Esclarecimentos sobre as Aparições Marianas - Parte II

sábado, 21 de dezembro de 2013

 
Esclarecimentos sobre as Aparições Marianas - Parte I no link: http://www.nossasenhorademedjugorje.com/2013/12/esclarecimentos-sobre-as-aparicoes.html

Parte II:

De Maria se diz que:

1. É a mãe de um profeta chamado Jesus, o Filho de Deus;
2. É a autora de um poema (o Magnificat);
3. Intervém duas ou três vezes na vida do filho (templo, Caná, Cafarnaum);
4. Está presente na morte de Cristo, que a entrega ao discípulo amado: pela mentalidade do tempo esta entrega é importante, porque significa que Maria, como mulher sozinha, não tem que voltar para a casa de seus pais, para ser protegida e guiada, mas lhe é dada uma nova família, a comunidade dos discípulos de seu Filho.

Mais uma vez, ela deve assumir um papel diferente a respeito da perspectiva imediata que se abre na frente: é destinada a ser uma mãe normal e em vez disso deve assumir a maternidade do Filho de Deus; deveria voltar para a casa paterna, porque o esposo e o Filho estão mortos e em vez disso deve assumir uma nova família, a família dos crentes. Percebemos imediatamente que a anunciação e o ficar sob a cruz são correlatos, são semelhantes;
5. Está entre os discípulos de Jesus no dia de Pentecostes, ou seja, no batismo da Igreja. O que querem mais? É muito para uma mulher normal, hoje chamaríamos da classe média, do seu tempo. Ou seja, as indicações do Evangelho nos falam, de fato, de um seu pertencer com toda a história de Jesus! E ainda assim, sua presença na vida do Filho não é descrita em detalhes. Neste sentido, e só nisso, está correto o pensamento da exegese moderna!
Portanto, se não foi estranha na vida terrena de Jesus, agora que está glorificada e compartilha a vida eterna com Jesus, não é concebível que ela não esteja presente no meio dos discípulos de Jesus que ainda peregrinam na terra. Como? Mesmo com as aparições, embora elas não sejam os únicos meios. Então, nada de novo sob o sol! Pelo menos por este fenômeno das aparições. Nada de novo, mesmo para a maneira pela qual as aparições são recebidas pelas pessoas, que vão desde a credulidade ao ceticismo teimoso, passando por toda uma série de outras posições e gradações intermediárias.

Então, por que toda essa discussão em torno das aparições, sobretudo as de Medjugorje, que são as mais seguidas pelo povo cristão, se as aparições não são um fenômeno novo? Talvez porque tenha mudado o contexto, ou seja, a nossa época está na fase da readmissão da religião, e dos seus fenômenos, na praça pública, ao passo que na última parte do século passado havia sido excluída, praticamente eliminada. Isto, porém, não significa que todos estejam voltando para a religião e a fé, pelo contrario! Uma vez que se está difundindo um estilo de vida a-religiosa, que de fato prescinde, ou quer prescindir da religião, mas aceita aquilo que antes era rejeitado mas que agora pode ser readmitido.

Claro, também que o alienamento religioso é uma contradição, porque ele pode ser definido apenas em relação ao que existe: não posso escolher ou agir em oposição ao que não existe! Se me oponho significa que existe! Portanto, apesar dos ateus, dos a-religiosos, dos indiferentes e quaisquer outros, Deus existe! Da mesma forma que existe a ligação entre Deus e os seres humanos, o que chamamos de religião! São indiferentes, mas a quem? Assim, abstratamente. Não podem ser! Eu sou indiferente a algo ou a alguém que existe e, portanto, de alguma forma o reconheço. Tudo isto para dizer que, se existe o sobrenatural, então é preciso que existam também as suas manifestações, das quais as aparições são um elemento, e nem mesmo o principal, enquanto o Deus cristão prefere a Palavra e os gestos comunitários, como a Eucaristia. Não devemos esquecer que o Deus que se revela falando é fundamental na Bíblia e que Jesus é a Palavra de Deus. Com isso respondi à pergunta se existem ou não as aparições: sim, existem e sempre existiram!

São sempre manifestações do Divino? Estabelecer isso é tarefa da Igreja, enquanto exerce a sua função de discernimento entre o que é útil para a fé e o que é inútil ou até danoso. E depois, quando se fala de aparições, nos referimos apenas às de Maria? E aquelas aparições de Jesus citadas na Bíblia? Ou, de modo mais geral, as aparições dos anjos e dos santos? Por aparições bíblicas, entendo as aparições de Cristo ressuscitado aos discípulos, desde o domingo de Páscoa até o dia de sua Ascensão ao céu, as únicas acreditadas pela Igreja como autênticas aparições divinas, especialmente na Idade Média. É conhecimento comum que na Idade Média eram freqüentes as aparições de Jesus e dos santos.

Como você pode perceber, o campo é muito vasto, portanto é preciso sempre especificar o que estamos querendo dizer. Da mesma forma, sobre a frequência das aparições em geral, não é fácil dizer uma palavra definitiva. Sabemos com certeza que as aparições marianas mais longas da história da Igreja não são as de Medjugorje e sim as de Laus, nos Alpes franceses, que duraram 54 anos. Aparições reconhecidas oficialmente pela Igreja Católica somente há poucos anos atrás! A Igreja tem os seus tempos. Quantas são as aparições marianas? Tentou descrevê-las o padre francês e famoso mariólogo René Laurentin, no seu Dictionnaire des "aparições" de la Vierge Marie, Fayard, Paris, num total de 1362 páginas. Depois de tê-lo folheado percebi que faltava pelo menos uma aparição, já que eu tinha ido neste Santuário mariano da Itália. Trata-se das aparições de Maria em Castel Godego, em 1420. Aparição esta bastante importante, porque a árvore à esquerda da Virgem é de uma madeira que não existe mais, há muito tempo! Quem sabe então quantas outras aparições escaparam da mesma maneira! De fato, existe um claro desacordo entre vários e competentes autores sobre os números das aparições e acho claramente que não pode ser que assim.

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