"HERMENÊUTICA DA REFORMA NA CONTINUIDADE" EM SÃO JOÃO DA CRUZ (III)

sexta-feira, 1 de agosto de 2014

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"HERMENÊUTICA DA REFORMA NA CONTINUIDADE" NA DOUTRINA DE SÃO JOÃO DA CRUZ

      As contradições que encontramos na palavra de Deus presente na Sagrada Escritura, no Magistério Vivo da Igreja, etc., são materiais e não formais. Se alguém encontrar alguma contradição nos Documentos da Igreja, tais contradições podem ser do intérprete, e não da Igreja, podem estar na letra mas não no espírito da Igreja.
      Continuação:

     "7. Não havemos de reparar, portanto, em nosso sentido e linguagem quanto às revelações divinas, sabendo que o sentido e linguagem de Deus são muito diferentes do que pensamos, e difíceis para o nosso modo de entender. De tal maneira assim é que Jeremias, sendo profeta de Deus, parecia não compreender a significação das palavras do Onipotente, tão diversas do comum sentir dos homens, e pondo-se ao lado do povo, exclama: "Ai, ai, ai, Senhor Deus. É possível teres enganado a este povo e a Jerusalém, dizendo-lhes: Vos tereis a paz, e eis agora lhe chega a espada até a alma?"(Jr. 4,10). Ora, a paz prometida pelo Senhor ao seu povo era a aliança entre ele e o gênero humano por intermédio do prometido Messias; e os israelitas a entendiam no sentido de uma paz temporal. Por isto, quando tinham guerras e trabalhos, logo lhes parecia Deus enganá-los, pois sucedia o contrário do que esperavam. E então diziam por Jeremias: "Esperamos a paz, e este bem não chegou" (Ibid. 8,15). Era impossível deixar de caírem no erro, porque se guiavam unicamente pelo sentido literal. Quem, com efeito, não ficaria confundido, entendendo ao pé da letra esta profecia de Davi sobre Cristo em todo o Salmo 71, e, particularmente, por estas palavras: "E dominará de mar a mar, e desde ao rio até aos confins da redondeza da terra"(Sl 71,8). E mais adiante: "Porque livrará o pobre que o invoca e o mísero que não tem ajuda?"(Ib. 12). E, a par destas palavras, vendo Nosso Senhor nascer na obscuridade, viver em pobreza e não somente não reinar como dominador na terra, mas se submeter aos caprichos da populaça mais vil, até ser condenado à morte sob o governo de Pôncio Pilatos? E, ao invés de livrar seus discípulos da opressão dos poderosos da terra, permitir que fossem mortos e perseguidos por seu nome?

      "8. É que essas profecias deviam ser compreendidas espiritualmente de Cristo, e deste modo eram absolutamente verdadeiras. De fato, Cristo não é apenas rei da terra, mas do céu, porque é Deus; e aos pobres que o haviam seguido, não somente havia de remir e livrar do poder do demônio (o mais forte inimigo, contra o qual não tinham até então defesa), mas faria, desses pobres, herdeiros do reino celeste. E assim falava Deus segundo o significado principal, isto é, de Cristo e seus sequazes, de reino eterno e liberdade eterna. Mas os judeus não entendiam assim as profecias; visavam nelas o menos principal, do qual Deus faz pouco caso: pensavam em reino temporal e liberdade temporal, que aos olhos de Deus nada valem. Cegos pela baixeza da letra e não compreendendo o espírito e verdade nela encerrados, tiraram a vida a seu Deus e Senhor segundo disse S. Paulo: "Os que habitavam em Jerusalém, e os príncipes dela, não conhecendo a este, nem as vozes dos profetas, que cada sábado se leem, sentenciando-o, as cumpriram"(At. 13,27)." (Subida do Monte Carmelo - Livro II - Cap. XIX pgs 261-263).

Continua.

   
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