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Carta a um leitor ateu

quinta-feira, 13 de junho de 2013





                        A meu ver, uma das provas de que Deus existe é a profissão de médico-legista. Não encontro explicação racional para o fato de alguém se sentir atraído por tal ofício, isto é, para ter um gosto tão oposto ao meu. Poderia citar outras profissões ou atividades. Esse é apenas um exemplo. Certamente, para outros, a existência dos advogados somente pode ter explicação divina, tal é a repulsa que sentem pelo ofício de lidar com as leis.

                        Como explicar a existência dos goleiros, uma vez que os atacantes têm muito maior visibilidade? Como entender os bateristas, se vocalistas e guitarristas possuem maior evidência? Há maior recompensa material ou moral para certas funções, o que me leva a crer nos talentos inatos harmonicamente distribuídos. No mundo parece haver uma certa ordem, de modo que, se não houvessem as distorções do mercado e as pressões dos pais, tudo leva a crer, haveria grande equilíbrio e adequada distribuição de profissões e atividades. Com um detalhe: ninguém é médico para tratar as próprias doenças, dentista para cuidar das próprias cáries, lixeiro para levar o próprio lixo. Cada um de nós existe para os outros. E, creio, cada um dos outros existe também para nós.

                        Estou plenamente convencido de que se todos os homens fossem sinceros consigo mesmos, seguindo sua real vocação, suas verdadeiras aptidões, poder-se-ia verificar que a natureza sempre produziu harmoniosa correspondência entre dons e necessidades. O problema é que há desvios de rota. Quantos indivíduos, por exemplo, não tiveram de renunciar aos próprios destinos, às próprias escolhas, para realizar loucos desejos dos pais? Sim, loucos desejos, pois os genitores não são proprietários dos talentos e vocações dos filhos. Não são donos do sentido da existência dos filhos. Não lhes possuem os destinos. A ninguém é dado curar suas frustrações impondo frustrações aos outros, suicidando o sentido da existência dos outros. E é também por isso que o aborto se reveste de especial gravidade: o aniquilamento do sentido da existência do nascituro.

                        Há quem diga que a vida não tem sentido. Isso não é verdade. Até a morte tem sentido. O que existe em superabundância são os cegos, cegos para o sentido. Detectar a razão da existência exige uma certa habilidade, um certo treino. O mesmo se dá com a existência de Deus. Há quem diga que Deus não existe. Mas as provas da existência de Deus são a todo o momento esfregadas na nossa cara. O que há saindo pelos ladrões são os cegos que não sabem ler braile.

                        Diz-se que os cegos, por lhes faltar a visão, desenvolvem mais os outros sentidos. Com o homem moderno dá-se algo inverso. Por embrenhar-se demais nos toques, nos esbarros com a matéria, por afligir-se com o presente do dia dos namorados, com a perda do emprego, com o carro do ano, sofre terrível e angustiante atrofia de uma capacidade interior, da sua sensibilidade para o invisível e intangível, para o que está além do toque, além do tato e da vista.

                        De uma certa maneira, pode-se dizer que, para encontrar o sentido da vida ou mesmo as provas da existência de Deus, é preciso aprender a ler em braile. Trata-se de um outro tipo de leitura, de uma outra espécie de sensibilidade, de uma percepção de diversa natureza. O modo pelo qual estamos acostumados a conhecer, sobretudo nesses tempos encharcados de materialismo, é impróprio, é insuficiente, é inadequado para nos levar à apreensão de realidades metafísicas. Não por acaso há quem diga que a metafísica morreu. Mas não se aprende o que é amor pelo dicionário. Há uma espécie de sentido interno que nos mostra o que é o elo que une os amantes.

Às vezes, é o sofrimento quem inicia o processo de alfabetização. Viktor Emil Frankl, um grande homem do nosso tempo, provou o campo de concentração nazista e comprovou que há sentido na vida até mesmo ali. E mais: há um sentido específico para cada momento, para cada ato, para cada segundo e instante, e não apenas um sentido geral e abstrato para tudo. Intuiu ele que esse sentido está ligado a dois fatores: liberdade e responsabilidade. Sim, porque somos livres para tomar decisões sem sentido. Somos livres. Mas também somos responsáveis. Decisões sem sentido têm consequências, às vezes, catastróficas. Geram vazio existencial e toda uma série de frustrações. Mas é possível dar sentido mesmo aos erros e retificar a rota.

                        Dostoiévski esteve também à beira da morte, diante do pelotão de fuzilamento, condenado por traição. Conta-se que ele já tinha dividido mentalmente os poucos minutos que lhe restavam, para despedir-se dos companheiros. Tantos segundos para despedir-se deste, tantos segundos para despedir-se daquele. E, no entanto, no derradeiro instante, já no lugar da execução, a pena capital que lhe seria imposta foi comutada em quatro anos de trabalhos forçados. Em um de seus livros, Viktor Frankl cita uma frase do autor russo: “de uma só coisa eu tenho medo: não ser digno dos meus tormentos”. Sim, o autor de “Memórias do subsolo” enxergou um sentido a realizar diante dos seus tormentos.

                        O caro leitor deve saber que Beethoven quase nos privou de algumas de suas obras. Percebendo a surdez avançando e após desilusões amorosas, resolveu dar cabo da própria vida. Mas, misteriosamente – talvez tenha pedido auxílio aos céus, aos anjos e aos santos –, acabou vencendo o desespero e ofereceu à humanidade um exemplo quase sobre-humano de superação: compôs aquele glorioso edifício, a sua última e mais majestosa sinfonia, encontrando-se já completamente surdo. Ao invés de se deixar subjugar pela adversidade, ele resolveu “agarrar o destino pela garganta”, segundo suas próprias palavras.

                        Gostaria que o meu texto de hoje pudesse ser considerado como uma carta, uma missiva com endereço certo, uma mensagem a um leitor ateu. Gostaria de alertá-lo da sua cegueira e da necessidade de aprender a ler braile. Certos desenvolvimentos dão-se à custa de atrofias. Há uma espécie de visão interior que lê além do visível, que toca além do tato. De fato, é um tipo de visão, mais verdadeira e muito mais potente. Mas diz respeito a um outro alfabeto e a um outro tipo de idioma. Requer critérios outros, diversa habilidade, outro tipo de instrumentos. E já é um bom começo saber que essa capacidade existe.
 
Paul Medeiros Krause
Procurador do Banco Central em Belo Horizonte

O casamento 'gay' é ato jurídico inexistente

quinta-feira, 23 de maio de 2013





Causa estarrecimento a recente resolução do Conselho Nacional de Justiça, de n.º 175, que obriga os cartórios a celebrar o casamento de pessoas do mesmo sexo. Até pouco tempo, não havia dúvidas de que o casamento havido entre pessoas do mesmo sexo era negócio jurídico inexistente. 

Já atropelavam a Constituição as decisões judiciais, inclusive do Supremo Tribunal Federal, que reconheciam a existência e atribuíam efeitos jurídicos à união civil entre pessoas do mesmo sexo. Tais decisões, como a recente resolução do CNJ, causam perplexidade e suscitam o questionamento sobre os limites da atuação do Poder Judiciário. Poderá ele reescrever a Constituição, atribuindo-se funções de legislador constituinte, invocando princípios para solapar a letra expressa do texto constitucional? Está correto do ponto de vista técnico fazer prevalecer princípios, cujo conteúdo é sempre maleável, em detrimento da letra expressa do texto constitucional? 

Ora, o art. 226, § 3.º, da Lei Maior é de clareza meridiana: “§ 3.º Para efeito da proteção do Estado, é reconhecida a união estável entre o homem e a mulher como entidade familiar, devendo a lei facilitar a sua conversão em casamento”. 

Em outras palavras, nem mesmo a união civil pode se dar entre pessoas do mesmo sexo. Também ela é inexistente aos olhos do direito, por mais que se invoquem princípios de discutível conteúdo, quanto mais o casamento. A dualidade de sexos é elemento essencial da união civil, diz o Constituinte. Coisa diversa é a sociedade de fato, que não constitui entidade familiar, pode ser formada por pessoas do mesmo sexo e ter consequências jurídicas. Casamento gay e união civil entre pessoas do mesmo sexo são construções de vento, ficções, mas não ficções jurídicas, pois nem sequer penetram no mundo do direito. 

O Poder Judiciário envereda por caminho perigoso, antidemocrático, totalitário, manietando a ampla discussão que o tema deve ter. Introduz, manu militari, com desprezo da opinião pública e ignorando a atuação do Parlamento, inovações graves no ordenamento jurídico, tão somente com base em princípios, repita-se, de conteúdo discutível, de forte carga ideológica, e contrariamente a texto expresso promulgado pelo Poder Constituinte Originário. 

O direito não pode ficar refém de ideologias. Não pode se curvar e estar a serviço de crenças liberalizantes em matéria sexual. Ideologia não se impõe no tapetão. Crenças materialistas não detém, na Constituição, qualquer privilégio em relação a crenças de outra ordem. Na Constituição, materialismo e espiritualismo equivalem-se. Não se impõe materialismo por sentença. 

Será que nos apercebemos da gravidade da situação?

Invoca-se a laicidade do Estado, apesar de geralmente haver abuso no emprego desse argumento. Agora, é jurídico decidir com base em princípios quando há texto constitucional expresso, emanado do Poder Constituinte Originário? E os outros princípios expressos da república, do estado de direito, da separação de poderes, da liberdade de pensamento e de crença, da soberania popular? Qual é a sua extensão? Ou invocar a república e o estado de direito comprometem a laicidade do Estado? A separação de poderes é dogma jurídico ou de que natureza? O poder emana do povo ou dos juízes? É o povo quem dá o poder aos juízes, não o contrário. 

Tenho para mim que as decisões judiciais que reconhecem a união civil entre pessoas do mesmo sexo e a recente resolução do CNJ atentam, elas sim, contra a laicidade do Estado. Explico. 

De um lado, elas não têm assento na lei, na Lei Maior, no texto constitucional, portanto, não têm substrato jurídico. De outro, não se assentam na natureza humana, pois diz-se que o gênero é uma construção social. De outro ainda, não se assentam na soberania popular, senhora do seu destino. Assentam-se, ao revés, em princípios que, infelizmente, estão sujeitos a manipulações ou servem a construções ideológicas. Comprometem-se, portanto, tais atos com uma visão de mundo segundo a qual os homossexuais são vítimas da sociedade, e o homossexualismo é um supervalor humano. 

A pergunta, pois, que não quer calar é se estado confessional é apenas aquele que professa uma fé religiosa ou se o é aquele que impõe uma ideologia oficial. Para mim, a resposta à indagação é óbvia. Não se pode proscrever uma fé oficial de cunho metafísico e tornar obrigatório um credo materialista, ainda que travestido de direitos humanos. 

Outra questão que se põe é a seguinte: existe liberdade absoluta em matéria sexual? Se nenhum direito é absoluto, por que o seria o de contrair casamento contrariamente à lei natural? A sociedade inteira não tem o direito de opinar e influir nas decisões do Estado em matéria familiar? Por que razão deteria o Poder Judiciário mais legitimidade ou autoridade do que o povo, do qual se diz que o poder emana e que o exerce diretamente ou por meio de representantes eleitos, para determinar, com base em princípios de questionável conteúdo e alcance, forjados nos laboratórios da ideologia, e não em texto constitucional expresso, o desenho, a moldura, o caráter da sociedade ou entidade familiar? 

A norma emanada da Resolução n.º 175 do CNJ é ato inexistente. Tanto quanto a união civil e o casamento entre pessoas do mesmo sexo, não encontra suporte no ordenamento jurídico brasileiro, no estado de direito, na soberania popular, na separação de poderes, na laicidade do Estado e no art. 226, § 3.º, da Constituição. Não vale a tinta com que foi escrita. É uma ficção e não merece cumprimento.

 
Paul Medeiros Krause
Procurador do Banco Central em Belo Horizonte

 

A esmola da verdade

quinta-feira, 18 de abril de 2013



A caridade impele-nos a socorrer os necessitados, a dar pão a quem tem fome, a vestir o nu, a amparar o órfão e a viúva, a visitar o enfermo e o encarcerado. Dar esmolas é um hábito salutar, talvez não tanto atendendo a qualquer um na rua – o que pode estimular a vadiagem e a mendicância, a exploração profissional da pobreza como meio de vida –, mas é certo constituir uma grande obra ir em socorro dos desassistidos tanto quanto se possa.
O mundo está cheio de mendigos. Está cheio de nus, de desvalidos. Mas a fome mais lancinante, mais dura, mais urgente, a escassez mais áspera, é a fome da verdade, a nudez do espírito. Se é meritório doar o pão material, oferecer o pão da verdade é obra muito maior. O alimento físico diminui em quantidade quando dividido. A verdade compartilhada aumenta, como o clarão produzido pelas chamas de um fogo repartido. 
Livros bons, não importa sobre o quê, saciam a fome da alma. O mesmo fazem a boa música, a boa arte em geral. Bons escritores e artistas matam a nossa fome. Livros maus e arte perversa envenenam a alma. Maus escritores, maus filósofos, maus jornalistas são verdadeiros homicidas, pois quem não nos mata a fome nos mata. A mentira é tóxica. A verdade, um antídoto.
Boa música eleva a alma. Composições daninhas são sofisticados instrumentos de tortura.
Não por acaso a Palavra disse: “Nem só de pão vive o homem, mas de toda palavra que sai da boca de Deus”. O pão material é insuficiente à vida. Jesus Cristo, Ele mesmo em substância, é a Palavra que sai da boca de Deus. Ele é o Verbo, o logos. Deus criou o mundo pela Palavra. Até o pão físico foi criado por Ela. E é também pela Palavra que o pão material transubstancia-se em pão espiritual. Nenhuma palavra autêntica possui existência autônoma ou vida própria, a não ser aquela única Palavra Eterna que tirou tudo do nada. Toda asserção verdadeira – não importa de que ordem ou natureza – existe por participação naquela única Palavra que também se chama Verdade.
A Palavra veio ao mundo para matar a fome do homem. Diante de Deus somos todos mendigos. Por isso, Ela, a Palavra, desceu do céu, fez-se pão, comida; vinho, bebida. Notemos, porém, que a Eucaristia – salvo em casos excepcionais – é insuficiente para matar a fome e a sede fisiológicas. Foi para matar a fome e sede da verdade que a Palavra se encarnou.
Com efeito, há muitas almas raquíticas, desnutridas, curvadas, por falta de alimentação. Muitos estão nus, despidos de qualquer compreensão do mundo à sua volta. Há muitos órfãos, carentes de verdadeiros mestres, da autoridade dos bons exemplos. Há muitas viúvas que não têm a quem ensinar ou com quem dialogar. Algumas delas, inclusive, repetem as mesmas histórias, perderam o uso da razão. Lembram-se de coisas antigas, mas esquecem ou ignoram as novas. Há muitos doentes, feridos por inverdades, falsas compreensões de si mesmos, dos outros, de seus deveres e alheios. Há muitos espíritos encarcerados, aprisionados, oprimidos, escravos de pseudofilosofias, de esquemas mentais viciosos e hábitos intelectuais obsessivos.
Passam pelas ruas milhares de espíritos na mais completa desolação. A cena é escatológica. A indigência das gentes, descomunal. São bichos. São desumanos. Inconscientes. Cadáveres movem-se sobre as próprias pernas. Se pudéssemos enxergar o que vai – e o que não vai – no interior dos homens, talvez nos espantássemos com bilhões de esqueletos andantes, de dar pena até às mais miseráveis crianças da África.
Nós temos um dever, leitor. O dever de dar esmola. O dever da verdade como esmola. Há indivíduos e sociedades inteiras com fome, tão carentes, tão aflitos, tão necessitados da verdade, que não lhes podemos negar esse socorro extremo, esse crucial alívio. Não se deve recusar auxílio a um verdadeiro mendigo, a um real necessitado, a um desvalido. Não se pode deixar só um suicida.
Que dizer dos pedintes bêbados, que vivem em universos paralelos, alheios ao mundo real? A esses é preciso submeter a uma desintoxicação completa, pois a mentira embriaga, entorpece, mata.
Tudo o que merece o nome de palavra só pode ser verdadeiro, pois a mentira é a antipalavra, é a não-palavra, a despalavra. Não se pergunta, com razão: “Você dá a sua palavra?” ou simplesmente, de forma resumida, “Palavra?!”
Santo Agostinho diz que frequentemente encontramos pessoas que querem enganar as outras. Mas dificilmente se encontra alguém que queira ser enganado.
Às vezes, temos um estranho poder. A vida e a morte de uma pessoa são colocadas em nossas mãos. Uma mentira pode afundar ou matar; a verdade pode levantar e salvar.
A um condenado à morte não se pode recusar um último pedido: a verdade sobre si mesmo.
Todos os desejos do homem podem ser resumidos num só: a sede da verdade. O mais dramático anseio humano, o mais premente, mais urgente, mais sofrido, é o desejo da verdade. A busca pela verdade é uma chaga, uma ferida, um gemido.
Todos os amores humanos podem ser resumidos num só: o amor pela verdade. Por ela, vive-se; por ela, mata-se; por ela, morre-se. Traem-se outros amores; esse não. Quem trai o amor à verdade bem sabe: deixou de ser homem.
Algumas poucas moedas, algumas poucas palavras, podem conceder alívio, atenuar o incômodo, diminuir a dor, iludir o estômago. Aquele cobertor, aquela ideia mais robusta ou verdade mais complexa, poderá ajudar o indigente a superar o frio da noite, a defender-se da nudez. Quem sabe aquele pouco alimento, aquelas roupas usadas, somados a outras ofertas, não restituirão aos poucos a força, o ânimo, àquele pobre diabo, àquele anjo caído, àquele bicho, fazendo-o levantar-se, sacudir-se e, ereto, retilíneo, voltar a caminhar? Talvez aqueles poucos trocados, um naco de bom senso, recusados ao indigente até ali, possam evitar-lhe a morte, quer presente, quer futura.
Visitar com ideias frescas a mente de um encarcerado ou doente do espírito. Ensinar uma multidão de órfãos. Dialogar com as viúvas. Eis um vasto campo de missão, um horizonte imenso a ser explorado.
Nesse sentido é que me parece um belíssimo apostolado, uma profunda obra de misericórdia, a de tantas pessoas que se gastam e se desgastam, noite e dia, em sites, blogs, jornais, livros, programas televisivos, para levar a verdade aonde quer que dela se precise, ensinando e admoestando, oportuna e inoportunamente, matando a fome da gente, salvando suicidas. É uma verdadeira esmola. Somos tão pobres, meu amigo. Mendigos de verdade.
 
Paul Medeiros Krause
Procurador do Banco Central em Belo Horizonte

O Brasil é 'gay'?

quarta-feira, 10 de abril de 2013


 

 
 
Quando da renúncia do Papa Bento XVI, alguns jornalistas espertinhos, com ar de superioridade, aproveitaram a ocasião para menoscabar dogmas católicos, sobretudo o da infalibilidade papal. A incompetência da maior parte deles revelou-se de uma forma tão gritante que eu chamaria até de apocalíptica. Muitos nem se deram ao cuidado de abrir o Código de Direito Canônico ou algum documento oficial da Igreja. Luís Fernando Veríssimo, por exemplo, em tom de galhofa, chegou a perguntar-se se o Papa Bento XVI continuaria infalível após ter renunciado. Na ocasião, cheguei a escrever ao “Fórum dos Leitores” do Estadão, advertindo o articulista de que a infalibilidade papal só existe quando o pontífice se pronuncia ex cathedra. 

Causa espécie, então, que o que a imprensa recusa a Roma atribua a si própria, numa escala muito maior. Ela, a imprensa, sem ser especialista no assunto, ao contrário do Papa nas matérias que lhe dizem respeito, pronunciou-se ex cathedra, definindo um novo dogma de fé: “o homossexualismo é bom, é moral, é natural, e quem se opõe a ele viola os direitos humanos”.

Muitos jornalistas ostentam indisfarçável prazer ao dar uma estocada na Igreja no tema Inquisição. Mas não estamos vivendo uma nova inquisição, muitos séculos após o fim da Idade Média, nós que somos tão avançados? Quem não percebe que diversos veículos de comunicação resolveram promover o linchamento moral de Marco Feliciano? Tais veículos ficam esmiuçando a vida do sujeito, a fim de encontrar algum piolho, alguma lêndea, um arroto que o comprometa. Até vigiar o que o pastor anda pregando em cerimônias religiosas estão fazendo. Resolveram fazer o controle de conteúdo do sermão. Entram no templo, espionam e filmam o pregador. É mole?!

Ora, no sermão, o pastor pode apresentar a sua visão espiritual da realidade e não cabe à imprensa dar pitaco. Preocupados com o controle de qualidade das prédicas, os jornais esqueceram-se do controle de qualidade do jornalismo. Deveriam eles olhar para o próprio umbigo. Aos olhos da grande maioria dos jornalistas, excetuados alguns poucos sensatos, Marco Feliciano é um herege, um boca maldita. Merece a fogueira da perda do mandato. Parte-se já de uma pressuposta violação inconcebível de verdade de fé, que, diga-se de passagem, é verdade de fé para eles, jornalistas e artistas “mente aberta”, não para nós. E o pior: o julgamento é sumário, cruel, covarde, por tribunal de exceção (não é realizado pela autoridade competente) e sem direito de defesa.

Jornalistas e artistas arvoraram-se em censores da opinião pública e do próprio Legislativo.

A questão é de fé, meu amigo. Na verdade, ninguém está preocupado com as lêndeas de Marco Feliciano. Afinal, por que os meios de comunicação não pegam no pé de José Genoíno e João Paulo Cunha, condenados no processo do mensalão e membros da Comissão de Constituição e Justiça? São eles impolutos? Não, mas eles não chegaram a violar a fé. A questão é essa, leitor. O problema é que Marco Feliciano, de forma mais ou menos habilidosa, atreveu-se a contestar o dogma. Desestabilizou verdades confortáveis. Ele é um anátema. Uma ameaça ao catecismo dos tabloides. Um herege. Cometeu crime de lesa-majestade ou lesa-verdade das minorias. O problema é de ortodoxia.

Estou preocupado com o assunto porque alguns setores da sociedade estão querendo ganhar no grito, com total vilipêndio das instituições democráticas. Por que motivo um pastor evangélico não pode presidir a Comissão de Direitos Humanos e de Minorias da Câmara? É pecado? É pecado ser contrário ao homossexualismo? E qual é a pena: excomunhão? Ou, ao contrário, não estará o pastor sendo vítima de preconceito, por motivo de crença religiosa? A meu ver, o deputado é que está sendo vítima de crime.

O que grande parte da imprensa e alguns setores da sociedade estão dizendo é que só representantes dos movimentos LGBT podem presidir a citada comissão. Mas, com que fundamento? Com que argumento legal? O que confere aos movimentos gays esse privilégio de detentores do monopólio da verdade, de prefeitos da congregação da doutrina da fé, de paladinos dos direitos humanos (eu sempre havia pensado que direitos humanos são para todos os homens, não para determinados grupos de seres humanos)? Ah!... É que os meios de comunicação e os defensores das minorias pronunciaram-se ex cathedra. É mesmo?! Mas não dizem que o Brasil é um estado laico? Por que eu devo recusar um dogma papal e aceitar um dogma jornalístico? Por que eu devo ceder ao catecismo dos artistas beijoqueiros?

Ninguém é obrigado a acreditar em dogmas propalados por quem quer que seja. Os únicos dogmas a que estamos vinculados são jurídicos, constitucionais: o do respeito às instituições democráticas e o do estado de direito. As comissões da Câmara não são um brinquedinho que crianças birrentas conquistam no grito.

Quando se lê jornal ou se vê televisão, a impressão que se tem é que todo o Brasil é gay. Parece que o homossexualismo é o supervalor fundante da nação. Alguns artistas estão emburrados. Que dó! Mas, deixe-me dizer-lhes, leitor: o Brasil não é gay, meus senhores! O Brasil é cristão, queiram ou não, e os cristãos merecem respeito. Eu me sinto representado por Marco Feliciano na Comissão de Direitos Humanos. A maior parte da população sente-se representada por ele, não por Daniela Mercury. Os artistas e a imprensa não têm de nos ensinar o que fazer. Eles têm de baixar a bola. Ficar na miúda, como se diz. Não somos incapazes, interditados, menores impúberes. A imprensa não manda no Brasil. Não controla o Legislativo; quem o controla é o povo! Não precisamos da tutela dos artistas. Temos nossa própria opinião. Evangélico também tem direitos políticos.

Para terminar, quero dizer uma coisa, quase como se fosse um sussurro ao pé do ouvido. Posso estar mal informado ou sendo muito exigente, mas gostaria de ter ouvido alguma palavra da CNBB sobre esse assunto. Além disso, será que alguns de nós não estamos sendo omissos, vendo cristãos serem alijados da vida pública? Seremos coniventes com essa caça às bruxas, com uma congregação para a doutrina da fé LGBT na Câmara? Espero que o cristianismo não seja expulso do Congresso. Senhores artistas, não por acaso, Cristo foi traído com um beijo.

 

Paul Medeiros Krause

Procurador do Banco Central em Belo Horizonte

INÉPCIA: CELIBATO E PEDOFILIA

segunda-feira, 1 de abril de 2013




 
 
O art. 295, parágrafo único, inciso II, do Código de Processo Civil diz: “Considera-se inepta a petição inicial quando da narração dos fatos não decorrer logicamente a conclusão”.

 

Embora o texto acima transcrito seja oriundo de uma norma legal, do específico mundo do direito, a ideia nele contida é perfeitamente aplicável à ideológica correlação que se faz entre o celibato dos padres e os crimes de pedofilia praticados por alguns deles.

 

Há alguns dias, Carlos Alberto Di Franco publicou no “Estado de São Paulo” um excepcional artigo intitulado “Igreja, uma megacobertura”. Do seu texto, extraem-se essas valiosas informações:

 

“O conhecido sociólogo italiano Massimo Introvigne mostrou que, num período de várias décadas, apenas 100 sacerdotes foram denunciados e condenados na Itália, enquanto 6 mil professores de educação física sofriam condenação pelo mesmo delito.

 

Na Alemanha, desde 1995, existiram 210 mil denúncias de abusos. Dessas 210 mil, 300 estavam ligadas ao clero, menos de 0,2%. Por que só nos ocupamos das 300 denúncias contra a Igreja? E as outras 209 mil denúncias? Trata-se, como já afirmei, de um escândalo seletivo.”

 

Linhas acima, Di Franco havia afirmado:

 

“O exame sereno, tecnicamente responsável, mostraria, acima de qualquer possibilidade de dúvida, que o número de delitos ocorridos é muitíssimo menor entre padres católicos do que em qualquer outra comunidade.”

 

Em um sentido diametralmente oposto ao de Di Franco, mas também no “Estadão”, li ontem, 26/3/2013, o curioso artigo de Arnaldo Jabor: “Teologia da libertação sexual”. Embora eu me condoa e lamente profundamente o episódio por ele narrado e no qual figura como vítima – a Igreja realmente tem de ter tolerância zero com a pedofilia, cortando na própria carne –, o artigo de Jabor abusa dos lugares comuns, revela leitura ligeira e compreensão superficial da teologia católica e evidencia a inépcia com que a imprensa tantas vezes tem tratado do assunto. Da narração dos fatos não decorre logicamente a conclusão. Jabor acusa a Igreja de medievalismos, só que não se deu ao cuidado de ler Santo Agostinho. Santo Agostinho é mais moderno do que a ideia que Jabor tem da Igreja. Os estudos teológicos de Arnaldo Jabor não chegaram ao século IV!

 

Por que o Arnaldo não propõe acabar com o celibato dos professores de educação física? Seria mais lógico. Ou, se os professores de educação física da Itália não são celibatários, por que razão vincular o celibato com a pedofilia? E na Alemanha: qual é o grupo que responde pela maior parte dos casos de denúncias de pedofilia? Confesso que não sei, mas talvez a imprensa devesse saber.

 

Façamos um exercício de raciocínio. Dentre os padres católicos, a maior parte vive o celibato, que por sinal atravessou séculos isento dessa avalanche denuncista. Uma mínima parcela cometeu crimes de pedofilia. Esta parcela vivia o celibato? Era homossexual ou heterossexual? Pelo que se tem notícia, a maior parte dos casos de pedofilia no interior da Igreja deu-se entre pessoas do mesmo sexo. Então, por que não relacionar a pedofilia com o homossexualismo, em vez de relacioná-lo com o celibato, vivido pela maioria? Os padres pedófilos eram celibatários ou homossexuais?

 

Do nada, nada surge. Da abstinência sexual não pode surgir uma prática sexual. A prática sexual depravada só pode surgir entre os que têm vida sexual ativa, seja ela evidente ou oculta. É preciso distinguir o celibato real, verdadeiro, exercitado, do celibato aparente, simulado, fictício, irreal. Deve-se separar o celibato autêntico do falso. E a seleção dos candidatos ao sacerdócio deve ser capaz de distinguir os celibatários autênticos dos dissimulados.

 

Ora, a ideologia de emancipação dos homossexuais repele a conexão existente entre homossexualismo e pedofilia, não porque esse elo contrarie os fatos, mas porque desmente a teoria. Para as ideologias, o confronto com os fatos é uma espécie de exorcismo. Por que se fuzilam opositores a regimes ideológicos? Porque eles falam, e as palavras verdadeiras têm uma força assustadora.

 

As ideologias repelem os fatos como o diabo repudia a cruz. E o que o diabo faz no possesso quando vê o crucifixo? Grita e se contorce. Não é o que os defensores dos direitos dos homossexuais fazem quando se lhes opõem os fatos? O psicólogo holandês Gerard J. M. van den Aardweg, Ph.D. pela Universidade de Amsterdã, e o perito espanhol José María Amenós Vidal já demonstraram estatisticamente que o número de casos de pedofilia entre homossexuais é significativamente maior do que entre heterossexuais, o que constitui mais um ponto desfavorável à adoção de crianças por aqueles. Mas, a ideologia não nutre amor pelos fatos. Coincidentemente, o diabo, nossa alegoria, é chamado “pai da mentira”.

 

Na verdade, os defensores da causa gay, como de resto os últimos comunistas em extinção, veem a Igreja Católica como seu pior inimigo. Poderoso em força e em densidade intelectual. Por isso, procuram desacreditá-la.

 

Por que razão alguns querem editar a lei da mordaça gay, o PLC 122/2006, antigo PL 5003-b/2001? Para evitar o exorcismo dos fatos, isto é, a expulsão do diabrete da ideologia.

 

Por que razão querem retirar Marco Feliciano da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara? Por que tanta suscetibilidade com o que ele diz? É como eu lhe disse, leitor, a ideologia possui e subjuga as pessoas como o demônio possui os indivíduos. Embaraça-lhes o uso da razão. Põem-lhes escamas nos olhos. A oração que expele o mau espírito da ideologia é o ritual ou liturgia do confronto com os fatos. O sacramental utilizado é a água benta da clareza das ideias. Daí os gritos. Daí o contorcionismo. Os fatos doem. As preces têm eficácia.

 

O celibato mete medo, causa pavor. A castidade e a pureza dos padres e das freiras humilham-nos, desconcertam-nos. Não nos sentimos capazes de imitá-los. Desconfio que também os que vivem a homossexualidade sintam-se confundidos pelas pessoas continentes. Estas acusam a nossa sociedade encharcada de sexo. A mesma TV que promove a sacanagem, hipocritamente, condena a pedofilia. O celibato é um incômodo feixe de luz atirado aos olhos de quem está no breu, cambaleando, trôpego, embriagado pelo prazer dos sentidos. (Gostaria de perguntar a Arnaldo Jabor se prazer e alegria são a mesma coisa). A luz em si é boa, mas incomoda a quem está nas trevas. A continência sexual em si é boa, mas agride quem quer comer o alimento dos porcos. Quem deplora o celibato é porque se sente incapaz de vivê-lo. Julga impossível aos outros o que é impossível para si. O inepto julga os demais ineptos.

 

Se alguém gritar contra este artigo, não me assustarei. É o exorcismo fazendo efeito. A propósito, deveríamos ir às ruas para defender o Feliciano. Não basta defendê-lo de longe. É o estado de direito que está em jogo. A França, outra vez, saiu na frente.
 
 
Paul Medeiros Krause
Procurador do Banco Central em Belo Horizonte

 

PERGUNTAS DE PSIQUIATRAS A D0M AMORTH

quarta-feira, 21 de novembro de 2012




Queridos irmãos, queridas irmãs, a paz! Gostaria de partilhar com vocês hoje esta primeira pergunta de um grupo de psiquiatras ao sacerdote exorcista da diocese de Roma, Dom Gabriele Amorth.

Pergunta  Eu gostaria de perguntar se, na sua opinião, há traços pré-mórbidos, isto é, se, entre as pessoas diagnosticadas como endemoniadas, já havia comportamentos comuns que as tornassem mais vulneráveis a isso. Ou se a possessão acontece de forma aleatória. Gostaria também de saber se esses fenômenos de possessão ocorrem em indivíduos abertamente agnósticos ou ateus. Uma curiosidade final: eu li sobre distúrbios particulares relacionados a esses fenômenos, como a glossolalia (capacidade de falar línguas desconhecidas) ou levitação. Isso já aconteceu com o senhor?

Resposta - São várias perguntas interessantes. Começo pela última curiosidade: sim, eu tive os fenômenos de pessoas que, durante os exorcismos, falavam outras línguas ou línguas estranhas; presenciei fenômenos de levitação e de força hercúlea. Mas esses fenômenos não são suficientes para poder dizer que se trate de possessão diabólica. São necessárias modalidades especiais e a união com outros elementos. Um exorcista vê tantos fenômenos estranhos que ninguém acreditaria, se não tivesse visto. Como, por exemplo, pessoas que, durante os exorcismos, cospem pregos, vidros, mechas de cabelo, as coisas mais variadas. Ou a presença, em almofadas ou colchões, de ferros retorcidos, cordas atadas, de entrançados em forma de coroa, de animais pré-históricos de um material semelhante ao plástico... O caso mais grave que estou acompanhando é o de uma pessoa para quem o diabo disse que vai fazê-la vomitar um rádio; em muitas ocasiões, já vomitou quase dois quilos de material. Chamo a atenção para o fato de que os objetos vomitados se materializam no momento em que saem da boca. Eu vi isso claramente em um jovem que cuspiu pregos na minha mão; até o último momento eu tinha a impressão de que cuspisse saliva. Isso explica por que a pessoa nunca tem danos físicos, mesmo quando cospe pedaços de vidro grandes e afiados. São fenômenos paranormais? Deve-se levar em conta a modalidade, certos objetos são seguramente fruto de malefício.

Respondo agora à primeira pergunta: todos podem ser afetados pela possessão demoníaca, ainda mais os agnósticos, os ateus, os não praticantes, porque são mais indefesos. O exorcista pode exorcizar qualquer um. Recorreram a mim maometanos, budistas, pessoas sem qualquer crença religiosa. É claro que, ao solicitar a cooperação necessária, eu ajo de acordo com a pessoa que está na minha frente: recomendo a cada um que siga fielmente a sua crença religiosa ou as suas convicções morais.

Não há sinais de alerta ou predisposições que dependam, por exemplo, da fraqueza do sistema nervoso ou da hereditariedade. Ao contrário, existe o perigo de que uma pessoa se exponha à possessão, por exemplo, ao assistir a sessões espíritas ou cultos satânicos. É importante saber que a possessão demoníaca não é um mal contagioso: não há nenhum perigo, nem para a família, nem para os lugares que frequenta. A pessoa pode  casar-se, ter filhos, sem nenhum perigo de contágio. Pode-se dizer, em princípio, que o diabo não pode fazer nada sem o nosso consentimento. Por exemplo, veio a mim uma menina que, por pura curiosidade, assistiu a uma missa negra. Ela não conseguia mais estudar nem concentrar-se, e tinha crises súbitas de violência, como nunca lhe acontecera antes. Aqui a causa era clara, e era uma causa culpável. Em relação à culpa, excetua-se o campo do malefício, que agora não adentro porque eles são muito vastos e fora do nosso tema principal. Diga-me se eu respondi tudo e de modo suficiente.


Entrevistador — Sim, estou satisfeito. (Esta foi sempre foi a amável declaração depois das minhas respostas, por isso não vou repeti-la novamente. Digo apenas, com a minha usual franqueza, que eu encontrei mais interesse e mais crédito falando com esses grupos de psiquiatras, dos quais muitos não eram crentes ou praticantes, do que encontrei falando a grupos de sacerdotes).


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