Madres do Deserto – Madre Isidora

domingo, 26 de fevereiro de 2012



Iniciamos a vida de outra madre do deserto, que viveu, por amor a Cristo a loucura da cruz.

Madre Isidora, sem sentido para o divino.
Outra história de grande beleza, por volta de 365, que põe em evidência as virtudes heróicas, é santa Isidora que viveu neste mosteiro. Impelida interiormente a buscar humilhações e opróbrios por amor extremo a Jesus Cristo, fingia loucura e inclusive posessão demoníaca. Dissimulava tão bem, que suas irmãs de comunidade acreditavam. Como esta santa não se propunha mais ser desprezada que honrada agia obedecendo a uma voz interior: se as demais cobriam sua cabeça, calçavam sandálias e comiam na mesa, ela andava sempre descalça, cobrindo a cabeça com um trapo, e em vez de sentar-se à mesa, se alimentava das migalhas e das sobras dos potes. Realizava os trabalhos mais humildes e jamais se viu um mau gesto ou o menor traço de soberba, nem ofender ninguém nem murmurar, guardando um silêncio total, apesar de ser tão incompreendida, injuriada, amaldiçoada e inclusive golpeada. Era como um manso cordeiro levado continuamente ao matadouro.
E aqui entra tal Pietro, venerável anacoreta que vivia em uma colina, perto do marvermelho, estava em oração, um anjo lhe disse: Porque te envaideces de tua vida virtuosa e também por habitar neste lugar? Queres ver uma mulher mais virtuosa que você? Vai ao mosteiro de mulheres localizado em Tabenesis e verás uma que leva um pedaço de trapo enrolado na cabeça: essa é mais perfeita que você. Porque ante tantas contrariedades e prova, jamais tem afastado de Deus seu coração; você ao contrário, vivendo aqui vagueia em tua mente e em teu coração pelas cidades.
Então, Pietro, que nunca tinha saído do seu retiro, se encaminhou ao mosteiro feminino. Ele cruzou a entrada porque tinha grande fama de santidade e além de ter idade avançada. Uma vez no recinto, pediu para a madre do mosteiro para ver todas as monjas. As viu, porém não reconheceu em nenhuma a que buscava, e disse: “Falta uma”. Ao que lhe respondeu: “Sim, tem uma um pouco demente” - palavra que os solitários se aplicavam por humildade. E Pietro pediu que a trouxessem e lhe obedeceram.
Porém a monja, intuindo do que se tratava, não queria ir e levaram-na arrastada. Ao vê-la, o ancião, se prostou a seus pés e disse: “Abençoa-me”. Porém ela se prostou ao mesmo tempo a seus pés e disse: “Tu deves abençoar-me a mim, meu senhor”.
Todas as monjas achavam estranho ver grande servidor de Deus prostrado diante daquela que consideravam uma virgem insensata, e pensando que se equivocava lhe gritaram: “Ah, padre nosso, não nos faça dano, não fira nossa reputação, não vês que és uma louca”?
Porém o santo varão reagiu com vivacidade e exclamou: vocês e eu somos “dementes”, ela ao contrário é nossa verdadeira Madre, e suplicou ao Senhor que no dia do Juízo seja eu encontrado digno dela. Ao ouvir isso, os olhos de seus corações se abriram, e sentiram um grande remorso, e jogando-se aos pés do ancião e lhe confessavam todo o mal que haviam feito a Santa Isidora; uma se acusava de haver jogado água suja nela, outra que lhe havia golpeado, outra que lhe havia esfregado mostarda no nariz, outra que lhe havia ridicularizado tantas vezes por seu hábito tão esfarrapado, et. Pietro, depois de havê-las escutado, fez oração de intercessão a Deus por elas, falou com a santa sozinho, e partiu do mosteiro.
Após este acontecimento, a bem-aventurada Isidora não pôde suportar tantas mostras de honra, louvores e preferência por parte de suas irmãs de comunidade, pois não cessavam de confessar a quantos cercavam o mosteiro que ela era uma santa e incessantemente as pessoas pediam seus conselhos. Uma noite saiu em segredo para o deserto, sem nunca mais se soubesse dela, nem o momento de sua morte.
Esta Madre não fez mais que viver por inspiração divina uma tradição monástica. Nunca faltavam monges ou monjas que voluntariamente queriam aparecer como loucos e renunciavam por amor a Cristo, a seu renome e a glória pessoal. Colocaram ao pé da letra as palavras de Paulo (I Cor. 1,23), e se converteram em “loucos”. Também entre os espirituais russos se praticava este “extremo”. O exemplo mais chamativo de “loucura por amor a Cristo”.
Terminamos aqui o relato da vida de Santa Isidora, peçamos a ela a intercessão de tornarmo-nos loucos por amor de Cristo, loucos parao mundo a fim de um dia entrarmos no Reino de Deus.



Continuamos na próxima semana...
Fiquem na paz!
Madre Rosa Maria de Lima, F.M.D.J
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