Os neofascistas estão chegando: a distorção do termo 'Liberdade de Expressão'

domingo, 23 de setembro de 2012



Taiguara Fernandes de Sousa

Eles se aproximam. Pode-se sentir o tremor dos pés marchando. Gritos de guerra e palavras de ordem. Os inimigos? Todos que passarem por sua frente, todos os que se levantarem e disserem “não”. São os neofascistas que vêm. Eles são poucos, mas gritam alto. Suas bandeiras não são as da população, mas sim as da “gente brilhante” que domina os postos altos das universidades, do governo e de certos órgãos midiáticos. E ai de quem se opuser!


Parece ser um movimento crescente no Brasil e no mundo, o da intolerância às opiniões contrárias. Mas não é qualquer intolerância: é aquela que usa, como pretexto específico para não tolerar, o fato de ser “a favor da liberdade” e contra o “preconceito”. Os neofascistas põem uma mordaça na boca dos opositores e lhes ameaçam de modos vários, tudo em nome da liberdade de expressão, contra a discriminação e o preconceito.


Os conceitos de “liberdade”, “discriminação” e “preconceito” foram completamente distorcidos por eles. Os neofascistas são tolerantes – com eles próprios; não discriminam ninguém – só os opositores; não têm preconceito – exceto contra os contrários, que são sempre “fundamentalistas religiosos” ou “conservadores reacionários”; eles defendem a liberdade de todo mundo – menos a de quem não concorde com eles.


Em agosto, um senhor de 70 anos foi convidado a palestrar na Unesp, em Franca (SP); chegando lá, foi expulso com gritos de “nazista” e “assassino” por uma horda de estudantes, que ainda ameaçaram agredi-lo e só não o fizeram porque foram apartados. O senhor hostilizado era o príncipe dom Bertrand de Orleans e Bragança, trineto de dom Pedro II. Não importava que tivesse 70 anos: para aqueles estudantes, ele era um opositor, um inimigo, não era do clube. Um príncipe? Que tinham a ver com aquele representante das “elites”? O príncipe merecia ser expulso e, se necessário fosse, agredido.


Em 2008, um outro senhor de idade, em um outro país, foi vítima das mesmas injúrias e agressões verbais. O Papa Bento XVI tinha sido convidado a discursar na Universidade La Sapienza, de Roma, fundada pelo Papa Bonifácio VIII em 1303. Um grupo de professores e alunos mostrou as garras contra a visita a ponto de o evento ser cancelado. Os revoltosos alegavam que o Papa “não era a favor da liberdade” – mas que defesa vigorosa da liberdade é esta que impede o Papa de discursar livremente em La Sapienza? “Você é livre, desde que do meu lado”, parece ser a resposta. (grifo nosso)


Nos EUA, defensores da vida humana em todos os seus estágios, desde a concepção até a morte natural, são classificados pela administração Obama como “grupo terrorista”: relatório do Departamento de Segurança Nacional coloca na lista de possíveis “terroristas” grupos que defendam a vida, os pro-life, na categoria de “terrorismo por motivação ideológica” – isso apesar de nunca um pro-life ter se envolvido em qualquer atentado terrorista, embora sedes de movimentos pró-vida já tenham sido atacadas a tiros por opositores.


É preocupante uma defesa da liberdade cuja única maneira de existir seja o cerceamento das opiniões contrárias, o amordaçamento e até mesmo a agressão. O neofascismo caminha a passos largos. Ele persegue todos que não compactuem consigo. E nós ficamos cada dia mais temerosos de uma prisão e nos calamos. Quanta liberdade...Taiguara Fernandes de Sousa é editor da Revista Vila Nova.  http://revistavilanova.com/
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