Vocação e Paternidade

domingo, 25 de março de 2012

Há dois tipos de paternidade: a biológica e a espiritual. Das duas, a mais importante é a espiritual. O que parece ser o exemplo mais forte deste fato, encontramos em São José, a quem Deus em Sua Providência deu como custódio de Jesus, cuja festa comemoramos no dia 19 de março.

O fato de São José ter sido o custódio de Nosso Senhor por si mesmo esclarece a superior importância da paternidade espiritual, algo exclusivo do ser humano e que os animais não experimentam. Mas como as coisas de Deus não são contrárias à razão, mas a elevam aonde ela não pode chegar por si só, um simples focar de olhos no que a paternidade em geral exige mostra quanta sabedoria Ele a colocou na paternidade espiritual.

A paternidade biológica dá ao homem somente a base material de sua vocação natural, uma vez que um dos seus componentes é a hereditariedade. Porém, a paternidade material, deixada por si só, é totalmente insuficiente para orientá-la de tal modo que se converta em talento para o bem – talento é o resultado do esforço reiterado, a consequência da insistência no desempenho de tarefa específica. Para haver talento, é necessário aprendizado e treinamento, o que até cai sob o dever do pai biológico, mas que o Direito positivo (as leis promulgadas pelo governo) pode abolir, como infelizmente vem se dando no Brasil: ao pai biológico o Legislador só impõe o dever de pagar pensão. A paternidade espiritual, por outro lado, não se revoga nunca. O Estado não possui poder para eliminá-la da vida do ser humano. É ela que responde pelo crescimento sadio da criança e, em resultado, pela formação do homem no qual a sociedade poderá ficar em boas mãos. Por isso é desejável que o pai biológico não somente cuide materialmente da criança (e, caso não possa fazê-lo sozinho, que seja ajudado por outros) e também desempenhe, dentro do máximo de suas possibilidades, a paternidade espiritual: se não puder bem instruí-lo, que escolha muito bem aqueles a quem encarregará de fazê-lo. De sua parte, o exercício da paternidade espiritual é dada pelo exemplo de moralidade que consiga transmitir à criança ao longo do seu desenvolvimento.

“Quem ama, cuida”, afirma inspirado psicólogo de nossos dias. Por certo que isto é assim, pois para ser pai de quem não gerou, é preciso estar atento ao outro com dedicação tal que reúna o que é próprio de cada uma das vocações naturais: espírito interpersonalístico, que ao realizar-se como deve recebe o nome de altruísmo; espírito artístico, para adaptar ao entendimento da criança as verdades que nela despertem o desejo pela verdade, pelo justo, bom e belo; espírito prático para encontrar soluções concretas às dificuldades da criança; espírito filosófico, de modo a ser capaz de partir das dúvidas da criança e responde-las como os problemas fossem seus, do pai, que então age como se lhe “emprestasse” seus conhecimentos e experiência de vida.

Todas essas coisas, e no grau máximo de perfeição que elas podem atingir, estavam presentes na vida de Jesus, graças à sua mãe Maria e seu custódio José. Pois lemos em Lucas 2, 52 “Jesus crescia em estatura, em sabedoria e graça, diante de Deus e dos homens.” Ora, crescia em estatura porque, não obstante ter nascido em extrema pobreza (teve como berço uma manjedoura), não lhe faltou alimentação adequada e nem mãe zelosa que disso cuidasse; em sabedoria porque nesta estão incluídos os conhecimentos teóricos e práticos; e graça porque não poderia ser diferente com o Autor das vocações, que as manifestaria por toda a vida, com exceção da fé e da esperança, da qual nunca necessitou por ser Deus verdadeiro e Homem verdadeiro. Para tudo isso, necessariamente São José teria de ter dado o melhor exemplo que um pai pode dar ao filho.

Joel Nunes dos Santos, 24 de março de 2012.
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