo, com saúde bastante fragilizada, discerniu que era chegada a hora de sua partida para a Glória Celeste. Era Véspera de Natal. E no dia 24 de Dezembro, deitado sobre uma tábua, agonizante, entregou sua vida Àquele que concede o prêmio reservado aos que perseveram no caminho de santidade: a vida eterna. São Charbel, rogai por nós!

 

 

 


"HÁ MUITOS PREGADORES NO INFERNO” – São Francisco Xavier, Instrução terceira ao Padre Barzeu sobre humildade

sábado, 1 de março de 2014


"HÁ MUITOS PREGADORES NO INFERNO”

São Francisco Xavier, Instrução terceira ao Padre Barzeu sobre humildade

NÃO VOS ESQUEÇA, NENHUM TEMPO, DE CUIDAR COMO HÁ MUITOS PREGADORES NO INFERNO, QUE TIVERAM MAIS GRAÇA DE PREGAR QUE VÓS, E QUE EM SUAS PREGAÇÕES FIZERAM MAIS FRUTO DO QUE VÓS FAZEIS. E MAIS: QUE FORAM INSTRUMENTO PARA QUE MUITOS DEIXASSEM DE PECAR E, O QUE MAIS É PARA ESPANTAR, QUE FORAM CAUSA INSTRUMENTAL PARA QUE MUITOS FOSSEM PARA A GLÓRIA, E ELES, OS TRISTES, FORAM PARA O INFERNO, ATRIBUINDO A SI O QUE ERA DE DEUS, LANÇANDO MÃO DO MUNDO, FOLGANDO DE SER LOUVADOS DELE, CRESCENDO EM UMA VÃ OPINIÃO E GRANDE SOBERBA, POR ONDE SE PERDERAM.. PORTANTO, CADA UM OLHE POR ISSO, PORQUE SE BEM OLHARMOS, NÃO TEMOS DE QUE NOS GLORIAR SE NÃO FOR DAS NOSSAS MALDADES, QUE SÓ ESTAS SÃO NOSSAS OBRAS. PORQUE AS BOAS OBRAS DEUS AS FAZ, PARA MOSTRAR SUA BONDADE PARA NOSSA CONFUSÃO, VENDO QUE POR INSTRUMENTOS TÃO VIS SE QUER MANIFESTAR AOS OUTROS.



SÃO FRANCISCO XAVIER, INSTRUÇÃO TERCEIRA AO PADRE BARZEU SOBRE HUMILDADE, N. 9.

FONTE: XAVIER, SÃO FRANCISCO. OBRAS COMPLETAS. SÃO PAULO: EDIÇÕES LOYOLA, 2006, P. 676

DIANTE DO MAL , COMO AGIRMOS ? - LITURGIA DIÁRIA , 27 DE FEVEREIRO DE 2014

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

 
DIANTE DO MAL , COMO AGIRMOS ?
A vida cristã é uma cristianização da vida. Em suma, ela abarca todos os seus aspectos. Santifica-se de acordo com seu temperamento, sua família, sua história, seu país, seu sexo, seu passado e, também, de acordo com as circunstâncias providenciais nas quais se está situado. Ora, a época na qual devemos nos santificar é marcada por uma crise sem precedentes na história da Igreja. Essa crise deve ser a ocasião providencial de um progresso da vida cristã. É precisamente aqui que reside o problema, tanto somos tentados a evitar a Cruz de Cristo, e a não carregá-la como convém. Pior, diante desse escândalo do mal incessantemente renovado, duas escolhas opostas nos espreitam
O ENDURECIMENTO : O primeiro é de se endurecer diante do mal e, sobretudo, dos fautores do mal. Isso é comum, próprio de uma alma reta, generosa, porém ainda muito cheia de si mesma e não o bastante da misericórdia de Cristo. Tal era o caso dos Apóstolos João e Tiago, prontos a fazer cair fogo do Céu sobre os samaritanos, e, felizmente, freados pelo próprio Jesus Cristo
Se o endurecimento prossegue, a alma cai no puritanismo, até mesmo no farisaísmo, onde ela perde pouco a pouco o olhar compassivo que tanto convém aos discípulos de Cristo. Seu zelo se torna amargo e se caracteriza pelo emprego abusivo da ironia, a abundância de julgamentos apressados e temerários e a severidade com a qual seu ódio louvável pelo erro é transferido ilegitimamente sobre os pecadores
Esse defeito tem várias causas. Ele pode provir, em particular, do que os autores espirituais chamam de acídia. Esse mal, muito cedo diagnosticado na Antiguidade cristã, se caracteriza pelo aborrecimento pela vida cristã no que ela tem de espiritual. É um tipo de paralisia que invade a alma diante do esforço da vida cristã e, mais precisamente, diante do bem divino. A alma não encontra mais alegria na vida interior, na contemplação, na oração. A alma fica como que aborrecida com a ideia de imergir nas verdades sobrenaturais, nos bens espirituais. Se a alma sucumbe a essa paralisia, ela se apressa em fugir de seu dever espiritual, depois, de seu dever em geral, e o foge segundo seu temperamento
Para algumas delas, a fuga consistirá em se abster puramente e simplesmente de um dever árduo: um pouco de oração e de adoração, uma correspondência não entregue, uma admoestação difícil de se fazer, etc.. Para outros, isso consistirá em se atribuir um dever onde não existe. Isso é a preguiça ativa, daqueles que estão dispostos a fazer tudo… salvo o que o Bom Deus lhes pede hic et nunc . Essa acídia assume uma forma particular na alma de alguns beatos falsos. Seu aborrecimento diante das exigências da vida espiritual encontra uma escapatória honrável no zelo amargo. Visto que eles se recusam a colocar todo o ardor desejado na vida interior, eles se desculpam se consagrando a um zelo pela religião por demais humano. Tal pai de família perderá seu tempo na internet, pretendidamente para se informar sobre a crise da Igreja que ele vive com ardor… no lugar de se colocar de joelhos. Tal mulher partirá numa cruzada contra todos aqueles que faltam com a modéstia nas vestes. Tal outro arquivará todas as publicações “inimigas” que lhe parecem desastrosas. Por mais úteis e boas que sejam essas ocupações, elas estão desviadas de sua bondade moral por uma intenção acídica. Esse zelo humano esconde a ausência de zelo pela vida interior. Este é um defeito que, infelizmente, é encontrado mais particularmente nos meios dos “Tradicionalistas” . Tendo boas razões para isso: o zelo amargo supõe ter… zelo. E o zelo supõe ter princípios, regras de vida. E nem todo mundo os tem… ao menos não os mesmos.  Esse defeito, felizmente, tem remédio[1], mas, antes de indicá-los, convém abordar o segundo escolho
O AMOLECIMENTO  : Ao inverso dos precedentes, outros cristãos são tentados a entregar os pontos diante do progresso do mal. Essa é uma tentação mais comum, tanto é verdade que é mais fácil sucumbir tranquilamente que lutar galhardamente. Enquanto que seria preciso manter no espírito de fé e içar sua alma incessantemente acima de si para se unir a Deus, é mais fácil rebaixar as exigências da vida cristã e ceder ao compromisso
Assim que uma alma sente aborrecimento pela vida interior, ou perde a coragem diante das dificuldades da vida cristã, ela é rapidamente tentada a encontrar “acomodações com o Céu”. Essa tentação toma diversas formas, aqui ainda, de acordo com as pessoas. Um Lammenais, um Sangnier são exemplos de um enfraquecimento mais doutrinal, mais intelectual e político. No lugar de reagir por um crescimento da alma diante das dificuldades de uma restauração da “cristandade”, eles adaptaram a doutrina cristã às suas forças por demais humanas
“Para que serve lutar para defender uma ordem política e cristã ultrapassada?  Sigamos a evolução do mundo permitida por Deus“ . Alguns seriam tentados a sucumbir a essa tentação nessa crise da Igreja. Não tomamos o bonde errado nos opondo aos erros modernos? Não somos duros demais? Paremos de condenar incessantemente, paremos de contrariar as pessoas com histórias de saia, de véu, de missa ralliée ou não ralliée. Vamos em frente, e deixemos os rabugentos para trás. “A Fraternidade São Pio X é dura demais, é por isso que ela não avança muito !!”
Esse tipo de linguagem foi mantida nos anos pré-conciliares por numerosos eclesiásticos, decepcionados ao ver o pouco sucesso de seu apostolado e a descristianização de seu país. A solução parecia completamente encontrada: visto que não se conseguia mais mudar o mundo, era preciso mudar os métodos de apostolado. E esse foi o aggiornamento. Da mesma forma, diante da crise da Igreja que se prolonga, poderíamos ser tentados a sucumbir ao desencorajamento e ao compromisso. Essa tentação, muito compreensível, muito humana, continua uma tentação. E ela é a tentação de fugir dos meios sobrenaturais para se dobrar aos cálculos humanos, às soluções enviesadas, simplistas ou sofísticas
O amolecimento pode tomar outra forma, dessa vez “sobrenaturalista”. No lugar de viver nessa crise da Igreja e de se santificar nesse combate doutrinal, foge-se da luta para se refugiar em uma “mística” da oração, da piedade, onde o combate pela fé passa para um segundo plano. Este é um modo de querer a santidade fora da crise da Igreja e, portanto, das exigências reais da vida cristã
Outrossim isso é colocar a virtude moral da piedade antes da virtude teologal da fé, é colocar seu “conforto” espiritual antes da honra de Cristo. É uma nova forma de quietismo, que é apenas uma forma da acídia mais sutil e adornada de misticismo.  Em resumo, quando uma alma experimenta a letargia diante das exigências da vida cristã, ela pode tender a conformar essas exigências com suas forças completamente humanas
O REMÉDIO : A VIDA INTERIOR - O equilíbrio entre esses dois excessos é delicado. Diante do enrijecimento ou do desencorajamento que espreitam os cristãos atingidos pela crise da Igreja, notemos inicialmente que não somos julgados sobre os resultados, mas sobre nossa caridade combativa a serviço de Deus, como recordava tão bem Juan Donoso Cortés aos católicos tão prontos a se desencorajar:
“E que não me digam que, se a derrota é certa, a luta é inútil. Em primeiro lugar, a luta pode atenuar, abrandar a catástrofe e, em segundo lugar, para nós que temos a glória de sermos católicos, a luta é o cumprimento de um dever, e não o resultado de um cálculo. Agradecemos a Deus por nos ter concedido o combate; e não peçamos, além desse favor, a graça do triunfo Àquele cuja infinita bondade reserva àqueles que combatem generosamente por sua causa uma recompensa muito maior e preciosa para o homem que a vitória sobre a terra”
Notemos também uma diferença maior entre esses dois escolhos. Como recordava o pe. Calmel, é mais grave cair no amolecimento doutrinal que no endurecimento . Além disso, “Deus vomita os mornos“. Mas, sobretudo, nunca perdoa a perda dos princípios. Nosso Senhor dizia aos fariseus: “Façam o que eles dizem, mas não façam o que eles fazem“. Não se pode dizer o mesmo dos frouxos e dos liberais, precisamente porque eles se opõem ou renunciam os princípios
Quando um princípio é assentado com toda a inflexibilidade de um axioma e a diplomacia de um lenhador, ele pode assustar em seu rigor, mas a verdade continua. Talvez ela não seja esclarecida pelo exemplo, aquecida pela caridade, revestida de delicadeza e de um belo estilo, mas ela existe e uma alma bem nascida sempre poderá encontrar sua verdadeira face . Contudo, quando um princípio é abandonado, seu dilapidador pode ser amável o quanto puder, bem criado, estar confortável numa sala, discorrer belamente, (mas ele não passará) de um belo lampadário privado de sua chama, que não ilumina mais ninguém
Portanto não há equivalência entre os dois excessos, e é bom se lembrar disso.  O que fazer? Se é verdade que uma reforma é necessária, ela só pode ser aquela da santidade, de uma vida mais interior, mais contemplativa, mais apostólica
Nos dois escolhos que assinalamos, uma das causas comuns é essa fuga de uma vida interior, de uma lassidão pelos bens espirituais. Ora, todos os autores espirituais são unânimes, o gosto pelas coisas de Deus só pode ser encontrado por uma maior imersão nesses bens espirituais, pois, ao contrário dos bens materiais, cuja satisfação só traz insatisfação, a contemplação e o amor pelos bens espirituais engendram um maior desejo por eles. Nesse domínio, a máxima procede: o amor engendra o amor
O mundo não precisa então de um endurecimento moral, mas de uma misericórdia na medida de seu mal, de sua doença. E somente o contato privilegiado com Deus, de uma fé alimentada pela contemplação afetuosa, pode oferecer essa unção benéfica que adocica o remédio necessário, porém extenuante, de uma verdade forte
O mundo precisa ainda menos de um amolecimento doutrinal. Não se trata de mudar nossas posições doutrinais ou morais na crise da Igreja, também não se trata de se contentar em pregá-las em sua pureza, mas se trata de contemplá-las e vivê-las de um modo mais autêntico, mais santo, para sermos mais capazes de transmiti-las. E somente uma vida interior ardente, situada sobre a luz da fé, alimentada pelo estudo e a contemplação, fortificada pela meditação e a participação mais calorosa da missa e dos sacramentos da Igreja, pode conservar em uma alma o equilíbrio entre o amor ardente e fiel pela pureza da doutrina e o amor misericordioso e paciente pela alma humana
Em resumo, que os princípios da vida teologal continuem princípios. Ou seja, que eles existam e  se manifestem. Que eles sejam a fonte de uma vida de contemplação e de fé comunicativa que irradia sobre todos os aspectos da vida cristã
Somente essa reforma poderá fazer da Tradição o que ela deve ser: o ferro de lança, ou para tomar uma imagem mais evangélica, o apóstolo do mundo. E essa reforma interior deve ser a resolução de cada um
A verdade deve ser transmitida por apóstolos que sejam como “encarnações a mais” de Jesus Cristo, ONDE A VERDADE E A CARIDADE FORMAM APENAS UMA ÚNICA COISA, COMO UMA CHAMA QUE ILUMINA E AQUECE TODOS AQUELES QUE SE APROXIMAM DELA

LITURGIA DO DIA 27 DE FEVEREIRO DE 2014
PRIMEIRA LEITURA (TG 5,1-6)

LEITURA DA CARTA DE SÃO TIAGO - 1E agora, ricos, chorai e gemei, por causa das desgraças que estão para cair sobre vós. 2Vossa riqueza está apodrecendo, e vossas roupas estão carcomidas pelas traças. 3Vosso ouro e vossa prata estão enferrujados, e a ferrugem deles vai servir de testemunho contra vós e devorar vossas carnes, como fogo! Amontoastes tesouros nos últimos dias. 4Vede: o salário dos trabalhadores que ceifaram os vossos campos, que vós deixastes de pagar, está gritando, e o clamor dos trabalhadores chegou aos ouvidos do Senhor todo-poderoso. 5Vós vivestes luxuosamente na terra, entregues à boa vida, cevando os vossos corações para o dia da matança. 6Condenastes o justo e o assassinastes; ele não resiste a vós - Palavra do Senhor

SALMO RESPONSORIAL (SL 48)

FELIZES OS HUMILDES DE ESPÍRITO PORQUE DELES É O REINO DOS CÉUS!

— Este é o fim do que espera estultamente, o fim daqueles que se alegram com sua sorte; são um rebanho recolhido ao cemitério, e a própria morte é o pastor que os apascenta

— São empurrados e deslizam para o abismo. Logo seu corpo e seu semblante se desfazem, e entre os mortos fixarão sua morada. Deus, porém, me salvará das mãos da morte e junto a si me tomará em suas mãos

— Não te inquietes, quando um homem fica rico e aumenta a opulência de sua casa; pois ao morrer não levará nada consigo, nem seu prestígio poderá acompanhá-lo

— Felicitava-se a si mesmo enquanto vivo: “Todos te aplaudem, tudo bem, isto que é vida!” Mas vai-se ele para junto de seus pais, que nunca mais e nunca mais verão a luz!

EVANGELHO (MC 9,41-50)

PROCLAMAÇÃO DO EVANGELHO DE JESUS CRISTO + SEGUNDO MARCOS - Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 41Quem vos der a beber um copo de água, porque sois de Cristo, não ficará sem receber a sua recompensa. 42E se alguém escandalizar um desses pequeninos que creem, melhor seria que fosse jogado no mar com uma pedra de moinho amarrada ao pescoço. 43Se tua mão te leva a pecar, corta-a! 44É melhor entrar na Vida sem uma das mãos, do que, tendo as duas, ir para o inferno, para o fogo que nunca se apaga. 45Se teu pé te leva a pecar, corta-o! 46É melhor entrar na Vida sem um dos pés, do que, tendo os dois, ser jogado no inferno. 47Se teu olho te leva a pecar, arranca-o! É melhor entrar no Reino de Deus com um olho só, do que, tendo os dois, ser jogado no inferno, 48‘onde o verme deles não morre, e o fogo não se apaga’”. 49Pois todos hão de ser salgados pelo fogo. 50Coisa boa é o sal. Mas se o sal se tornar insosso, com que lhe restituireis o tempero? Tende, pois, sal em vós mesmos e vivei em paz uns com os outros - Palavra da Salvação

 

MENSAGEM DE NOSSA SENHORA EM MEDJUGORJE – “O convite que Eu faço, para vocês viverem as Mensagens que Eu Ihes dou, é quotidiano; de modo especial, filhinhos, desejaria aproximá-los mais do Coração de Jesus. Por este motivo, filhinhos, hoje Eu os convido à oração dirigida ao Meu querido Jesus, a fim de que todos os corações de vocês sejam Dele. Convido-os, ainda, a se consagrarem ao Meu Coração Imaculado. Desejo que vocês se consagrem pessoalmente, também como família e como paróquia, de tal modo que todos venham a pertencer a Deus, por Meu intermédio. Portanto, filhinhos, rezem muito para conseguir compreender o valor das Mensagens que eu Ihes dou. Não peço nada para Mim mesma, mas peço tudo para a salvação das almas de vocês. Satanás é forte, e por isso, filhinhos, aproximem-se do Meu Coração Materno, com contínua oração” – MENSAGEM DO DIA 25.10.88

 

São Gabriel das DoresA IGREJA CELEBRA HOJE , SÃO GABRIEL DAS DORES - Nascido a 1838 em Assis, na Itália, dentro de uma família nobre e religiosa, recebeu o nome de batismo Francisco, em homenagem a São Francisco. Na juventude andou desviado por muitos caminhos, e era dado a leitura de romances, festas e danças. Por outro lado, o jovem se sentiu chamado a consagrar-se totalmente a Deus, no sacerdócio ministerial. Mas vivia ‘um pé lá, outro cá’. Ou seja, nas noitadas e na oração e penitência. Aos 18 anos, desiludido, desanimado e arrependido, entrou numa procissão onde tinha a imagem de Nossa Senhora. Em meio a tantos toques de Deus, ouviu uma voz serena, a voz da Virgem Maria, que dizia que aquele mundo não era para ele, e que Deus o queria na religião. Obediente a Santíssima Virgem, na fé, entrou para a Congregação dos Padres Passionistas. Ali, na radicalidade ao Evangelho, mudou o nome para Gabriel, e de acordo também com a sua devoção a Nossa Senhora, chamou-se então: Gabriel da Dores. Antes de entrar para a Congregação, já tinha a saúde fraca, e com apenas 23 anos partiu para a glória, deixando o rastro da radicalidade em Deus. Em meios as dores, São Gabriel viveu o santo Evangelho. São Gabriel das Dores, rogai por nós!

 

 

 

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