Vocação à Paternidade

domingo, 27 de novembro de 2011

Dois amigos meus, em breve, serão pais. Dirijo principalmente a eles algumas reflexões sobre essa grande graça que Deus lhes concederá.

Há quem diga que cada criança que Deus faz nascer é para renovar o Seu desejo de que o homem se salve. Muitas crianças nascem e se tornam homens que se perdem, enquanto outros se salvam, esses últimos nos lembrando a mais elevada de todas as metas, que é estar para sempre com Deus. Por isso, ser pai/mãe é cooperar com Deus para que o Céu fique preenchido do número necessário de indivíduos para que a História chegue a seu termo – número este que só Deus sabe, como Jesus ensinou: “Quanto àquele dia e àquela hora, ninguém o sabe, nem mesmo os anjos do céu, mas somente o Pai.” (Mat. 24, 36)

A mim parece que a paternidade é algo trabalhosa, mas não difícil. Isto é, podemos torna-la fácil ou difícil. O melhor é torná-la fácil, o que se consegue respeitando as mais genéricas das vocações da mulher e do homem: a da mulher, a vocação a amar ao que tem vida diretamente; a do homem, a de amar o que serve à vida.

Na prática isto funciona assim: quando a mulher engravida, o homem, o pai, o marido, adquire (aos olhos da mãe) a função de extensão de seus braços. Ela, a mãe, não pode fazer tudo. Precisa, portanto, de alguma sua extensão eficiente, e esta extensão chama-se “seu marido”. Porque ela mesma se vê, se enxerga, como a extensão necessária da criança, que nada pode fazer por si mesma. Para a mãe é tão natural que as coisas sejam assim – porque para ela nada há de mais amável no universo inteiro que a criança, a sua criança – que dificilmente passará por sua cabeça que isto não seja assim também para qualquer outra pessoa – por exemplo, para o pai. E o digo não como quem dá opinião vazia. Já na época da faculdade, na década de 80, na PUC, nos trabalhos de Psicologia Social, os alunos discutiam por que acontecia de garotas da classe média para cima engravidarem, não obstante o volume de informações que possuíam sobre contracepção. A razão é esta: não importa a época, por instinto a mulher sabe que nada há mais amável na vida natural que a criança. Algo assim tão amável, tão pleno da força de ser amada com o máximo amor por certo possui a força de despertar no coração do homem, do pai, o senso e o desejo de responsabilidade para com o filho e, por extensão, para com ela. Se no cotidiano da vida as coisas não ocorrem desse jeito, não é por deficiência no sentimento da mãe, mas por um processo de infantilismo que acometeu o homem contemporâneo.

Pois bem, a primeira providência a ser adotada pelo pai é esta: observar a mãe e ver como é tamanha sua amorosidade pela criança; como ela é toda serviços para a criança.

A providência seguinte vale para quando a criança deixar de ser um bebê e ir se tornando receptiva à comunicação: observe o que a atrai espontaneamente. Se a mãe não for atenta a isso, ensine-a a ser, de modo que ela atue como seus olhos e ouvidos. Assim fazendo, irão percebendo que a criança trás consigo a força de certo tipo de inteligência, resultante da sua vocação. Observando-a com atenção suficiente, será possível perceber que ela manifesta competências (ou traços vocacionais) próprios ou da família paterna ou da materna. Passando um pouco mais de tempo, um ou outro desses traços poderá vir a prevalecer.

O amor em sua expressão mais densa, o pai aprende com a mãe; a transformação deste amor em eficiência do olhar, para operacionalizá-lo e converter em ciência de bem educar, a mãe deve aprender com o pai.

Se os dois fizerem com zelo o que a vocação de cada um solicita – a vocação de pai e a vocação de mãe – ambos notarão que de fato a paternidade/maternidade é tamanha graça de Deus que Deus fez questão de deixar isto evidente ao criar a Igreja sobre a pedra que é Pedro. A existência do Papa, que é Pedro, o único homem que tem a garantia de assistência do Espírito Santo dá bem a medida do tamanho da graça de ser pai. E não se pode esquecer que Deus fez questão de dar-se uma mãe e de ter a um pai a quem obedecer, Maria e José.

Na vida natural, um dos instrumentos mais eficientes para compreender o amor de Deus é a maternidade/paternidade. Pois parece que se pode perceber isso na maneira como Deus ensinou à mulher e ao homem o que é e como é o verdadeiro e máximo amor. À mulher Jesus ensinou com o exemplo de Sua vida, que deu corpo às palavras de João: “De tal modo Deus amou o mundo, que lhe deu seu Filho único, para que todo o que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna.” (Jo 3, 16). Ora, que mãe faria algo assim, entregar o próprio filho, por amor a outros? Claro que a resposta é: Maria. Contudo, aí Maria imita Deus. Caso não imitasse, por certo agiria como é próprio da mulher: não entregar o próprio filho.

Ao homem Deus ensinou deixando que todo o sangue saísse do seu corpo. Porque não está previsto que, por natureza, o homem veja o próprio sangue. Mas Jesus, ao tomar sobre Si os nossos pecados, ensanguentou-se todinho, como profetizado em Isaías 63, 3, “o sangue deles espirrou sobre meu vestuário, manchei todas as minhas roupas”. Que homem “mancharia toda a roupa” por amor ao próximo? Claro que a resposta é: “Os mártires!” Mas estes fazem o que aprenderam do próprio Deus. Portanto, Deus ensinou à mulher e ao homem da maneira mais extrema em que um e outro podem aprender sobre algo.

À mulher Deus ensinou, que o amor, quanto maior for, mais desprendimento exige. Pois a mãe que não auxilia convenientemente o filho, não o deixando desprender-se dela, falha no cumprimento de sua vocação. Ao homem Deus ensinou que só o despojamento de si, por amor ao serviço do próximo – no caso, do filho – realiza adequadamente a vocação de pai.

Para bem educar ao filho, devemos nos desprender de nós mesmos, a ponto de enxergarmos qual vocação Deus lhe deu; em seguida devemos atende-la, fazendo-nos olhos e ouvidos da criança que, por si, pouco pode ver e pouco pode enxergar e por isso precisa que o façamos por ela. Até quando ela puder fazê-lo por si mesma.

Joel, em 24 de novembro de 2011.
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