Vocação:Resumo

domingo, 8 de janeiro de 2012

Aproveito o início deste novo ano para fazer um resumo dos fundamentos da vocação. Deste modo refresco a mente dos eventuais leitores sobre o que tenho escrito desde 17 de novembro de 2010.

1) Há duas espécies de vocação, a natural e a sobrenatural. A natural é em número de 4, a sobrenatural é uma só, não obstante manifeste-se com acentos tais que faz parecer que sejam 3.

2) O fundamento ontológico da vocação natural é o mesmo das coisas naturais: as quatro causas: final, eficiente, formal e material.

3) A causa final é a que explica a razão primeira da existência do ente. No ser, ela é a primeira; no acontecer, é a última; por isso é dita “final”. A personalidade cuja mente e coração, simultaneamente, é naturalmente inclinada a percebê-la nos entes é dita possuir “vocação filosófica”.

4) A causa eficiente desencadeia o dar-se do ser. Por isso se diz que ela transforma o princípio em causa propriamente dita. A alma que procura naturalmente percebê-la é dita possuidora de “vocação científica”.

5) A causa formal é a que faz com que o ente seja o que é, daí dizer-se que “o ente age segundo a sua forma”. O ente, ao agir, coloca-se no início do acontecer, este acontecer sendo comproporcionado ao ente que lhe deu causa. A alma naturalmente inclinada a identifica-la é dita possuir “vocação artística”. Nas palavras de Santo Agostinho, “a arte lida com presenças”. Os de vocação artística criam “presenças” que atraem e absorvem a imaginação de terceiros.

6) A causa material é a relativa àquilo de que o ente é feito. Aquilo de que o ente é feito é simplesmente dado. A alma voltada a identificar aquilo que lhe é análogo no ambiente social é dita possuir “vocação interpersonalística”.

7) Quando nos detemos naquilo em que prestamos atenção, observamos que a mente percorre um caminho coincidente com o que é próprio das quatro vocações naturais: primeiro, algo simplesmente chama a atenção e se torna assunto; em seguida, juntamos todos os elementos deste assunto, transformando-os numa unidade; em seguida, escolhemos a linha de reflexão principal a ser seguida por nossa mente ou ação a ser empreendida como resultado de seu conhecimento; por fim, a mente repousa na justificação do porque de tudo que foi considerado. Caminhamos pela ordem das causas, material, formal, eficiente e final, ou pela ordem das vocações correspondentes: interpersonalística (que atenta para o que afeta a vida das pessoas); artística (fazemos um cômputo de todos os elementos presentes no assunto que afeta a vida das pessoas); científica (elegemos o que é importante e prioritário fazer) e filosófica (esforçamo-nos para encontrar a explicação de todo o processo, de todos os porquês).

8) A vocação sobrenatural é uma só e ela afirma a semelhança entre Deus e o homem. Deus é uno (em substância) e trino (nas Pessoas). Do mesmo modo, a vocação sobrenatural é uma só, é dom direto de Deus e não resulta do esforço humano. Porém, ao analisarmos o que impacta nosso entendimento e coração ao considerarmos os sobrenaturalmente vocacionados (ao nos determos na personalidade dos santos, por exemplo), notamos que tal fator é a virtude da fé, da esperança e da caridade.

9) Os santos cujo acento nos impacta pela fé são a imagem do guerreiro; pela esperança, são a imagem do Cristo sofredor, que tudo suportam perdoando e não raro calando-se, refletindo a imagem da vida como sendo constante penitência. A caridade é própria dos que, no fim das contas, quase não chamam a atenção como os anteriores, porque a sua imagem própria se dilui e se confunde com o próprio bem que praticam. Por isso é comum ouvirem-se de “católicos” fundadores de seitas que não aceitam “certas canonizações”. Exemplo deste tipo deste último caso é a canonização de Santo José Escrivá, fundador do Opus Dei. Ele não era parecia um guerreiro, do tipo de indivíduo que desafia reis, príncipes e outros homens armados; também não sofria de dolorosas enfermidades, como dolorosas eram as feridas de Santa Rita de Cássia. Era homem piedoso, cuja obra foi criar condições para que o homem comum, o trabalhador assalariado e outros santifiquem a própria vida. Noutras palavras, sua obra tornou possível a santificação de pessoas que vivem em ambientes “mornos”, que não costumam exigir decisões radicais de ninguém. Aqueles criadores de seitas, por julgarem-no “morno”, afirmam ter havido engano em sua canonização – não enxergam nele a virtude da fé ou da esperança e não têm olhos para a caridade.

10) Pode parecer pouca coisa o fato de serem quatro as vocações naturais. Mas não é. Basta fazer a seguinte comparação: numa tela de computador conseguimos ver toda a gama de cores das mais diversas paisagens. Para tanto, o sistema usa somente três cores básicas, o vermelho, o azul e o amarelo, da combinação das três em graus variados chegando-se aos bilhões de cores possíveis. Não é necessária uma quarta cor. Do mesmo modo, não é necessário mais do que quatro vocações para dar conta de todas as possibilidades humanas de dar-se ao próximo por vias naturais, uma vez que a vocação natural é, em última instância, o dom que Deus dá a cada homem para bem servir ao próximo. Pois a minha vocação não é para mim, mas para o bem do outro.

11) Quanto mais cedo se ajudar o ser humano a dar o aporte cultural que a vocação exige, melhor para todo mundo.

Joel Nunes dos Santos, em 07 de janeiro de 2012.
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