O respeito da pessoa deve estar no centro das instituições e das leis, conduzindo ao fim de toda a violência”: Bento XVI ao Corpo Diplomático junto da Santa Sé

terça-feira, 10 de janeiro de 2012




Foi um discurso amplo, passando em revista o mundo inteiro, o que Bento XVI dirigiu nesta manhã aos Embaixadores junto da Santa Sé, recebidos no Vaticano, como é tradicional, no princípio de janeiro, para a apresentação de votos de Ano novo.
Especial destaque foi reservado pelo Papa ao continente africano, com os seus diferentes focos de crise e de preocupação, assim como ao Médio Oriente, na sequência do movimento predominantemente juvenil e espontâneo que levou à queda de diversos regimes e à realização de eleições.
Moçambique foi o único país lusófono expressamente citado, a propósito do recente Acordo com a Santa Sé, cuja ratificação Bento XVI fez votos possa ter lugar em breve, como já aconteceu com idêntico Acordo assinado também em 2011 com o Azerbaijão.
Congratulou-se também com a admissão da Santa Sé, como membro de pleno direito na Organização Internacional das Migrações, sinal do empenho da Igreja Católica neste campo:

“Tal testemunha o empenho da Santa Sé e da Igreja Católica ao lado da comunidade internacional na busca de soluções adequadas para este fenómeno que apresenta múltiplos aspetos, desde a proteção da dignidade das pessoas à preocupação pelo bem comum das comunidades que as recebem e daquelas de onde provêm”.

Uma saudação especial, reservou-a o Papa ao Sudão do Sul, constituído em Julho como Estado soberano. Referindo também as “tensões e confrontos infelizmente ali verificados nos últimos meses, Bento XVI fez votos de que “todos unam esforços para que se abra finalmente, para as populações do Sudão e do Sudão do Sul, um período de paz, de liberdade e de desenvolvimento”.

Alargando o horizonte a todos os países do mundo, o Santo Padre não pôde deixar de registar as sombras que se advertem neste momento:

“O momento atual é infelizmente marcado por um profundo mal estar, de que são dramática expressão as diversas crises: económicas, políticas e sociais”.A este propósito não posso deixar de mencionar, antes de mais, os graves e preocupantes desenvolvimentos da crise económica e financeira mundial”.

Uma situação que (sublinhou o Papa) não tocou apenas as famílias e as empresas dos países economicamente mais avançados, com repercussões sobre os jovens, mas afeta também a vida dos países em vias de desenvolvimento. Em lugar de desanimar, há que aproveitar a ocasião para adotar novas formas de empenho:
“A crise pode e deve ser um estímulo para refletir sobre a existência humana e sobre a importância da sua dimensão ética, antes mesmo de o fazer sobre os mecanismos que governam a vida económica: não só para limitar as perdas individuais e das economias nacionais, mas para adotar novas regras que assegurem a todos a possibilidade de viver dignamente desenvolvendo as suas capacidades em benefício da comunidade no seu conjunto”.

Preocupado com o facto de serem os jovens os mais afetados pelos efeitos da incerteza do momento atual, com o desemprego e a falta de perspetivas para o futuro, Bento XVI mencionou expressamente a África do Norte e o Médio Oriente, onde os jovens lançaram – observou – “aquilo que se tornou num amplo movimento de revindicação de reformas e de participação mais ativa na vida política e social”. Embora reconhecendo a dificuldade de estabelecer já um balanço definitivo destes acontecimentos e suas consequências, o Papa exprimiu ainda assim um seu parecer:

“O otimismo inicial deu lugar ao reconhecimento das dificuldades deste momento de transição e mudança. Parece-me evidente que a via adequada para continuar o caminho empreendido passa pelo reconhecimento da dignidade inalienável de cada pessoa humana e dos seus direitos fundamentais. O respeito da pessoa deve estar no centro das instituições e das leis, conduzindo ao fim de toda a violência”.

Bento XVI advertiu contra o risco de que este movimento de solidariedade social degenere em mero instrumento para conservar ou conquistar o poder e convidou a comunidade internacional a concorrer para “a construção de sociedades estáveis, reconciliadas, opostas a toda a discriminação injusta, em especial de ordem religiosa”.
Não faltou uma menção expressa da preocupação que suscita a situação na Síria, fazendo votos de uma se ponha termo à efusão de sangue e se empreenda um diálogo frutuoso entre as partes.
Sobre a Terra Santa, congratulando-se com a iniciativa da Jordânia, levando a um encontro de representantes israelitas e palestinianos, Bento XVI reafirmou a necessidade de que “os dois povos tomem decisões corajosas e clarividentes que possam conduzir a “uma paz estável, que garanta o direito de ambos viverem em segurança em Estados soberanos, com fronteiras seguras e internacionalmente reconhecidas”.

Na parte final do seu discurso de início do ano aos Embaixadores, o Santo Padre recordou o tema do recente Dia Mundial da Paz – “educar os jovens para a justiça e para a paz”, sublinhando a importância e urgência desta tarefa , nestes tempos difíceis e delicados. Neste contexto, referiu amplamente o lugar que há que reservar à família e à defesa da vida, assim como às instituições educativas, onde a Igreja está bem presente.
Uma obra educativa eficaz requer também – recordou o Papa - o respeito pela liberdade religiosa, na sua dimensão individual e coletiva. Um direito que se encontra muitas vezes limitado ou desprezado. Neste contexto, Bento XVI saudou expressamente a memória do ministro paquistanês Shahbaz Batti, cujo “infatigável combate pelos direitos das minorias” (disse) teve como desfecho uma trágica morte. Aliás não se trata de um caso único.

“Em muitos países os cristãos são privados dos direitos fundamentais e marginalizados da vida pública. Noutros casos, sofrem violentos ataques contra as suas igrejas e habitações. Por vezes são constrangidos a abandonar o país que ajudaram a construir, devido às contínuas tensões e a políticas que os relegam para espectadores secundários da vida nacional”.

Por outro lado, “noutras partes do mundo (denunciou o Papa), registam-se políticas tendentes a marginalizar o papel da religião na vida social, como se fosse causa de intolerância em vez de (reconhecer) a apreciável contribuição (que fornece) na educação para o respeito da dignidade humana, para a justiça e a paz”

O terrorismo religiosamente motivado ceifou, no ano passado, também numerosas vítimas, sobretudo na Ásia e na África. Por esta razão, como lembrei em Assis, os responsáveis religiosos devem repetir, com vigor e firmeza, que «esta não é a verdadeira natureza da religião. Ao contrário, é a sua deturpação e contribui para a sua destruição»

Quanto ao continente africano, a propósito da sua visita ao Benim, Bento XVI considerou “essencial que a cooperação entre as comunidades cristãs e os Governos ajude a percorrer um caminho de justiça, paz e reconciliação, de tal modo que sejam respeitados os membros de todas as etnias e religiões”. O Papa deplorou que tal não aconteça, por exemplo, na Nigéria (como indicam os atentados perpetrados contra várias igrejas no período natalício), nas sequelas da guerra civil na Costa do Marfim, na instabilidade que persiste na Região dos Grandes Lagos e na urgência humanitária nos países do Corno da África, pedindo à comunidade internacional que ajude a encontrar uma solução para a crise que perdura na Somália.

A concluir, uma alusão às “graves calamidades naturais que, ao longo de 2011, afectaram várias regiões do Sudeste asiático e os desastres ecológicos como o da central nuclear de Fukushima no Japão. “A salvaguarda do ambiente, a sinergia entre a luta contra a pobreza e a luta contra as alterações climáticas constituem áreas importantes para a promoção do desenvolvimento humano integral” – sublinhou o Papa, encorajando a comunidade internacional a “preparar-se para a Conferência da ONU sobre Desenvolvimento Sustentável («Rio+20») como uma autêntica «família das nações», ou seja, com grande sentido de solidariedade e responsabilidade para com as gerações presentes e as do futuro”.

Radio Vaticano
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