Vocação Natural ao Conhecimento

domingo, 15 de janeiro de 2012

Santo Tomás de Aquino, na Suma Teológica, Parte I, questão 76, Artigo 1, trata da união alma-corpo. Diz que

“a natureza de qualquer coisa fica evidenciada por sua operação.”


Prossegue esclarecendo que

“quanto mais nobre é uma forma, mais domina a matéria corporal e menos se submete a esta; logo, ultrapassa-a por sua operação e virtude”.


Explica que

“Deve-se considerar, ainda, que quanto mais nobre a forma, tanto mais domina a matéria corporal e tanto menos nela está imersa; e mais a ultrapassa por sua operação e poder.”


Esclarece que o entendimento (também chamado “alma intelectiva”) é o que diferencia o homem dos demais animais, dizendo que

“...a operação própria do homem, enquanto homem, é conhecer. E é por aí que ele é superior a todos os animais.”,


ao que somou a autoridade do Filósofo, dizendo

“Por isso Aristóteles, no livro da ‘Ética’, estabeleceu nessa operação [de conhecer], como sendo propriamente humana, a felicidade perfeita.”
“(...). A espécie do homem deve ser, pois, determinada segundo o princípio desta operação. E como a espécie de uma coisa é determinada segundo a sua própria forma, segue-se daí que o princípio intelectivo é para o homem sua forma própria.”


Ao indivíduo de vocação filosófica tais esclarecimentos bastam. Mas há outros, com vocações diferentes, que colocam em seguida de tais esclarecimentos a questão: “Como aplicar à vida do dia-a-dia tão valioso conhecimento?”. Respondo que levando em conta isto: o homem é capaz de desempenhar tantas tarefas quantas se disponha a aprender. Por causa de vantagens econômicas ele pode desempenhar determinada tarefa anos a fio – e até desempenhá-la bem – sem sentir a menor identificação com ela. Mas caso ele se disponha a encontrar sentido em sua vida, mesmo sem mudar de emprego, conseguirá aumentar as chances disso na medida em que vá reservando tempo cada vez maior para aquilo que espontaneamente faz como “hobby”, a fundo perdido.

Porque as poucas palavras de Santo Tomás de Aquino, acima citadas, dão a ver que o homem se caracteriza propriamente por possuir uma alma cujo ápice é a capacidade de conhecer. E esta é uma verdade que o próprio Deus confirmou, dizendo

“...conhecereis a verdade e a verdade vos libertará”. (Jo 8, 32).
“...vos dei a conhecer tudo quanto ouvi de meu pai.” (Jo 15, 15)
“a vida eterna consiste em que conheçam a ti, um só Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo que enviaste.” (Jo 17, 3).
Pai santo, guarda-os em Teu nome, que me encarregaste de fazer conhecer, a fim de que sejam um como nós”. (Jo 17, 11).


Ora, conforme seja minha vocação, mais estou apto a conhecer. De modo que para garantir sentido no desempenho de tarefas, estas têm de estar o mais possível conforme com a vocação de cada um. Assim fazendo, vive-se a felicidade imperfeita nesta vida e caminha-se para a perfeita e eterna felicidade, na outra.

Em termos práticos significa dizer que uma criança que receba educação baseada naquilo em que nela é vocacional, ao chegar à idade em que tenha de fazer escolhas que determinarão coisas definitivas em sua vida (formação acadêmica, trabalho, amizades), conseguirá viver tal época de sua vida sem a fragilidade que acomete jovens inseguros. E hoje em dia verifica-se o investimento de quantias enormes de dinheiro no esforço de transformar condutas que só se explicam como frutos da insegurança psicológica (de início coisa normal) em “direitos a serem respeitados”.

Para evitar o triste destino de tais vidas, vale muito auxiliar o próximo sob nossa responsabilidade, a conhecer – e isso se faz ensinando-as a respeito da vocação natural e sobrenatural do homem, ambas excelências da alma intelectiva, que só o homem possui e os demais animais, não.

Joel Nunes dos Santos, em 14 de janeiro de 2012.
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