Madre Sara, a fortaleza do discernimento

domingo, 12 de fevereiro de 2012

Madres do Deserto – Madre Sara – Parte I

Madre Sara, a fortaleza do discernimento
Estamadre era contemporânea de um doa abades que levaram o nome de Pafanúcio, porém
não podemos precisar qual deles; provavelmente seja São Pafanúncio, nascido no Egito nos fins do século III.
Lemos na vida desta madre: “Viveu no deserto de Alexandrina (seguramente da parte
oriental do Nilo). Foi muito famosa. Entregue à vida de perfeição, revestida de
grande fortaleza de ânimo, empenhou o combate espiritual contra o inimigo da
salvação. Cheia de sabedoria, aconselhava e dirigia a quantas iam a ela com o
santo propósito de encontrar consolo e luz.

Permaneceu sessenta anos em uma cela junto às margens do Nilo. Sabia manter um
recolhimento de vista tal, que se diz que não levantava os olhos mais além de
três ou quatro palmos de distância. O inimigo, invejoso de tal perfeição, não
cessou durante três anos de assediá-la por meio de tentações violentas, para
que deixasse de observar a virtude da castidade. Resistiu cada dia com admirável
paciência; em meio deste combate, não pediu a Deus que desse fim a estas
tentações, senão mais bem, que lhe desse a graça necessária para afrontá-las e
vencê-las.
O inimigo não se dava por vencido e lhe apresentava todas as vaidades do mundo, porém ela
arrancava do coração o menor movimento de complacência ante as ninharias enganosas e frívolas, e muito longe de escutar suas enganosas insinuações, lhe opunha, com o temor de Deus,
resistência sem trégua. Sua alma se preenchia da graça divina, porém ela sempre
vigiante, redobrava suas austeridades com grande humildade.
Um dia em que a tentação se lhe apresentou mais forte que de ordinário, subiu a uma plataforma da cela que permanecia junto a uma janela, ali buscou alívio cravando seus olhos no firmamento, e se pôs a contemplar absorta tanta formusura; seu coração estava pleno de Deus e pairava serena a paz que a invadia. Então, o inimigo apresentou-se diante dela em figura humana e lhe
disse: “Sara, me tens vencido.” Ela respondeu: “Não sou eu quem te venceu, senão Jesus Cristo que habita em mim.”
Dois monges de fama chegaram do deserto com o propósito
de vê-la, e enquanto iam pelo caminho disseram: Vamos provar a humildade desta
boa anciã. E ao vê-la lhe disseram: “Guarda-te dos movimentos de vaidade, pois
não seja que te venham pensamentos de complacência: Os solitários vêm a ver-me,
a mim que sou mulher”. Ela respondeu: “É verdade que eu não sou mais que uma
mulher; porém ponho todo meu empenho em conservar em mim um espírito tenaz e
esforçado, cimentado em Jesus Cristo, minha Rocha.”
Falou com toda simplicidade; para demonstrar somente que
a debilidade do seu sexo não devia servir de pretexto para combater
negligenciamente na milícia espiritual, e que uma eremita não devia ceder aos
homens a glória de praticar as virtudes com santa coragem.
Por outro lado, cria que devia aniquilar-se também por
humildade de coração, quando o inimigo lhe sugerisse algum pensamento de estima
por parte das criaturas.
Não usava ir a nenhum sítio, por medo que a tomassem por
modelo de virtude; esta idéia a inspirava o Espírito. Pedia a Deus que não
edificasse a nenhuma pessoa por meio dela; desejava ser esquecida de todo o
mundo, a fim de conservar seu coração na pureza total.
Ocupava-se frequentemente com a recordação da morte; como
meio eficaz para triunfar do inimigo, do orgulho, se imaginava junto a uma
grande multidão aos pés de uma escada que se perdia no infinito, para subir
seus passos uma a um, e antes de começar a subir trazia à sua memória a morte e
todo o seu cortejo e se humilhava diante desta escada.
Entre os conselhos que dava, recomendava sobretudo a
caridade com o próximo a respeito da esmola, aconselhava vigiar para discernir
se esta era provocada por uma compaixão natural; se resultava assim, punha o
pensamento no motivo puro que devia impulsionar este ato, quer dizer, Deus
mesmo.
Uns monges de Chete foram visitá-la uma vez, e madre Sara
lhes apresentou uma pequena cesta com frutas. Os religiosos, fiéis a si mesmos,
deixando os frutos maiores, tomaram os que não eram tão bons. Então a
bem-aventurada lhes disse: “Agora reconheço verdadeiramente que sois autênticos
religiosos de Chete.” Com efeito, os religiosos de Chete se reconhecem por
serem os mais austeros do Egito.
A vida desta Santa Madre do deserto encerra-se aqui. Que
ela possa interceder por nós.

Continuamos
na próxima semana...
Fiquem na
paz!
Madre
Rosa Maria de Lima, F.M.D.J
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