Vocação e Paz

domingo, 1 de abril de 2012

A vocação do católico é vocação à paz. Porém, não à paz deste mundo, que resulta exclusivamente da força da natureza, mas à paz de Cristo, aquela que lemos em Jo 14, 17: “Deixo-vos a paz, dou-vos a minha paz. Não vo-la dou como o mundo a dá. Não se perturbe o vosso coração, nem se atemorize!” A paz de que aqui se trata é um dos 12 frutos do Espírito Santos.

A paz que o mundo pode dar é uma paz transitória, pois somente a força da natureza não consegue conjugar de maneira perfeita e duradoura as conclusões da razão e a ação prática. No mundo, a intenção diverge da ação. O casamento das duas coisas é possível, sim, mas somente em Cristo. Em Cristo, a doutrina e a ação se confirmam mutuamente, o que é exemplificado fartamente pela Igreja através dos santos – dos santos doutores. Pois estes dão exemplo de vida virtuosa e pensamento correto, isto é, desprovidos de contradição interna e que as gerações seguintes só fazem confirmar.

Por exemplo, a convicção central budista, de que “tudo é Maya, ilusão”, é negada nas ações cotidianas: se tudo é ilusão, por que as pessoas se alimentam todo dia, e o fazem sempre que sentem fome? Não é porque se não o fizerem, morrem? Ora, uma ilusão não mata. Se a fome mata, então é porque ela não é uma ilusão. Mais ainda: se um budista vê outra pessoa em dificuldade e a ajuda, no momento mesmo em que o faz, nega em ato a convicção afirmada pela doutrina: nega que a dificuldade do outro seja ilusão pois, se o fosse, não careceria de nenhum intervenção. Neste momento ele age como a Igreja manda que o homem faça.

Há também doutrinas cuja prática desencadeia efeito contrário ao desejado (ou afirmado) pela doutrina. A doutrina que afirma que a autoria dos livros escritos não é de quem os escreveu fisicamente falando, mas sim de algum outro homem anteriormente falecido, é negada pelo fato mesmo de tais escritores receberem os direitos autorais correspondentes. Ora, se uma doutrina assim tivesse fé pública, então se poderia dizer que a prática do crime de estelionato é permitida em certas circunstâncias. Além disso, quem siga esta doutrina terá de aceitar que, legalmente falando, seu status social corresponde àquele do índio, do incapaz ou da criança, cuja minoridade da razão os coloca abaixo da condição de poderem ser processados criminalmente, independentemente da gravidade de suas ações.

A todo momento, quer a pessoa conheça ou não a doutrina católica, fica evidente que a Igreja ensina somente a Verdade, nada mais que a Verdade, a qual os homens praticam (ou se esforçam em praticar) nos momento decisivos da vida. Por isso mesmo, fica evidente que as demais doutrinas só encontram solução às suas dificuldades quando elas, nos momentos e ações decisivos, são negadas e, em seu lugar, afirmado por meio de ações concretas pelo menos parte do que a Igreja ensina.

Quando um católico entende que o mais importante de tudo é a vida eterna, a vida que começa após esta vida, tal entendimento o conduz mais intensamente à aceitação de que perdoar ao próximo, fazer caridade e praticar outras ações cujo resultado é o bem do outro é o que de melhor se há de fazer nesta vida. A cada momento que pratique tais ações, afirma com a intensidade do seu ser a Verdade presente no ensinamento da Igreja. Na Igreja, quanto mais se faz o que ela ensina, mais claro se torna seu ensinamento, o que é contrário do que se dá com as demais doutrinas, por mais excelentes que sejam, humanamente falando. Pois quem poderá negar o elevado valor psicológico da doutrina budista? Porém, aí está o seu limite: trata-se de uma psicologia, cuja veracidade é rompida ao partir-se para a ação concreta, que nega a convicção afirmada de que tudo seja ilusão.

Toda esta reflexão resulta da meditação sobre os 12 frutos do Espírito Santo. Ela conduz a perceber que eles se paream de maneira semelhante a como se dá com os mandamentos da Lei Natural: o 5º. mandamento parea-e com o 8º., o 6º. com o 9º. e o 7º. com o 10º. Razão porque, para este artigo, escolhi refletir sobre os frutos “Paz” e “Fidelidade”.

Não existe a possibilidade de participar da paz de Cristo (“Deixo-vos a paz...”) sem a obediência perfeita nEle (“Crêde em mim”). A paz de Cristo (que, no fundo, todo coração deseja) não é possível sem fé em Cristo, sem obediência virtuosa ao que Ele encarregou a Igreja de ensinar. Pois, como visto, a ação conforme com o ensinamento da Igreja é tão afirmativo da Verdade que mesmo doutrinas que lhe são hostis fazem a gentileza de se retirarem, em certos momentos, do coração de seus adeptos, para que consigam praticar ações verdadeiras e justas.

Por isso é espantosamente triste quando vemos católicos cedendo aqui e ali às mais diversas doutrinas, proclamando terem por ídolo e exemplos os criadores de tais doutrinas. Porque dificilmente conseguirão ter paz de espírito, a única paz que interessa – porque não é possível tê-la sem antes ser fiel à Verdade; e esta é justamente a que a Igreja ensina.

Joel Nunes dos Santos, em 31 de março de 2012.
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