Vocação à Paternidade-VI

domingo, 1 de janeiro de 2012

Que talento dos pais – doravante, direi “do pai”, significando tanto o pai quanto a mãe – interessa mais à criança? É aquele conexo com a vocação interpersonalística, na sua expressão mais elevada, a qual recebe o nome de “altruísmo”.

Não importa se a vocação do pai é filosófica, científica ou artística, ele tem de priorizar a criança, de tal maneira que se habitue a enxergar o mundo pela escala de importância dela. Porque para o adulto pode parecer que esta ou aquela coisa não tem importância. Mas a questão é que para a criança, naquele momento, não há nada de mais importante, e quanto mais nova a criança, mais global é sua reação aos dados da experiência. Portanto, quanto mais nova, mais importante é o que ela vive aqui e agora.

O fato de a reação da criança ser tanto mais global quanto mais nova seja, impõe um dado de natureza que a cultura deve obedecer: a importância fundamental da mãe nos primeiros anos de vida da criança. O desrespeito a este fato gera culpas que vão se transformando em algo parecido como uma segunda natureza, o que hoje em dia podemos presenciar facilmente. Sob o pretexto de igualdade entre homem e mulher, nossa sociedade vem se organizando ao arrepio do fato mencionado, não estranhando a leniência com que se tem tratado as faltas e mesmo crimes de pessoas jovens. A meu ver, isso ocorre por esta razão: como é de natureza que a conduta altruística da mãe em relação à criança seja algo “automático”, a não organização da vida em torno desse fato provoca o aparecimento de culpas difíceis de apagar. Quando a mãe se ausenta da casa, por trabalho ou outra razão, deixa de atender àquele apelo da natureza. E como o espírito do homem não esquece, não apaga o que lhe é dever, o resultado não se oculta por muito tempo: a culpa emerge com indesejável força. O extremo a que se tem visto chegar este tipo de falha no atendimento deste dever natural, cuja origem é a moral natural, é a inimputabilidade do menor criminoso no Brasil. Se menor de 18 anos, o jovem pode praticar homicídio e a lei proíbe que ele seja julgado em conformidade com a natureza mesma de sua ação. Sendo neste mundo a autoridade maior da mulher do que do homem, quando o homem vira a costas para o seu dever de filtrar e mesmo rejeitar certas decisões da mulher, o resultado não é bom. O primeiro exemplo disso foi Adão: ao invés de reprovar a conduta de Eva, endossou-lhe o erro.

É tão naturalmente forte a amorosidade da mulher que o Santo Padre Pio de Pietrelcina, para ilustrá-lo, contava a seguinte anedota: “Jesus perguntava a Pedro: ‘Pedro, quem são essas pessoas, que não conheço nenhuma?’. Pedro respondia: ‘Não sei, meu senhor. É só eu virar as costas e Sua Mãe deixa qualquer um entrar!’” E não é estranho a isso o fato de Nosso Senhor não ter estabelecido cargo para a mulher na Igreja, não obstante a ter colocado na posição suprema no Céu, acima dos anjos e dos homens.

O antídoto para a falha principal na educação da criança é este: o homem, o pai, nos primeiros anos de vida da criança, esforçar-se por aprender sobre o amor observando a relação da mãe com o filho, pois este amor imita o amor de Deus, cuja análise levou a que alguém dissesse “o amor de Deus é feminino”. De fato parece ser assim mesmo, pois Jesus endossa esse parecer ao dizer que “todo aquele que lançar um olhar de cobiça para uma mulher, já adulterou com ela em seu coração” (Mat. 5, 28). Ora, “lançar um olhar” é “ter a intenção de”, intenção que pode ou não ser levada a cabo. Para o psiquismo do homem, a intenção não cria culpa; para a mulher, sim, pois, para ela, “ter a intenção de” corresponde ao que, no homem, é “eu fiz tal coisa”. De modo que é com a mulher, mãe, que se aprende a amar como convém ao filho, para, em seguida, precaver e impedir os erros que certamente se seguirão deixando-a sozinha na tarefa de dele cuidar.

Para a prevenção de erro cujo resultado é a leniência com as falhas do jovem, em seguida a falta de moral e vergonha do adulto, é necessário adquirir o hábito da conduta altruística: tratar como se fosse problema pessoal aquilo que, para o filho, é sua dificuldade atual. Assim fazendo, o filho aprenderá a submeter a vontade à razão e esta à verdade que a Revelação endossa ou ensina.

Assim fazendo, torna-se possível crer no bem a ser vivido não somente pela geração atual como também pela futura.

Joel Nunes dos Santos, em 31 de dezembro de 2011.
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